Moda & Beleza

Zero Grau Inverno 2017 – Diretor da Merkator, Frederico Pletsch, nome por trás da Feira de Calçados e Acessórios, em Gramado (RS), adianta as novidades para o setor no país

O setor calçadista, que é um dos maiores do Brasil, também está crescendo para além das nossas fronteiras. Depois de conquistar os compradores brasileiros, o Salão Internacional do Calçado e do Couro vai viajar. "A SICC 2017 vai ser fortemente internacionalizada. Agora, nós começamos a investir pesado na mídia estrangeira"

Publicado em 26/11/2016 | Por Heloisa Tolipan

“O bom da nossa feira é que mostra o produto do futuro e do presente”. A frase dita por Frederico Pletsch, diretor da Merkator Feiras e Eventos, é a tradução da proposta e a justificativa do sucesso da Zero Grau – Feira de Calçados e Acessórios. O evento, que foi realizado esta semana no Serra Park, em Gramado (RS), reuniu mais de 12 mil visitantes interessados nos lançamentos de 1.500 marcas de 300 expositores do setor calçadista brasileiro. A Zero Grau é uma realização da Merkator Feiras e Eventos em parceria com grandes – e poderosos – grupos do setor no país. São eles: Sindicato da Indústria de Calçados de Estância Velha, Sindicato da Indústria de Calçados de Ivoti, Sindicato da Indústria de Calçados de Igrejinha, Sindicato da Indústria de Calçados de Novo Hamburgo, Sindicato da Indústria de Calçados de Parobé, Sindicato da Indústria de Calçados de Sapiranga e Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas.

  1. Frederico Pletsch, diretor-geral da Merkator Feiras e Eventos, promotora da Zero Grau (Foto: Gramado (RS) - Henrique Fonseca)

    Frederico Pletsch, diretor-geral da Merkator Feiras e Eventos, promotora da Zero Grau (Foto: Gramado (RS) – Henrique Fonseca)

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Em Gramado, o diretor e responsável pela realização da feira que reúne as principais marcas do setor calçadista e de acessórios, Frederico Pletsch, comemorou o crescimento de 3% nesta 6ª edição. Em meio à crise econômica e a política que assombra o Brasil, o visionário fez questão de destacar as dificuldades enfrentadas pelos lojistas e compradores. “Foi um ano muito difícil para todos nós. A gente cresceu pouca coisa, mas para mim, isso já é muito. Em um cenário com tantas falências, nós conseguimos recuperar essas marcas que hoje estão aqui em Gramado lançando suas coleções. Nesse aspecto, está tudo excelente e maravilhoso”, analisou.

Entre as centenas de compradores de 40 países que foram à Zero Grau conhecer e comprar os lançamentos de Inverno 2017, Frederico apontou que nesta edição percebeu uma nova motivação. Apesar de, no primeiro momento parecer um problema, as temperaturas baixas e fora de época que atingiram parte do Brasil foram um ponto positivo para a feira do setor calçadista. Embora estejamos a menos de um mês do começo do verão, muitas cidades brasileiras ainda estão com baixas temperaturas. Por isso, Frederico Pletsch confessou que se surpreendeu com a alta demanda por botas e produtos de frio na última semana de novembro. “ Nesta edição, tem muito comprador que veio para a Serra Gaúcha por causa da primavera com temperaturas baixas. Então, o que se viu foi a venda de botas para consumo imediato, por exemplo”, argumentou o diretor que acrescentou sobre o papel importante da Zero Grau no contexto da moda de inverno. “Esta feira deu a largada nas coleções de Inverno 2017 e ditou o que será usado na estação mais fria. Do mesmo modo que as peças de Alto Verão também foram destaque. O mercado está assim. Eu preciso atender ao lojista do Sul e do Norte. Ou seja, por mais que agora estejamos lançando coleções de inverno, eu também preciso ter sandália para o comprador de um estado quente. Se eu quero ser uma feira nacional, eu preciso entender que tenho que atender aos lojistas de diferentes estados respeitando as culturas e os climas de cada um”, completou sobre o evento que lança coleções calçadistas e de acessórios para homens, mulheres e crianças.

