Moda & Beleza

Salão de Negócios do Minas Trend: resgate das raízes mineiras, a busca pelo diferente e o consumo consciente para fazer a roda da economia girar

Dando um giro insider pelo salão, HT constatou que em tempos de crise, o comprador é mais consciente, e sabe que vai levar o diferencial no produto final, que convencerá seu consumidor. Os expositores, por sua vez, bebem de fontes diversas e também buscam uma chancela

Publicado em 12/04/2016 | Por Heloisa Tolipan

* Com Lucas Rezende

Os números falam por si só: 220 expositores (vestuário: 106 / calçados e bolsas: 45 / joias e bijuterias: 69); 260 estandes, sete sindicatos participantes, 500 compradores convidados, 75 jornalistas do Brasil inteiro, seis profissionais da imprensa internacional, mais de 15 mil pessoas circulando, cerca de 5 mil compositores espontâneos, 600 compradores brasileiros convidados e 16 internacionais. Tudo isso ocupando uma área de 25.278 m² do ExpoMinas, em Belo Horizonte, por três dias. Essa é a conta da 18ª edição do Minas Trend – tirando a leva de desfiles que reuniu grifes como Sônia Pinto, Lino VillaventuraConfraria, Vivaz, Lugas Magalhães, Faven, Plural e Fabiano Milazzo. HT acompanhou todas as tendências nas passarelas – as críticas completas você lê só clicando em cada uma das grifes – e deu um giro insider, com seu olhar de ave de rapina, no salão de negócios. Por lá, visitando os estandes, apurando os looks e conversando com os empresários e compradores, constatamos o estilo Minas Trend de gerar negócio: em tempos de crise, o comprador é mais consciente, e sabe que vai levar o diferencial no produto final, que convencerá seu consumidor. Os expositores, por sua vez, bebem de fontes diversas e também buscam uma chancela. Vem com a gente e entenda melhor.

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Identidade

FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), o SEBRAE, a ASSINTECAL, o Instituto By Brasil e Sindijoias Ajomig deram as mãos para fincar os estandes do projeto “Identidade Minas” no salão de negócios do Minas Trend. A ideia é aumentar a qualificação e competitividade das empresas através do resgate das raízes culturais mineiras. Por isso, vários designers – após meses de consultorias sobre criação e gestão, realizadas por nomes como Walter Rodrigues e Marcia Croce, abordando temas como desenvolvimento de coleções, identidade criativa, canais de distribuição, cooperação e branding, entre outros – desenvolveram peças com inspirações mil. Na lista? Dona Beija, tacho de doce de coco, coqueiros, o trem de Minas, estrelas e telhas interioranas, cores e curvas de Inhotim, o aspecto rococó da Praça da Estação, a Serra da Lapinha, os ceramistas mineiros, a religiosidade e por aí vai. O que foi exposto reflete o trabalho de todo um semestre para criação de peças piloto. O próximo passo será o desenvolvimento em maior escala e a busca pelo caminho certo do encontro do público alvo. Participaram do projeto: ART GOLD, BIA VIEIRA ACESSORIOS, CAREDAN, CIALA, CIBELE ANDRADE, CLAUDIA MARISGUIA BIJOUX, DIVINISSIMA, ERE BIJOUTERIAS, ESSAMULHER, HELIANA LAGES, JERUSA GOMES, LAZARA DESIGN, LÉCIA MOURA, MANOEL BERNARDES, JOIAS MARRE INFINITO, PAIXÃO PEDRAS, SIMONE SALLES BIJOUTERIAS E ACESSORIOS, SORELLE, VIANNA, VR DESIGNER. Manoel Bernardes, presidente do SindiJoias Ajomig reitera que “a ideia é refrescar o design mineiro, aliando as tradições históricas do Estado a processos inovadores”. E continua: “Temos condições de competir, inclusive internacionalmente, com diferenciação e não com volume utilizando elementos que estão em nosso redor para desenvolver peças únicas”.

