Moda & Beleza

SPFW N45 – História de imigrantes, cigana jetsetter, sustentabilidade e Hello Kitty. #Day2 da semana de moda paulistana reune tendências que já estão nas ruas

Enquanto Oskar Metsavaht focou na sustentabilidade na nova coleção da Osklen, Raquel Davidowicz resolveu contar a história de imigrantes na passarela da São Paulo Fashion Week

Publicado em 24/04/2018 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

O segundo dia de desfiles da São Paulo Fashion Week levou, além de roupas, causas à passarela. Enquanto Oskar Metsavaht discutiu a sustentabilidade por meio de sua coleção, Raquel Davidowicz falou da questão dos imigrantes e refugiados em um desfile no Museu da Imigração, com direito a Emma Kathleen Ferrer, neta de Audrey Hepburn, na fila A. Vale destacar que Emma luta junto à causa dos refugiados dentro da ONU.

UMA Raquel Davidowicz:

Não foi à toa que a estilista Raquel Davidowicz levou seus convidados ao Museu da Imigração, na Mooca, para falar sobre origem e o estrangeiro. A UMA abriu os desfiles dessa segunda-feira, 23, contando a história de pessoas que buscam outros países para continuar suas vidas e, logo na entrada do backstage, o que vimos foi um casting com modelos vindas de diversos países pelo mundo. Alemanha, Polônia, Angola, África do Sul, Itália, Japão, Brasil e outros se uniram na passarela, que contou com peças utilitárias, confortáveis e práticas, como não poderia deixar de ser. Looks alongados, peças sobrepostas, cintos, pochetes, mochilas transpassadas e bolsas completaram o mood “nômade” do inverno da marca. Cachecóis foram usados tanto na cabeça, como lenços, como na cintura, marcando silhuetas. A assimetria foi explorada através de dobras, emendas e barras inacabadas e o mix de materiais deu o tom de despojamento. “A inspiração foi na origem das pessoas, essa coisa multicultural que o nosso país tem. Minha ideia era trazer e mostrar a diversidade na passarela”, disse Raquel.

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Nylon, seda, peles sintéticas, crepe, acetato, algodão, plissado irregular e lãs feltradas foram alguns dos tecidos escolhidos. Cores como chumbo, trigo, azul, off white e preto compuseram a cartela da coleção, que teve muitas saias longas esportivas, maxi camisas, cardigans assimétricos, tricô, jaquetas acolchoadas e patchwork. Nos pés, botas de couro e neoprene com salto chanfrado, estilo anatômica e coturno com solado de borracha.

A beleza foi assinada com produtos Natura e conectada com o tema da coleção. A ideia foi respeitar o máximo possível os rostos de cada modelo, com sombra esfumada em tons de rosa e blush que lembra queimado de sol.

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Osklen:
Sustentabilidade foi o mote da coleção de Oskar Metsavaht, que escolheu o termo “Asap” (as sustainable as possible) como palavra de ordem da estação. Pela primeira vez em sua história, a marca decidiu usar materiais e tecnologias recicláveis em sua linha de produção e mostrou preocupação com o impacto real de seu trabalho com esse tipo de material. Tecidos eco, por exemplo, recriam o efeito pluma com direito à franjas. Tops estruturados e minimalistas feitos de pirarucu e superpochetes – incluindo uma brilhosa, que contrastou com a cartela sóbria de verdes e azuis – refletiram a identidade da marca. A mulher desencanada com ar grunge e a chic minimalista se uniram na passarela através do interesse em comum pela sustentabilidade. “Acho que o diferencial é o estilo do nosso design. Em segundo lugar, o bom conforto e, em terceiro, a sustentabilidade”.

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A beleza ficou por conta de Amanda Schön, que apostou em peles saudáveis e leves, ressaltando a naturalidade de cada uma das modelos do casting.”Em vez de trabalhar nas correções, optei por fazer um tratamento de pele que fosse melhor para cada uma. Por exemplo, as meninas que tinham os poros mais abertos receberam máscaras de argila”, entregou ela, que, nos cabelos, optou por uma “beleza sem espelho”, como se cada menina tivesse prendido sem prestar atenção. “É sem a pretensão de estar bem arrumado ou não”.

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Samuel Cirnansck:
“Fazer vestidos bonitos é fácil, porém criar uma coleção deles não”, disse Samuel Cirnansck, que optou por uma linguagem ateliê em seus vestidos bordados com riqueza. A seda foi explorada em diversas formas: georgette, organza e cetim. A Hello Kitty, ícone mundial de meninas e mulheres de todas as idades, serviu de inspiração para a estamparia e trouxe um perfume leve e jovial ao clima de festa glamurosa da marca. De camisa a vestidos de gala: a festa de Samuel Cirnansck foi para todas as mulheres. “A inspiração é festa, ateliê, debutantes, madrinhas… a Hello Kitty veio trazer o urbano, a mulher mais balada, noturna. Minha Hello Kitty é mais adulta, feminina, mas também tem o mundo doce, bem candy”, disse ele, que optou por tons de vermelho, dourado, off-white, rosa e azul.