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Não por acaso, a Zero Grau – Feira de Calçados e Acessórios está mais do que antenada às tendências imediatistas do cenário da moda. Assim como nas semanas de desfiles do Brasil e do mundo, o evento de Gramado também adotou o conceito do “see now, buy now” em algumas grifes expositoras. “Eu costumo dizer que essa moda já é um conceito antigo na feira. Então, terminou aquela hipocrisia de não poder dizer sobre a próxima estação para não descaracterizá-la. Isso é uma grande questão, porque hoje o mercado compra tudo. No entanto, nós não vamos abrir mão da nossa grande temporada, que é a de Inverno”, ressaltou Frederico Pletsch que também comentou sobre a escolha acertada da data para esta 6ª edição da Zero Grau. “ Nós consultamos e estamos sempre atentos à relação com os fabricantes e lojistas. Essa data que escolhemos é boa para a indústria, porque todos já sabem o que será tendência e destaque no Inverno e já podem se programar melhor”, analisou.

Apesar de comemorar o sucesso e o crescimento de mais uma edição da Zero Grau, o diretor da Merkator apontou ao site HT os fatores que dificultaram a produção e comercialização do setor nos últimos tempos. Para Frederico Pletsch, o panorama de crise do governo brasileiro e a ganância dos lojistas e dos empresários foram obstáculos que dificultaram um possível crescimento do ramo calçadista no Brasil. “A política é um assunto que eu nem gosto muito de discutir. Eu acho que tem que ser tudo deletado e começado do zero. Mas a ganância de quem participa deste processo é um fator importante. Existem momentos para analisar e entender o mercado para poder ver quando é necessário acelerar e quando é preciso frear. Eu vejo que os empresários só pensam em aumentar os lucros e as produções e isso pode gerar até falência, se a realidade não for compatível com a atual situação”, disse.

Outro ponto que Frederico analisou é a equivocada sensação de crescimento que alguns empresários possuem. Segundo o presidente da Merkator, alguns lojistas acreditam que o investimento em novas lojas significa um crescimento no número de clientes. Mas, para Frederico, isto representa apenas uma pulverização e divisão dos consumidores que antes se concentravam e um único estabelecimento. “Antes, só existia um ponto de vendas daquele produto. Por causa da ganância de querer estar presente em shoppings e outros bairros de uma região, o lojista acaba abrindo novos espaços e dividindo os clientes da primeira loja. A impressão pode até ser que as vendas aumentaram, mas, depois, é possível identificar uma divisão. Fora os custos extras que essas novas lojas demandam de um faturamento”, explicou.

Embora aponte a ganância como um fator complicador e prejudicial para o crescimento econômico, o presidente da Merkator afirmou que, quando usada de forma correta, a ambição pode ser uma importante arma para as empresas. “Eu acho que todos nós temos que ser esperançosos com o nosso trabalho. Mas, antes disso, de arriscarmos tudo pelo crescimento, precisamos analisar e ver até onde podemos e conseguimos chegar”, alertou.

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Assim como os dois lados da moeda implicam na saúde financeira de uma empresa ou projeto, o governo brasileiro também pode ter seu lado positivo. Apesar de ser, muitas vezes, a causa e a razão de tantos problemas para os empresários, os políticos tiveram sua responsabilidade em parte deste crescimento de 3% apontado por Frederico Pletsch. O HT explica: visando valorizar o produto nacional, o governo taxou as mercadorias da China que chegavam ao país. Desta forma, os compradores passaram a privilegiar a produção local, já que os preços não possuíam diferenças tão absurdas. “A proteção na taxação dos calçados chineses ajudou o mercado nacional, porque nós conseguimos concorrer com os produtos deles. Apesar dos modelos asiáticos serem mais baratos, os lojistas estão preferindo os produtos brasileiros porque estamos, cada vez mais, com uma moda melhor e mais bonita”, disse.

