Teatro & Pensata

Cirque du Soleil traz ao país espetáculo brasileiríssimo dirigido por Deborah Colker

OVO retrata o mundo dos insetos e a sua biodiversidade através do prisma da aceitação do diferente. O espetáculo representou um marco na história da companhia canadense por trazer a primeira mulher -latina- para dirigir um show do grupo

Publicado em 06/11/2018 | Por Ana Clara Xavier

Cirque Du Soleil com sabor de Brasil. Esta é uma boa definição para o espetáculo OVO da companhia canadense que aterrissa no país em março de 2019. Lançado em 2009 em Montreal, este show circense celebrou os 25 anos da marca e ainda representou a 25º produção realizada até aquele momento. Por ser um marco na história do Cirque, o fundador Guy Laliberté convidou a brasileira Deborah Colker para ser a primeira mulher –e ainda por cima latina- no cargo de diretora. Além desta mudança, OVO ainda inovou ao trazer um caráter mais descontraído e versátil para a identidade do Cirque. “Me perguntaram muitas vezes como me sentia por ser a primeira mulher e eu dizia que eles tinham demorado. Eu trouxe para o mundo do Cirque Du Soleil teatro, dança, música e uma maneira diferente de construir um espetáculo. Foi difícil, inicialmente, pedir para os russos e europeus fazerem posições engraçadas, mas deu certo. A dança estava a serviço de contar uma trama”, explicou a autora, diretora e coreógrafa Deborah Colker. Até o momento, o espetáculo visitou mais de 30 cidades ao redor do mundo e passou por Estados Unidos, Canadá, Europa, Japão, Austrália e Rússia. No Brasil, OVO fará uma curta temporada passando por São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília.

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Em tempos de descrença e ódio, OVO retrata outro ângulo do nosso país, reafirmando ideais que deixamos de lado em momentos conturbados. Sob um prisma internacional, o espetáculo exibe um Brasil plural, amoroso, diverso e compreensivo. “Não tive que me esforçar para ser brasileira, afinal, estas cores, esta alegria, estes conflitos, estas personalidades e esta diversidade fazem parte da gente”, garantiu Deborah Colker. Entre acrobacias e coreografias, a trama conta a história de uma comunidade de insetos que se vê balançada com a chegada de um estrangeiro acompanhado de seu ovo. “Eu quis trazer a ideia do imigrante e da pessoa que é excluída na sociedade. Além da necessidade de aceitação do diferente”, completou Deborah. O mistério e a curiosidade embalam a narrativa levando humor e versatilidade para o espetáculo. O site HT marcou presença na coletiva de imprensa que rolou na capital paulistana e vai ter contar tudo o que podemos esperar deste show brasileiríssimo. Vem!

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Deborah Colker foi a primeira mulher a assumir um cargo de direção no Cirque du Soleil (Foto: Marcos Mesquita)

A brasilidade do espetáculo não está presente unicamente na figura de Deborah Colker e no enredo, parte do elenco e alguns dos diretores também nasceram por aqui. O carioca Berna Ceppas, por exemplo, foi o responsável por dirigir a trilha sonora do espetáculo. Sendo a música um dos elementos mais importantes do Cirque Du Soleil, ele compôs temas que visavam trazer este caráter regional.  “Caí no mundo dos estilos brasileiros, a partir de uma indicação do Guy Laliberté. Temos vários gêneros diferentes como forró, xaxado, funk, electromusic, samba, bossa nova, carimbó… E tudo se encerra como se fosse uma festa. Os insetos convidam o público para dançar em uma genuína apresentação nacional”, comentou o diretor musical. Atualmente, uma banda é a responsável por tocar estas canções. Formada em parte por brasileiros, o conjunto inclui um baterista, um baixista, um contrabaixista, um percussionista, um violinista, uma instrumentista de sopro, um tecladista, um guitarrista e uma cantora.

O responsável pelo design de cenários e figurinos também é brasileiro. Gringo Cardia ajudou a idealizar tudo o que Deborah Colker imaginava. Com cerca de 27 tipos de insetos diferentes, o designer teve o desafio de representar o Brasil através das cores vívidas e diversas. “Em um espetáculo, as peças costumam ser mais efêmeras, mas no Cirque tudo é completamente diferente. Os figurinos e elementos em cena precisam ser muito bem planejados e construídos. O ovo, por exemplo, precisa ser de titânio, porque não tem como enviar novamente para o Canadá para consertar estando em uma turnê na Austrália”, contou Gringo Cardia. Para transportar todos os cenários, figurinos e equipamentos do Cirque, cerca de 23 caminhões são necessários.

