Moda & Beleza

SPFW Inverno 16 #day 3: enquanto a Ellus leva o parkour e Karol Conká para a Bienal, João Pimenta flerta com a feminilidade em sua alfaiataria

A maratona fashion contou ainda com a viagem de Vitorino Campos ao espaço sideral, o mergulho na sétima arte da Iódice, o art decó nos belos tricôs da GIG Couture, e a viagem ao universo dos vickings de PatBo

Publicado em 21/10/2015 | Por Heloisa Tolipan

HT, que há 20 anos acompanha in loco a maior maratona fashion da América do Sul, contatou neste terceiro dia da São Paulo Fashion Week que, cada vez mais, os estilistas brasileiros se reinventam para não deixar de levar seus sonhos para a passarela, e, ao mesmo tempo, apresentar uma moda que possa ser consumida imediante em tempos de velocidade extrema de informação. O estilista Vitorino Campos fez uma viagem pelo espaço e embarcou rumo ao recém descoberto, pelos astrônomos, planeta cor de rosa. Já Valdemar Iódice, mergulhou na sétima arte e fez um revival do filme “Morte em Veneza” com uma pegada de contemporaneidade. A GIG Couture reforçou, com seus tricôs, o potencial do nosso país em imprimir uma chancela de artesanato de luxo. Ainda nesta terça-feira, João Pimenta provou por a+b que sua alfaiataria de primeira não dá o braço ao sexismo na moda. Patricia Bonaldi, a darling das celebs, entregou uma coleção repleta de elementos rústicos inspirados nos povos nômades. Encerrando o dia, a Ellus trouxe as ruas para a catwalk, com skatistas e praticantes de parkour dando o tom de uma proposta jovem e urbana.

Vitorino Campos

Se tem algo no jornalismo que proporciona grande prazer para quem vivencia o mundo da moda é poder acompanhar o crescer de um estilista. E foi o que aconteceu com Vitorino Campos, que hoje está no ápice de sua carreira. E ele pode viajar. Tanto em suas criações como em suas convicções. A coleção desfilada hoje, terça-feira, teve como inspiração seus estudos sobre espaço sideral, a vida em outros planetas, o filme “Interstellar”, de Christopher Nolan, e o tal GJ 504b, o planeta cor-de-rosa descoberto pelos astrônomos em 2013. “Se pudéssemos viajar para esse planeta, veríamos um mundo ainda brilhando com o calor de sua formação, com uma cor que lembra flores de cerejeira, um magenta escuro”, comentou Michael McElwain, pesquisador do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa, em Maryland, Estados Unidos, que participou da descoberta. Pois esse caldeirão de estudos científicos culminaram em looks que brincam com a força da gravidade. Tudo com um handmade que sempre foi chancela do estilista. Para vocês terem uma ideia o universo foi parar em vestidos bordados com 18 mil cristais Swarovski. E é claro que não podiam faltar referências aos uniformes dos astronautas. Como Vitorino enfatizou os comprimentos das peças seguem a linha do tornozelo ou em propostas curtas em minissaias e vestidos. Há recortes e detalhes em couro e as formas são desproporcionais com mangas compridas; uma releitura do uniforme espacial. A gente precisa ressaltar ainda um ponto crucial sobre o futuro profissional do estilista: ele apresentou dois looks masculinos, sinalizando que os ventos sopram em uma pluralidade. E mais: amigo de fé da modelo Chris Hermann ele incluiu nos modelos os óculos que a top criou em parceria com a Chilli Beans.

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Iódice

Valdemar Iódice que esteve no Rio, semana passada, e participou do Elle Fashion Preview, desfile histórico realizado na pista de pouso do Aeroporto Santos Dumont, já tinha sinalizado como será o seu Inverno 2016. O empresário e diretor criativo da marca, que há três anos convocou a estilista Simone Nunes para assinar o estilo, uniu cinema e moda em um clássico:  “Morte em Veneza”, de Luchino Visconti, com uma ode à cultura libertadora da Belle Époque. Mas, como na moda tudo é possível, a viagem à sétima arte se mescla também com a música e há uma simbiose com perfume do movimento grunge – aí entram até as botas em couro matelassê  em três cores. Rendas, babados, seda… e, de repente, uma atitude mais forte com calças amplas, tramas de couro, tricôs artesanais e bordados com cristais. Isso é o bacana da moda: a democracia sob todos os pontos de vista e o poder brincar e sonhar nas criações.

