Start ao Inova Moda Digital, parceria SENAI CETIQT + SEBRAE, teve palestra do investigador de futuros Tiago Mattos


Convidado para apresentar um panorama sobre inovação, tecnologia e visão de futuros durante o lançamento oficial do Projeto IMD e divulgação nacional do resultado das pesquisas de Macrotendências Outono-Inverno 22/23, o empreendedor, escritor e co-fundador da Aerolito, um ecossistema de alfabetização para futuros (futures literacy) – com a intenção de preparar a sociedade para construir melhores futuros, constituindo a habilidade de imaginar e entender o que vem pela frente e as possibilidades envolvidas -, Tiago Mattos tratou das quatro potências promotoras de Inovação e transformação em produção, compra e venda. O planeta está ficando cada vez mais digital e a pandemia ajudou a perceber algo que já estava evidente. “Um olhar mais tech para a moda revela que tudo o que puder ser digitalizado, automatizado, personalizado ou distribuído será. Essas mudanças, evidenciadas pela pandemia nos últimos dois anos, vêm como uma onda gigantesca”, pontua

O lançamento oficial do Projeto Inova Moda Digital (IMD), parceria entre  SENAI CETIQT e o SEBRAE Nacional para ações de consultoria a micro e pequenas empresas de moda e confecção e geração de conteúdo especializado para a indústria, propôs uma grande reflexão em tempos de mudança de mindset. O mundo mudou e a forma de produzir, vender e comprar também deu um salto gigantesco com players das indústrias e do varejo acelerando uma série de processos de inovação nesses dois anos de pandemia. E, a partir de um “olhar tech para a moda”, Tiago Mattos, empreendedor, escritor e co-fundador da Aerolito, ecossistema de alfabetização para futuros (futures literacy) – com a intenção de preparar a sociedade para construir melhores futuros, constituindo a habilidade de imaginar e entender o que vem pela frente e as possibilidades envolvidas – deu o start à sua participação como palestrante convidado afirmando que “o planeta está ficando cada vez mais digital e a pandemia ajudou a perceber algo que já estava evidente”.

Consultor do SENAI CETIQT  e gestor de Processos Inova Moda Digital, Bernardo Barbosa deu boas-vindas a Tiago Mattos. A palestra dele foi realizada de forma virtual, e, logo em seguida, lideranças do Projeto Inova Moda Digital, como Anny Santos, Coordenadora Nacional da Cadeia de Valor da Moda Sebrae Nacional, e Rodrigo Kurek, gerente do Instituto Senai de Tecnologia Têxtil e de Confecção do SENAI CETIQT, ressaltaram a importância da integração entre o CETIQT, o Sebrae e entre os colegas do SENAI para a viabilização dos trabalhos realizados. Um momento muito especial para todos envolvidos no Projeto, que segue apoiando e informando o empreendedor para aprimorar e construir negócios de valor. Foi um prazer também ver alegria da coordenadora de Moda e Design do Instituto SENAI de Tecnologia, Christina Rangel, head do Inova Moda Digital, da consultora do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção e head Moda Circular Inova Moda Digital, Angélica Coelho, e de Cléber Lima, do SENAI Pernambuco, responsável pela Inteligência de Produtos do IMD, antes da apresentação dos resultados das pesquisas realizadas sobre as Macrotendências para o Outono Inverno 2023 e que vai merecer uma análise profunda aqui, no site, para você, leitor.

Lançamento oficial do projeto Inova Moda Digital, parceria entre o SENAI CETIQT e o SEBRAE NACIONAL: ações e informações de moda (Foto: Reprodução/Instagram IMD)

OS FUTUROS E AS POTÊNCIAS DOS PROCESSOS DE INOVAÇÃO

Em 2020, a UNESCO lançava seus holofotes para o evento global de Alfabetização de Futuros, o Futures Literacy Summit, encontro com instituições de ensino, empresas, ONGs e governos para dialogar e apresentar ações relacionadas ao desenvolvimento do pensamento e aplicações de estudos de futuros no mundo, habilidades para as pessoas compreenderem melhor e terem inspirações inovadoras para planejar o amanhã. A pandemia acendeu um sinal de alerta para a imensa necessidade desta capacitação, proporcionando tomadas de decisões disruptivas que possam “preparar a sociedade para construir melhores futuros. Sim, no plural, porque o futuro é o plural”, sinaliza Tiago Mattos.

Tiago Mattos, empreendedor, autor, fundador do Aerolito e investigador de futuros (Foto: Reprodução/Instagram)

O investigador de futuros levantou a questão de que nem tudo que está na internet é digital – e nem tudo que é digital está, obrigatoriamente, na internet. “Digital é um fenômeno cultural, organizacional, econômico, social, tecnológico que sempre conta com quatro forças dominantes, que são como tsunamis. Podemos gostar, não gostar, concordar ou não, estudar ou não, aplicar ou não no nosso negócio – elas vêm como uma onda gigantesca arrastando tudo. Se estamos mais preparados, a dor costuma ser menor”, resume.