Pensa que acabou? Pois, nessa temporada, Samuel embarcou em um novo desafio: ele assina, ao lado da Petit Cherie, uma linha exclusiva para o público infantil. Os vestidos e peças são inspirados em contos de fadas.

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lagens românticas, acinturadas, saias amplas, tecidos nobres e recorde ousado, mas sem perder o mood infantil.

A beleza, assinada por Celso Kamura, teve tons de rosa, vermelho e nude. “Quis trazer esse personagem, com cabelos presos em uma banana e, na parte superior, demos um leve volume para parecer um pouco as orelhinhas da personagem. Na maquiagem usamos o rosa como cor principal, em cima de uma pele supernatural”, explicou. Além disso, muitos cílios postiços, principalmente nos cantos dos olhos, e bocas surgiram ora apagadas, ora vermelhas.

João Pimenta:
Muitas cores tomaram a passarela do estilista, que investiu no universo do surf como ponto de partida para seu inverno 2018. O estilista, aliás, tem um novo desafio nessa temporada: apresentar, além do desfile masculino, o feminino, que fecha o line-up na próxima quinta-feira. “Essa coleção quis fazer um menino um pouco mais menino. Como agora são duas coleções, achei coerente trazer um menino sem muitas interferências femininas, pensamos no surfwear de inverno. Sempre faço coleções masculinas olhando para o meu universo, minhas histórias, e, dessa vez, quis focar no desejo coletivo. Todo mundo está falando de xadrez, utilitário, workwear e eu trouxe esses elementos, mas para dentro do meu universo”, explicou. “Aqui estou tentando deixar o mais real, dentro do desejo das pessoas, e na coleção feminina estou trazendo uma mulher extremamente sofisticada, com alfaiataria, mas meu tema é a mulher da roça, a mulher que usa botina, tem essas referências. É a valorização da zona rura, que eu acredito que vá ser o futuro”, disse ele, que, para a coleção masculina, trouxe neoprene, t-shirts, oversized, calças com barras abertas e casacos com estilo tapeçaria. Nylon, tecidos de alfaiataria e tricô compuseram um mesmo look. Tons terrosos – bege, caqui, laranja, amarelo, vinho e marrom – esquentaram o inverno da marca.

“Acho que o destino da moda brasileira é realmente assumirmos quem a gente é, só aí vamos construir a moda verdadeira. Temos que trabalhar a autoestima para entender que somos capazes de fazer a melhor moda do mundo. Com tudo que aconteceu na economia teve um filtro maior, as pessoas estão mais autênticas”, analisou ele, que comemorou a compra de parte do evento pela IMM. “Essa internacionalização é tudo de bom. Temos que quebrar as barreiras, sair desse nosso lugar comum”.

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PatBo:
O inverno 2018 de Patrícia Bonaldi foi inspirado em uma mulher livre e de alma cigana, que gira o mundo a procura de inspiração e absorve influências dos lugares por onde passa. A vida jetsetter e o clima gipsy resultaram em uma mistura sofisticada de xadrez, flores, rendas, bordados, lurex, muito brilho e alfaiataria chic. Sobreposições e mix de estampas imprimiram ousadia e personalidade em uma coleção cheia de parkas, bombers, vestidos longos, moletons, tricô e muito mais. “Essa coleção é sobre uma menina viajante, nômade, que está sempre mudando e se formando a partir do que gosta. Essa coleção traduz a menina PatBo em um momento mais maduro, com essa mistura de tudo de forma descontraída. É mais pé no chão e menos salto, para quem tem que viajar muito mas sem perder a essência”, explicou. Os sapatos, aliás, vieram em formas geométricas e modernas, fruto da parceria com a Manolita e trouxeram variações de cores em off-white, camelo, bordô, outo e preto.

“Acho que essa coleção tem muito a ver com o momento que eu estou vivendo, conhecendo muita coisa, vivendo, esse é o meu momento”, sintetizou ela, que trabalha na internacionalização da marca e já está presente com sua PatBo em mais de 20 países. “Essa semana aconteceu um fato superlegal que foi a instalação que a Saks fez na quinta avenida, em Nova York, para PatBo. Foi um andar inteiro da marca em um evento todo em torno da brasilidade. Está tendo muita aceitação a marca fora, principalmente nos Estados Unidos”, contou.

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Lilly Sarti:
Babados em tecidos fluídos como seda pura foram o resultado da inspiração de Lilly Sarti na brisa latina, que trouxe todo o frescor de ritmos e cores à passarela. Algodão reciclado, chamois, couro, crepe, jacquard de seda, jeans, lamê e renda compuseram os tecidos da coleção, que misturou tons terrosos à azul, lilás, rosa, laranja e off-white – que garantiram o tom boho da marca de forma superfeminina e despretensiosa. Jaquetas, blusas e vestidos com ombros marcados tiveram destaque em modelagens clássicas e cintos foram usados para marcar a silhueta.  Os shapes são leves e, ora mais alinhados ao corpo, ora soltos, trouxeram a fluidez que pede a estação.

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