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GIG Couture

A marca sabe fazer bonito quando o assunto é tricô. E Gina Guerra tem a certeza de que o seu feito à mão é a consagração do que o país tem de diferencial e como cartão-postal ou megafone, digamos assim. Ela levou para a passarela um Inverno que compradores internacionais certamente ficarão de olho. Desde as estampas de abacaxi com todo o toque de made in Brasil até uma pegada mais urbana, minimalista. Se o nosso Verão 2016 será o revival dos anos 70, a gente pode dizer que o Inverno vai beber na fonte dos 90. E como é gostoso ver esse passeio pelo túnel do tempo em várias releituras. Precisamos ressaltar que a GIG, assim como Vitorino Campos, também apresentou looks masculinos pela primeira vez na São Paulo Fashion Week.

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João Pimenta

Que delícia ver o styling do desfile de João Pimenta assinado pelo mestre Paulo Martinez, que simplesmente arrasou há duas semanas no Minas Trend com um desfile de abertura síntese do que viríamos durante toda a semana de moda realizada em Belo Horizonte com primor. Os mineiros sabem fazer uma moda que deixa a turma fashionista de queixo caído de tanta perfeição. Mas, vamos voltar às criações do Inverno 2016 de João Pimenta. A alfaiataria é perfeita e ganhou um ar retrô. No backstage, ele nos contou que usou tecidos vintage da Paramount e os paletós beiravam a perfeição nos remetendo ao passado dos lordes ingleses. Tinha paletó com babado na lapela, com imagem de Nossa Senhora Aparecida, flores, tudo conjugando com seu fio condutor conceitual que flerta com o guarda-roupa feminino. A gente amou também as botas e os sapatos que a West Coast lançou, todos em couro, com fechamento em velcro. Em tempo: o mais perfeito de tudo é que a alfaiataria pensada por João Pimenta consegue perfeitamente estar adequada tanto aos dias de altas temperaturas como o frio do Inverno no Sul do país.

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PatBo

Patrícia Bonaldi é adorada pelas celebrities. Ivete Sangalo convidou a estilista mineira para criar um vestido exclusivo e orçado em R$ 15 mil para fazer bonito no Rock in Rio 2015. A peça era toda bordada à mão e ostentava 2.000 pedras e cristais Swarovski. Foram dois meses para a confecção. Sua pegada é a roupa para as festas. Em várias conversas com a estilista, ela nos revelou o segredo do seu sucesso: “Caminho natural de um apuro que tenho com o meu trabalho, com o acabamento, essas coisas tão fundamentais. No dia a dia, quase uma mania de quem tem TOC. Minha moda tem semelhança com o trabalho dos arquitetos no sentido de elaborar espaços, superfícies que depois serão adornadas pelos revestimentos e acabamentos. Nessa hora, a estilista dá vez à decoradora e é quando trabalho os bordados e aplicações. Por isso mesmo, a profissional mais importante na minha equipe é minha modelista”. Patrícia pensa grande e sonha em vestir Angelina Jolie. Na passarela da SPFW, com uma plateia repleta de famosos, incluindo Sabrina Sato, que arrasou no look, a inspiração da estilista foi o universo viking. Explorou os bordados, as cordas trançadas e as franjas. Siimm. As franjas continuam em alta no Inverno 2016.

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Ellus

Em 43 anos de história, a Ellus, nas mãos de Adriana Bozon e Rodolfo Souza, tinha um objetivo nessa São Paulo Fashion Week: surgir mais jovem do que nunca. E a dupla não estava para brincadeira. Enfileirou skatistas riscando a passarela, enquanto praticantes de parkour (arte de se movimentar em obstáculos urbanos usando o próprio corpo) saltavam de blocos posicionados no Espaço Niemeyer . Entre escaldas, derrapadas e pulos, a turma adubou o terreno para as modelos conectarem o DNA moderno da Ellus com uma pegada sportwear na coleção “#EllusSportDLX”. O motivo de perfumar o inverno com estilo esportivo? “É uma resposta à essa fenômeno cada vez mais presente no streetwear, que é essência da marca. Sempre estamos olhando o que acontece no mundo”, explicou Bozon.

Vestindo homens e mulheres que saracoteiam por grandes metrópoles, a grife quer conforto na estação mais fria do ano. Como? Usando e abusando de malhas, neoprene, náilon, veludo de seda e tecidos de alfaitaria. Tudo para o jovem que precisa de flexibilidade para dar conta de um dia sem fim. E não só: elásticos e acabamentos emborrachados corroboram a ideia de que as ruas ditam o norte fashion. Na cartela de cores, o P&B predominou e, quando abriu espaço, foi para tons primários. O apelo comercial falou mais alto quando a logomarca da grife voltou a ter o seu lugar ao Sol. As bermudas acima dos joelhos, as hot pants e os tops são um aviso: se o inverno 2016 será assim, o verão 2017 chamará pelas ruas ainda mais.

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Ao final do desfile da Ellus, a rapper curitibana Karol Conká surgiu com seus cabelos cor de rosa, cantou duas faixas do álbum “Batuk Freak”, lançado em 2013, além do sucesso “Tombei”, sua parceria com Tropkillaz.

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