Mas que forças seriam essas? De acordo com o empreendedor, tudo o que puder ser digitalizado, automatizado, personalizado e distribuído será. Não há como escapar. Ele dá exemplos que tornam fácil a compreensão desses conceitos, sempre associando um case “fora do universo da moda” às empresas do ramo da moda que já vislumbram as inúmeras oportunidades oferecidas pelos novos modelos de se fazer negócios.

No caso da digitalização, Tiago começa comentando o exemplo da Tempo Studio Home Gym. Trata-se de uma espécie academia portátil para se fazer exercícios em casa: as instruções são dadas por personal trainers que acompanham os movimentos de seus alunos à distância, por um telão, e verificam se estão se exercitando corretamente onde quer que estejam, fazendo aula juntos, embora separados fisicamente. Isso se deve à alma da academia doméstica: o aparelho que escaneia o corpo do aluno e envia as imagens para o treinador que pode, assim, corrigir posturas e movimentos errados. Em casa, o pupilo recebe uma tela de 42 polegadas para acompanhar o coach, pesos e um tapete de ginástica (no pacote básico).

O paralelo de um case de digitalização extremamente bem-sucedida quando se trata de moda é a grife MTailor, que desenvolveu um app para celular capaz de tirar as medidas corporais dos clientes e produzir roupas com o caimento correto. “É um dos lugares onde eu faço compras. Lá, diferentemente da maior parte das grandes marcas, é possível personalizar as roupas. Dá para entrar no e-commerce e escolher uma camisa com tal gola, tal manga, tal botão e assim por diante. Para comprar, é só deixar o celular num canto, apertar o botão ‘Escanear’ e girar na frente do aparelho, que escaneia seu corpo e gera um modelo em 3D. Essa modelagem é enviada para quem vai produzir a roupa, feita sob medida. Não tem tamanho P, M, G, GG. É tudo T de Tiago, M de Maria, J de João etc”, conta o palestrante.

No entanto, ele ressalta que a maioria das micro e pequenas empresas de moda não têm condições para usar essa tecnologia. “Pois, então, já surgiram empresas para suprir essa carência. Um bom exemplo é a Zozosuit, que criou um traje de lycra com marcadores que permitem que o celular escaneie, com sua câmera, o corpo dos clientes. Ela pode ser parceira da sua marca. Por exemplo, sempre que alguém quiser comprar uma roupa da sua grife, basta enviar esse suit de lycra. A pessoa tira as medidas e, a partir daí, tudo o que ela comprar com você será adequado. Eles também já têm para os pés e para óculos. Tudo que puder ser digitalizado na moda será. Isso irá até o limite, não será sutil. Vamos digitalizar tudo que der para ser digitalizado”, destaca Tiago Mattos.

PARA LEMBRAR OS CAMINHOS DA INDÚSTRIA 4.0 NO BRASIL

Eu tenho pontuado, aqui, no site, que a Quarta Revolução Industrial já é uma realidade em nosso país e grandes profissionais já estão sendo capazes de elaborar projetos de implantação da Confecção 4.0, gerando processos industriais mais eficientes, produtivos e sustentáveis. Cada vez vemos mais ações para implantação de práticas como tecnologias para automação, análise de dados, redução de custos, controle e customização operacional, utilização de processos de fabricação e matérias-primas que regeneram a natureza + uso consciente de recursos, ressignificando a produção. O SENAI CETIQT  – maior centro latino-americano de produção de conhecimento aplicado à cadeia produtiva têxtil, de confecção e química, e referência em tecnologia, consultoria e formação de profissionais qualificados para a Quarta Revolução Industrial – promoveu, por exemplo, em setembro passado, a aula inaugural de mais um bem-sucedido MBI em Indústria Avançada em Confecção 4.0.

A turma integrou o Projeto de Atuação em Rede das Pós-Graduações, impulsionada pelo SENAI Departamento Nacional, e tem como objetivo proporcionar o alinhamento e escalabilidade dos atendimentos em âmbito nacional, além de ampliar e viabilizar a oferta de cursos de pós-graduação à distância, fortalecendo a marca SENAI. O SENAI CETIQT contou com o apoio para captação dos alunos do SENAI do Ceará, Rio Grande do Sul, Piauí, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Goiás e matriculou 4 alunos do SENAI de Alagoas, Pará, Paraíba e Minas Gerais.