Com tantos fatores para o crescimento da Zero Grau – Feira de Calçados e Acessórios e das próprias grifes do setor, Frederico Pletsch foi um dos responsáveis pelo sucesso desta 6ª edição. Preocupado com um possível decréscimo no número de expositores no evento desta semana, o diretor da Merkator resolveu correr atrás das marcas por conta própria. “O negócio foi ir à luta e trabalhar. Então, eu mesmo fui a várias cidades conversar com fabricantes para apresentar a importância da feira de forma individual. Eu também dava uma assistência e um entusiasmo especial para mostrar que o mundo não ia quebrar. E isso rende muito mais”, contou Frederico que destacou a criatividade como excelente arma de sucesso em tempos de crise. “Nós estamos constantemente nos reinventado em novos tipos de feira e eventos”, analisou.

Prova desse empenho plural de Frederico Pletsch e seus parceiros é a internacionalização da SICC, o Salão Internacional do Couro e do Calçado. Com alguns novos projetos em vista, o visionário destacou a característica essencial de seus trabalhos como ferramenta de crescimento. “A SICC vai ser internacionalizada. Agora, nós começamos a investir pesado na mídia estrangeira. Então, para esse projeto de crescimento, nós queremos fazer tudo da mesma maneira de sempre: bem feito”, afirmou Frederico que também recebeu convite para levar a Zero Grau para Balneário Camboriú.

Outra novidade conquistada graças ao sucesso da Zero Grau – Feira de Calçados e Acessórios e SICC, o Salão Internacional do Couro e do Calçado é a versão quente de outra feira assinada pela Merkator. Em março, entre os dias 6 e 8, ocorre em Natal a 40 Graus. A versão é uma aposta de Frederico Pletsch para o Nordeste brasileiro. “Podem me dar tudo, mas eu não troco Natal. Lá, tem mais simplicidade, compradores de qualidade e compromisso”, sintetizou justificando a escolha pela capital do Rio Grande do Norte como sede de seu trabalho.

Exemplo de profissionalismo e dedicação, Frederico Pletsch afirmou que o segredo não está nos números alcançados. Por mais que sejam uma consequência extremamente importante, ainda mais em tempos de crise, o diretor da Merkator apontou a ideologia como ferramenta fundamental. “O que mais me motiva é o resultado. Eu sinto que agora o retorno está sendo positivo para todos. A minha filosofia profissional sempre foi essa e, agora, eu vejo que está dando muito certo. Eu nunca pensei em fazer uma feira para ganhar dinheiro. O meu objetivo inicial era distribuir esses crescimentos”, justificou.

Faltando um mês para o fim de 2016, que apesar do crescimento de 3% foi um ano difícil, como já apontou Frederico, ele aproveitou para contar suas expectativas para 2017. O diretor da Merkator Feiras e Eventos acredita que as possíveis transformações no cenário político do país poderá ser um elemento dificultador do crescimento econômico no setor. Por fim, para sintetizar as análises, projeções e argumentações de Frederico Pletsch sobre a Zero Grau, o novo projeto 40 Graus, a situação política e o setor de maneira geral, o site HT fez quatro breves questionamentos ao diretor da Merkator. Sobre o setor calçadista em 2016, Frederico respondeu que a situação começou a melhorar. Em relação à exportação brasileira, ele afirmou que estão bem melhores. Já sobre o sucesso da Zero Grau que, em duas edições por ano, atrai milhares de compradores de diversos países do mundo, o responsável pelo evento atribuiu à data, que reúne os lançamentos e que está fixada no calendário industrial, como as razões para a solidificação do projeto. Por fim, em relação ao novo evento que ocorrerá em março de 2017 em Natal, Frederico apontou que há diversos fatores que os envolvidos no projeto precisam aprender. Para ele: “É necessário catequizar os lojistas”.

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