Moda & Beleza

Semana de Moda de Paris: do surfe grunge da Saint Laurent, ao safári sensual da Balmain e à inspiração na arquitetura brasileira da Balenciaga

E mais: a coleção clean da Maison Margiela, a inspiração automobilística de Alexander Wang e o couro fino da Louis Vuitton

Publicado em 01/07/2015 | Por João Ker

Vida de fashionista é assim: não dá tempo para respirar, e já começa uma nova Semana de Moda, seja resort, ready-to-wear ou alta costura, como a que terá início em Paris a partir do próximo domingo (5/7). Mas, antes de conferir todo o trabalho milimetricamente pensado dos europeus, HT faz um revival do que rolou de melhor ali mesmo na Cidade Luz, mas nas coleções masculinas que foram apresentadas para a Primavera/Verão 2016.

Por lá, a temporada mais quente do próximo ano promete trazer inspirações que vão do surf e do grunge – obra de Hedi Slimane – ao militarismo utilitário, que fez do excesso de bolsos a aposta mais recorrente entre os estilistas. E, claro, as inspirações vêm de todos os cantos, seja do passaporte carimbado da Louis Vuitton, das pistas de Fórmula 1 no desfile de Alexander Wang ou até da arquitetura icônica de Oscar Niemeyer e Lygia Clark. Vem com  a gente:

O surfe grunge da Saint Laurent Paris, o safári sensual da Balmain e a estrutura arquitetônica de Niemeyer e Clark na Balenciaga

O surfe grunge da Saint Laurent Paris, o safári sensual da Balmain e a estrutura arquitetônica de Niemeyer e Clark na Balenciaga

Dior Homme:

A pluralidade sempre elegante da mulher Dior também se aplica à coleção masculina lançada por Kris Van Assche. Aqui, o destaque vai para o corte da alfaiataria, chancela principal da grife: ternos justos, rentes à pele, que, combinados com as gravata slim, afinam a silhueta masculina. O ar de descontração para a temporada é visto em sobretudos de couro de crocodilo pintados de amarelo, laranja e preto, além dos inusitados bordados combinados com calças e camisas militares. O bolso utilitário volta a aparecer aqui – sim, de novo, pode acreditar -, assim como zíperes estrategicamente posicionados em calças e jaquetas bomber.

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Louis Vuitton:

Depois de carimbar o passaporte por 15 países diferentes apenas esse ano, Kim Jones parece ter absorvido a identidade viajante da Louis Vuitton e exprimiu toda essa amplitude turística em uma coleção cheia de referências a animais exóticos, como pássaros e macacos, que aparecem na forma de bordados em jaquetas esportivas feitas do mais fino material. No caso, o tecido é o couro Kobe, do mesmo gado japonês que rende uma das carnes mais macias do mundo – sim, aquele que tem dieta e regularidade física controladas milimetricamente.

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Valentino:

Do patchwork de jeans às estampas e paleta de cores militares – constantes nos desfiles da grife -, a dupla Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli têm trazido a elegância de Valentino para a coleção masculina, que vem cheia de shapes bem estruturados e uma ampla variedade de referências. Atenção para as jaquetas com bordados de animais como mamutes, unicórnios e pássaros.

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Maison Margiela:

A primeira palavra que vem à mente quando se fala “Margiela” é desconstrução: de tecidos, shapes e expectativas para uma marca deste tamanho. Mas para essa temporada, a grife resolveu entrar na contramão apostar em uma alfaiataria clean, com cortes retos e sóbrios, assim como sua parcela de cores. Os blazers de um só botão e as camisetas de gola v cavadíssima imprimem sensualidade e leveza à coleção, que é uma das que mais deixou a pele à mostra na Semana de Moda francesa.

 

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Alexander Wang:

Com um militarismo mesclado ao normcore, Alexander Wang mais uma vez conseguiu imprimir sua própria chancela na coleção: corte e silhueta bem marcados. Abusando de tons terrosos e escuros, o estilista também trouxe a jaqueta bomber para a estação mais quente do ano e, assim como Jeremy Scott fez para a Moschino (mas de forma bem mais discreta, claro), Wang bebeu na fonte da Fórmula 1 em macacões e calças volumosas, alem de shorts de couro.

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Balenciaga:

Assim como em sua coleção pessoal, Alexader Wang também usou a inspiração do militarismo para a Primavera/Verão da Balenciaga, mas de forma mais estruturada e menos séria do que em seu desfile homônimo. Os bolsos utilitários (!!!) voltam a aparecer, em peças que trazem a engenhosa mescla do algodão e do náilon. O corte da alfaiataria é preciso, como se espera da grife, e vem com inspiração “made in Brasil”: as criações arquitetônicas de Oscar Niemeyer e Lygia Clark foram fortes influências para o estilista. Some a isso tudo estampas de python, couro de cobra preto e pitadas de esportivo em jaquetas e bermudas e, pronto, está aí a planta para uma coleção bem construída sobre os alicerces da tradição e do olhar futurista de Wang.

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Balmain:

Para sua primeira coleção masculina à frente da marca, Olivier Rousteing não poupou referências ao tema safári, desde os múltiplos bolsos das calças aos zíperes bem posicionados nas camisas e à paleta de  cores predominantemente neutras. Mas claro que, tratando-se do estilista, tudo aqui aparece embebido em luxo e sensualidade, nem que seja nos mínimos detalhes: decotes com cordas em ziguezague, botões dourados e golas voluptuosas, além de uma silhueta que reforça a virilidade do homem Balmain, reforçada nas sandálias de gladiador.

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Saint Laurent Paris:

Guardando o melhor para o final, a Saint Laurent Paris encerrou a Semana de Moda francesa. Imagine que a primeira coleção de Hedi Slimane à frente da marca – para o verão de 2013 – tenha dado uma voltinha pela Califórnia sem perder o ar rocker. É aí que você encontrará a inspiração para o desfile “Surf Sounds”, permeada por uma paleta de cores que mistura o preto do grunge encabeçado por Kurt Cobain – 0 qual parece ter inspirado tanto os óculos escuros quanto as camisas xadrez e o casting – com o rosa (sempre!) e o azul à la Katy Perry. Sim, a calça + jaqueta de couro, combo básico da marca, as franjas e as estampas de onça e zebra não sumiram. Só que agora elas vêm acompanhadas de blazers com pegada disco e um ar de brecho-chique que faz a coleção refletir o atual momento da moda urbana sem perder a sua identidade – ou pelo menos aquela que Hedi .

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