O SENAI CETIQT foi a primeira organização na América Latina a planejar e construir uma planta de confecção adotando conceitos da Indústria 4.0 ou Manufatura Avançada. A planta utiliza diversos componentes tecnológicos, servindo de inspiração para as indústrias nacionais na busca pela inovação e competitividade. Exemplos disso são a personalização em massa, a realidade virtual e o processo de estoque zero. Essa Planta de Confecção 4.0 foi lançada em 2017 durante o 33° IAF – International Apparel Federation, maior e mais respeitado congresso de moda do mundo.

E PROSSEGUIMOS PARA A SEGUNDA FORÇA DOMINANTE

A automatização, a segunda força dominante, seguindo Tiago Mattos, também mereceu um paralelo entre dois universos – no caso, o smart watch Healbe GoBe, que tem a funcionalidade do cálculo automático de ingestão calórica, e a Inteligência Artificial do Dall.E para a criação de peças automaticamente. No caso do relógio, basta “vestir” o aparelho no pulso e ele “diz” quantas calorias você consumiu e gastou e em que momentos do dia:

“Quando vi isso pela primeira vez achei que era golpe. Assisti ao vídeo explicativo que dizia que a insulina ajuda a glicose a entrar em nossas células. O GoBe2 estima a dinâmica do fluido extracelular que está associado à ingestão de glicose e usa essa informação para calcular as calorias recebidas. Comprei o relógio e percebi que funciona. Pelo menos alguma precisão ele tem. Gosto de lembrar da frase de Einstein: ‘Infelizmente, muita gente gosta de ver o que é, não o que pode ser’”.

Se fizermos uma sincronia com a moda, Tiago citou o Dall.E, nome de um instrumento que faz um jogo de palavras com o robozinho da Pixar, o Wall.E, e Dali, de Salvador Dali. Trata-se de uma Inteligência Artificial da OpenAI que transforma textos em imagens. “Se você escreve, por exemplo, ‘Quero um Pikachu usando um chapéu de mago empunhando um sabre de luz azul’, ele gera uma série de imagens automaticamente. Isso, porém, não serve para nada no dia a dia”, observa o investigador de futuros. “Mas se eu disser: ‘Quero um manequim masculino vestindo uma camisa de flanela laranja e um jeans preto’, ele simplesmente gera uma proposta de coleção”, exemplifica.

Tiago Mattos faz questão de deixar bem claro que a automatização via Inteligência Artificial não substituirá os designers por robôs nem os deixará sem função: “Existe um fenômeno chamado Artificial Narrow Intelligence (em tradução livre, Inteligência Artificial de Calibre Restrito, de Calibre Curto). As Inteligências Artificiais costumam ser muito boas para fazer uma coisa só. A IA que é muito sagaz para jogar xadrez não brilha na conversação nem em design generativo, como é esse caso da camisa de flanela laranja. E a que faz design generativo não joga bem o xadrez. O designer de moda tem uma série de atribuições no dia a dia. A IA não vai roubar empregos, mas essa automatização vai transformar a forma como trabalhamos. Tudo que puder ser automatizado será”, reforça mais uma vez.

Não é porque a tecnologia de ponta está em alta que os produtos deixarão de ser personalizados. A personalização, terceira força dominante, vai se fazer cada vez mais presente: é a regra. Para entendermos melhor o conceito, nosso palestrante cita o exemplo do Whisk, um software de recomendação de receitas adquirido pela Samsung em 2019. Funciona assim: uma geladeira tem câmeras que reconhecem os alimentos, a quantidade de cada um deles e, muitas vezes, suas datas de validade. O Whisk recomenda receitas baseadas no que você tem e na quantidade desses alimentos, sugerindo, também, o que fazer com alimentos cuja data de validade está para expirar. Além de evitar desperdícios, essa tecnologia permite armazenar suas receitas preferidas e escolher seus pratos de acordo com a sazonalidade dos produtos, a temperatura ambiente etc. Mais personalizado impossível.

“Em termos de moda, a MTailor e a Zozosuit já são ótimos exemplos de personalização. Mas há um case ainda mais curioso, vindo do metaverso: o The Fabricant Studio, um dos pioneiros do mundo digital que se propõe a ser a fábrica que vai “alimentar” nosso guarda-roupas no metaverso. A roupa não é apenas uma expressão artística, de personalidade; ela tem propriedades físicas como flexibilidade, resistência, tecido mais quente ou mais frio. No ambiente digital, porém, isso não existe. Para jogar não importa se estamos usando tênis de corrida ou salto alto, vamos correr na mesma velocidade”, observa Tiago Mattos. “Muitas marcas que estão indo para o metaverso acreditam que transferir as características tangíveis para o digital as garante como algo de valor. Não é verdade. É preciso ressignificar o que é moda no metaverso. The Fabricant Studio é uma plataforma onde não só se produzem roupas digitais como se pode vendê-las. Ou transformá-las em num NFTs (Non Fungible Tokens), vender na própria plataforma e se remunerar. Afinal, tudo que puder ser personalizado será”.