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O processo de idealização deste espetáculo começou em 2006 quando o fundador da companhia Guy Laliberté convidou Deborah Colker para ser diretora do show que comemoraria os 25 anos do Cirque. “Fiquei me perguntando o motivo de ele ter me escolhido. De acordo com ele, ficou muito impressionado com a parede do meu espetáculo Velox, porque não entendeu como aquilo poderia estar fora do mundo do circo. Além disso, ele gostava da forma como eu trazia o movimento e o gesto para a cena”, salientou a diretora, autora e coreógrafa. A partir disso, Guy informou que Deborah poderia escolher qualquer tema dentro do universo da natureza e, quatro meses depois, ela decidiu pelo mundo dos insetos por achar que seria interessante explorar o circo através disso. A partir da sua vontade de inovar, a diretora optou por trabalhar com um elenco majoritariamente acrobático. Dois anos depois, OVO teve a sua estreia mundial em Montreal. Inicialmente, foi pensado para ser construído dentro de uma tenda, mas, em 2016, foi atualizado para ocorrer dentro de uma arena.

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Investidores, elenco e equipe de OVO reunidos na coletiva de imprensa (Foto: Marcos Mesquita)

Somente 10 anos após a sua estreia internacional, OVO será lançado no país onde nasceu: o Brasil. Apesar de sofrermos com embargos econômicos e dificuldade de investir em arte, estes não são os principais motivos que resultaram a demora da chegada em terras tupiniquins. “Achei que OVO só chegaria ao Brasil daqui a 20 anos. Até fiquei surpreso de vir tão rápido. O Cirque Du Soleil possui um cronograma que visa passar o espetáculo pelo mundo inteiro, sempre encerrando na América Latina. Isto acontece porque o poder aquisitivo é mais baixo e, por isso, eles não conseguem colocar ingressos tão elevados como no exterior. Por este motivo, não é tão rentável para a companhia. No entanto, eles pararam tudo para vir ao Brasil nesta primeira década devido ao valor afetivo”, informou o designer Gringo Cardia. Independente desta diferença do valor dos ingressos, São Paulo é a terceira cidade que recebeu a maior quantidade de público em uma turnê, perdendo unicamente para Montreal, no Canadá, e Tókio, no Japão.

Efeitos de luz e sonoros marcaram a presentação do Cirque du Soleil nesta segunda-feira (Foto: Marcos Mesquita)

Sem dúvidas, OVO é um espetáculo para toda a família. O show fez parte de uma temporada de renovação do mundo do Cirque Du Soleil, deixando o clima menos introspectivo e apostando na versatilidade. “Mesmo já tendo assistido a este show diversas vezes, continua sendo algo mágico para mim”, informou o publicista do OVO, Nicolas Chabot. Grande parte desta renovação se deve ao espírito brasileiro impregnado em cada número. “OVO é uma criação incrível que se inspira no nosso DNA brasileiro”, garantiu o CEO do IMM Esporte e Entretenimento, Alan Adler, e a diretora da IMM, Stephanie Mayorkis, logo completou: O espetáculo mostra o Brasil com as suas cores, ritmos e diversidade. Tem uma alma particular nossa e por isso é muito especial vê-lo alcançando tantas cidades visando emocionar muitas pessoas”. O diretor de marketing do Bradesco –banco que patrocina o evento-, Márcio Parizotto, também encara esta regionalidade como algo positivo. “Fantasia é algo tão importante nos tempos atuais e estar em um espetáculo brasileiríssimo do Cirque como este era uma decisão muito fácil de ser tomada”, salientou. Leve e divertido, OVO promete encantar o público e relembrar a diversidade cultural.

Serviço:

  • Belo Horizonte, de 07 a 17 de março, no Ginásio Mineirinho;
  • Rio de Janeiro, de 21 a 31 de março, na Jeunesse Arena;
  • Brasília, de 05 a 13 de abril, no Ginásio Nilson Nelson;
  • São Paulo, de 19 de abril a 12 de maio, no Ginásio do Ibirapuera

A venda para o público em geral começa nas seguintes datas:

– Belo Horizonte, a partir do dia 29 de novembro;

– Rio de Janeiro, a partir do dia 01 de dezembro;

– Brasília, a partir do dia 01 de dezembro;

– São Paulo, a partir do dia 03 de dezembro.

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