Camila Pitanga: “Matriarquia é um encontro de mulheres, minhas vivências e percepções e experiência na pandemia”


No reflexivo poema-cênico-musical-performático, a atriz é acompanhada pelo musicista Luiz Gayotto, e interpreta a agente de saúde Stela, uma mulher que é submetida a um constante estado de vigília. Direto da casa de Camila, o espetáculo solo estreia domingo, às 19h, com transmissão online para a plataforma “#emcasacomsesc”, do Sesc São Paulo. O projeto foi idealizado por Pitanga e Lucia Gayotto, com texto de Dione Carlos e direção de Cristina Moura. “Quem me conhece pode reconhecer fatos da minha história, mas ‘Matriarquia’ é uma voz universal. Quem nunca se trancou no quarto ou não teve dificuldades de comunicação?”, reflete Camila

Camila Pitanga estreia “Matriarquia em processo'” no domingo, dia 7 de março (Fotos: Rodrigo Pinheiro e Gal Cipreste Marinelli)

*Por Rafael Moura

Para celebrar o Dia Internacional das Mulheres, Camila Pitanga reuniu um super time para o espetáculo ‘Matriarquia em processo’ que terá a primeira apresentação transmitida online direto de sua casa, no dia 7 de março, às 19h, dentro da plataforma #emcasacomsesc, do Sesc São Paulo. “Matriarquia é sobre o encontro dessas mulheres, o meu encontro com minhas vivências e percepções, bem como minha experiência neste mundo que atravessa uma pandemia”, desabafa a atriz. E acrescenta: “Quem me conhece pode reconhecer fatos da minha história, mas ‘Matriarquia’ é uma voz universal. Quem nunca se trancou no quarto ou não teve dificuldades de comunicação? O grande desafio foi encenar um projeto para transmissão online, porque estamos misturando as linguagens do teatro e do audiovisual. É uma reinvenção, descoberta”.

"Matriarquia é um encontro de mulheres, é sobre minhas vivências e percepções", conta Camila Pitanga (Foto; Gal Cipreste Marinelli)

“Matriarquia é um encontro de mulheres, é sobre minhas vivências e percepções”, conta Camila Pitanga (Foto; Gal Cipreste Marinelli)

Nesse reflexivo poema-cênico-musical-performático, a atriz é acompanhada pelo musicista Luiz Gayotto, e interpreta a agente de saúde Stela, uma mulher que é submetida a um constante estado de vigília, passa a ter delírios auditivos, reencontrando a própria mãe no fundo de suas memórias e dialogando com a filha, momento em que a narrativa da personagem atravessa e conecta-se às memórias da própria atriz. Idealizado por Pitanga e Lucia Gayotto, com texto de Dione Carlos e direção de Cristina Moura, o projetou nasce a partir das vivências de Camila, da situação do mundo contemporâneo e a pandemia e, claro, do encontro de suas criadoras. “É um encontro de mulheres, e é deste encontro ou sistema social liderado por mulheres, que esse trabalho surge”, frisa Pitanga.

“Matriarquia é uma voz universal”, diz Camila Pitanga (Fotos: Rodrigo Pinheiro e Gal Cipreste Marinelli)

Matriarquia terá sua primeira experiência pública. Camila e Lucia Gayotto, inicialmente, pensaram em encenar um texto já existente, mas durante a pandemia começaram a desenhar a obra atual. “Nós duas estudamos diversos textos juntas e, no dia 29 de maio de 2020, após assistirmos na televisão notícias com profissionais de saúde que travam a guerra contra a Covid-19, entendemos que a personagem principal seria uma agente de saúde. E, então, convidei a dramaturga Dione para uma leitura de seus textos”, revela Lucia. “Eu ainda não tinha vivido a experiência de ter um texto lido assim, pela internet, mas para a minha surpresa algo aconteceu naquele dia. Camila fez o texto dançar”, relembra Dione.

Revelando ainda que o roteiro foi uma construção coletiva, ela lembra: “Ensaiávamos de dentro de nossas casas, então é como se estivéssemos realmente visitando nossas intimidades. Camila já tinha o desejo de cantar e dançar em cena e eu sempre escrevo pensando no texto como uma partitura musical feito para ser cantado. Criei uma estrutura dramatúrgica pensando nos dramas negros, em que as narrativas são encenadas pelas ruas, de cidade em cidade, com cânticos e danças”.

Camila Pitanga fará a primeira apresentação de ‘Matriarquia em processo’ direto da sua casa (Fotos: Rodrigo Pinheiro e Gal Cipreste Marinelli)

A autora relembra que, no meio deste processo, em agosto de 2020, Camila teve malária e contato direto com outras agentes de saúde do Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Todas estas experiências foram assimiladas pelo trabalho. Cris Moura, nossa diretora, trouxe propostas valiosas para a encenação, fazendo com que eu voltasse ao texto e o ampliasse a partir de cenas já levantadas”.

Já a diretora Cristina Moura mergulhou fundo nessa pesquisa de linguagem para uma adaptação para o audiovisual, uma criação feita para este formato específico e lidando com o espaço que temos no momento. “Estou muito contente de poder explorar novos caminhos e uma nova linguagem, e não poderia estar melhor acompanhada, com Camila, a direção de fotografia da Clara Cavour”, resume Cristina. Para ela, o público irá desfrutar de uma experiência em que a palavra e o canto se traduzem, em perfeita simetria, em cena. “Camila é uma atriz que se propõe a um estado de brincadeira enquanto trata de temas muito pertinentes ao momento que vivemos”, elogia.

Logo após a apresentação, o super time de mulheres envolvidas em ‘Matriarquia em processo’, Dione Carlos, Cristina Moura, Camila Pitanga e Lucia Gayotto farão um bate papo com o público.