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Nammos

Já ouviu falar de beachwear, certo? E de streetwear também? Sportwear? Mas e de resortwear? Quem conferiu o salão de negócios do 18º Minas Trend com certeza. É que por lá, a empresária Amanda Miranda de Morais debutou com sua Nammos. O nome, para começo de conversa, tem origem nas praias exuberantes e águas cristalinas da Grécia – refúgios dos jetsetters. Por lá, como as praias são tomadas por pedras e grandes extensões de areia branca, os nativos criaram a palavra “nammos”, que significa “to the sand” (“para a areia”, na tradução livre), com o intuito de facilitar a vida dos turistas. A ideia da grife, segundo Amanda, é “vestir uma mulher moderna, que gosta de estar glamourosa na praia e fora dela”. Para tanto, ela destaca kaftans com bordados feitos à mão (o handmade mineiro está mostrando a que veio sempre) e que ganham papel de protagonista na coleção, e com uma infinidade de comprimentos: curtos, mídi (o trend do trend da estação) e longos. Como em Minas Gerais não tem praia e a ideia dela não é simplesmente vestir para uma pisada na areia, outras colocações das peças, em ambientes cosmopolitas e chics, são super bem vindas – por que não um jantar? O  lifestyle natural chic da Nammos também se reflete em bolsas e chapéus – todas imprimindo o real caráter do resortwear. Na paleta de cores? Azul em suas variações, branco e rosa. Como Amanda mesmo explica, ela decidiu se “especializar em algo que as outras marcas de balneário apresentam como complemento”. Deu certo

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Cláudia Arbex

Polônia, Austrália, Melbourne, Londres, Paris e Nova York. Direta ou indiretamente Cláudia Arbex precisou percorrer, ao menos mentalmente, esses hotpots para a criação de sua coleção Verão 2017. Explicamos: a designer de fashion jewerly bebeu da fonte da cosmetóloga Helena Rubinstein (1872-1965) para desenvolver seus novos e lindos acessórios que foram, aliás, lançados na 18ª edição do Minas Trend. Como essa influência refletiu na realidade? Assim como a imperatriz da beleza – como Helena foi e é conhecida por seus adventos cosméticos e de beauté -, as peças refletem uma mulher diferente das demais na sociedade. “Quem usa Cláudia Arbex é um mulher forte, cosmopolita, que trabalha, mas dá conta de outros recados, é afirmativa, busca um empoderamento”, explica a própria designer. Relações devidamente traçadas, falemos da coleção: Cláudia dividiu tudo no que ela chama de “famílias”. Para tanto, recorreu a pássaros, flores, pedras lapidadas, pérolas, cristais Swarovski (cada um remetendo a uma fase da vida da empresária polonesa-estadunidense) e formas de caráter futurista para complementar o look de uma mulher forte, antenada com o atual e que sabe seu lugar num mundo onde a equiparação de direitos e de reconhecimento é cada vez mais crescente. Nada melhor, portanto, que acompanhar essa transformação com um bracelete de Arbex no pulso, por exemplo. E tiver como lembrar de Helena Rubinstein na mesma leva, melhor ainda.

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Frutacor

Completando três décadas no mercado, a Frutacor resolveu ficar quente como o fogo. Para tanto, recorreu ao sangue latino e toda sua efervescência para entregar a coleção Verão 2017 de sua já tradicional moda festa. O reflexo nas araras armadas no salão de negócios do 18º Minas Trend?  Sensualidade, babados, decotes, ombos à mostra e muitas fendas. É que o veraneio da mulher Frutacor acompanha os termômetros hot, hot, hot da estação, mas não abre mão da sofisticação que a moda mineira pede. Portanto, a conclusão é: equilíbrio torna-se a palavra-chave. E como a cultura latina tem tons fortes e, além de passar a sensualidade, entrega força, tudo fica mais fácil. Falemos então de tendências: coral, turquesa e amarelo são boas pedidas nas cores, enquanto florais, referências étnicas  e listras assimétricas – cada uma seu momento – também caem bem. Mas, contudo, todavia, a Frutacor prefere apostar em uma trinca trend que investiu: rendas, guipure, jacquard, linhos e creponados. Ah, e para não destoar do grito fashion geral…comprimentos midi. Sabendo jogar o jogo.