A quarta e última força dominante diz respeito à distribuição. Não, não se trata de apenas de entregar nas casas dos clientes: agora são eles que adquirem ou mesmo fabricam os produtos sem sair de suas residências: “Quando algo chega a 100% de descentralização não é mais descentralizado, é ‘distribuído’”. O supermercado é um exemplo perfeito de centralização, pois reúne tudo de que precisamos para sobreviver no dia a dia num único lugar. A lógica digital distribui, descentraliza: “Um dos exemplos é o Robomart, um carro autônomo que você chama como um uber, ele para na sua casa, você aperta um botão e ele abre as portas. Você pega o que compraria num supermercado e ele cobra. Quando termina a compra, ele se fecha e vai atender a outra pessoa. Se esse carro vende tomate, sabão em pó, produto farmacêutico, ele vai vender moda? Vai. Essa é uma transformação que também impacta o varejo de moda”, constata Tiago.

Há um case ainda mais impactante e que reúne as quatro forças dominantes de que nos fala o palestrante. É o caso da Perso, mini fábrica de maquiagem criada pela L’Oréal. “O modelo atual diz: ‘há anos fazemos maquiagem. Fazemos pesquisas de campo, captamos tendências e produzimos numa planta central. Mandamos para os pontos de venda e as pessoas compram o que decidimos vender’”, lembra Tiago Mattos. “Pelo jeito novo, eu mando a mini fábrica de maquiagem para a sua casa, onde ela digitaliza o ‘ambiente’ (formato de rosto, penteado, roupa, umidade, tom de pele etc). Como é personalizada, ela conversa com o tipo de roupa, o formato do olho, do nariz, da boca. O Perso digitaliza o ambiente; automatiza a produção (não é artesanal, é automatizada); personaliza a maquiagem; e distribui a produção, que não está mais centralizada, está na casa da pessoa”.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tiago Mattos considera que o conhecimento e o entendimento das forças que dominam o mercado pode ajudar – e muito – o empresário de moda a compreender os caminhos que pode tomar para que seus negócios deem cada vez mais certo. “Teremos cada vez mais uma moda digitalizada, personalizada, automatizada e distribuída. Quanto antes mergulharmos nesse mundo, melhor”.

O palestrante também separou e comentou três frases que o inspiram a pensar em futuros com mais clareza e assertividade:

“O jeito como você imagina o futuro muda suas ações no tempo presente. Portanto, não é apenas o presente que constrói o futuro. O futuro também constrói o presente”

(Thomas Frey, “Communications with the Future”)

“Somos ensinados a pensar que o presente alimenta o futuro: o que eu planto hoje colho amanhã. Não está errado, isso acontece de fato. Só se esqueceram de contar a segunda parte, que o jeito como eu penso o amanhã constrói o hoje. Se eu acho que amanhã vai ter uma crise, hoje eu junto dinheiro. Se acho que amanhã estarei doente, hoje me cuido melhor. Assim como o presente está lapidando o futuro, nesse exato momento e, ao mesmo tempo, a minha ideia de futuro está lapidando o meu presente. Esses dois tempos são indissociáveis. Eles sempre caminham juntos. Precisamos nos perguntar que futuros estamos imaginando, pois são eles que estão regendo o meu presente”.

“Nunca se deixe limitar pela imaginação limitada das outras pessoas”

(Dra. Mae Jemison, astronauta)

“A pessoa só é livre de verdade se é livre na cabeça, na imaginação. Se consegue ver o que os sentidos não captam. Levar à mente o que os sentidos captam, qualquer um faz. Levar à mente algo que os sentidos não captam é privilégio só das pessoas livres. Se você é livre mentalmente e consegue imaginar esses futuros, e as pessoas ao seu redor são concretas e não conseguem, é natural que elas tentem dragá-lo para essa concretude do presente. Meu conselho é não desistir. É resistir e inspirar essas pessoas a enxergar o que você está enxergando”.

“Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não souberem ler ou escrever, mas aqueles que não souberem aprender, desaprender e reaprender”

(Alvin Toffler, escritor e futurista estadunidense)

“Aprender” é “a-prender”, não prender, des-prender, des-apegar. A parte que esquecemos do aprendizado é o desapegar. Nos ensinam que aprender é se colocar em contato com o novo. Não é isso. Aprender é conseguir desapegar do velho. Num mundo digital cheio de referências, palestras, lives, livros, e-books, podcasts é muito fácil estar em contato com o novo. Difícil é conseguir abrir mão do velho. Difícil é ter sabedoria para abrir mão do velho, pois só consigo ter espaço para o novo abrindo mão do velho”.