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Cajo

Com três anos no mercado, a Cajo já viu suas roupas carimbarem passaporte. Agora, um novo feito: debutar no Minas Trend, entregando um Verão 2017, e uma coleção exclusiva de moda festa. A escolhida para capitanear o barco? Carol Caetano, que, em conversa com HT no salão de negócios do evento mineiro, explicou bem a dualidade da leva entregue. “Eu falo com duas mulheres: a mulher mais jovem, antenada e que gosta de sair bem arrumada; mas também converso com a mãe dessa mulher”. O motivo? “Pluralidade”, Carol não nega – o que a fez ampliar o nicho e, ao contrário do que podem pensar, deu super certo. Com muitos recortes e plissados, a coleção é inspirada no espetáculo Joya, do Cirque du Soleil e reflete cores vivas e a dança dos bailarinos da companhia (por isso o caimento das peças é fluido e naquele estilo “mostra, não mostra”). Como a mulher jovem tem muita vez nessa coleção, as linhas sereia e mini estão em voga. Mas, para ampliar o leque – como contamos -, godês, tubulares, amplos e longos chamam atenção. O bordado em alto relevo e os tecidos nobres (lê-se jacquard, seda e viscose) não faltaram, porque, não podemos esquecer, é moda mineira, sô.

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Infinita

São tempos de feminismo latente. Equiparação, força e coragem – sem perder a ternura e sensibilidade – são os modus operandi do momento. Sabendo isso, a grife Inifinita recorreu a uma personalidade que conseguiu traduzir tudo e ainda continuar em voga. O resultado? A mexicana Frida Kahlo. Daí nasceu a coleção Magdalena – primeiro nome de batismo da pintora. Como Frida deu um belo de um sacode nos “padrões” de representação do gênero feminino e de seus respectivos “direitos” e “deveres”, a coleção Verão 2017 traduz em estilo essa mesma ruptura. Por isso, materiais pouco convencionais na moda festa, como até a sianinha, surgem. Quer mais? Pense em uma cartela de cores que passeia por carmim, rosa quartzo, azul serenity, amarelo, verde, branco e o eterno preto. O time latino da coleção fica com boleros, saia godê e mix de materiais. Ah, um destaque: foi feito um print exclusivo de natureza viva, termo usado pela própria Frida. Listras mil e cores fortes dão o tom da Magdalena. Um verão que até Simone de Beauvoir ficará com inveja.

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Exposição

Seguir caminhos alternativos e descobrir novos horizontes. Esse é a busca de “Alice no País das Maravilhas” que, não por acaso, serviu de inspiração para a 18ª edição do Minas Trend, que teve como tema a “Essência”, ou seja: é uma síntese na busca pelo que é importante dentro da indústria da moda. Sendo uma das maiores semanas fashion do Brasil, o tema adotado como referência só prova que a indústria realmente está preocupada com o reforço do DNA de cada uma das marcas como fator primordial junto aos consumidores. A ideia é promover moda autoral, repleta de identidade e com apelo comercial, já que a semana de moda mineira tem como grande diferencial o caráter econômico e de business que visa fazer girar a roda da economia. Por isso, quem chegava ao evento, no ExpoMinas, se deparava com um tabuleiro de xadrez onde grifes mineiras puderam escolher um look para expor. Assim como no jogo onde reis, rainhas, cavalos e peões se enfrentam, os manequins do Minas Trend também apostavam suas cartas no desafio fashion. Para quem interessar possa: foi xeque-mate total, durante três dias, porque a moda mineira tem sua vitalidade e seu otimismo em qualquer circunstância bem representados.

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O Minas Trend tem realização da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), patrocínio SENAI/DN – CNI – SESI DRMG – SENAI DRMG, fomento CODEMIG e Governo de Minas Gerais; e apoio SEBRAE MG – ABIT / APEX / TEXBRASIL.

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