Moda & Beleza

Pertinho da árvore da Lagoa, moda cheia de bossa imerge no guardarroupa de Vera Fischer em aroma anos cinquenta!

Star system! No auge da dobradinha Salão Bossa Nova + Festival Imersões, a estrela global – catarinense de nascimento, mas carioca de alma – prova o porquê de o New Look se encaixar tão bem no seu estilo, tão sedutor quanto um decote abusado sobre colo bronzeado

Publicado em 11/12/2014 | Por Alexandre Schnabl

Dentro da mais ampla tradição que une moda, cultura e lifestyle, o Salão Bossa Nova acoplado ao Festival  Imersões termina nesta noite de quinta-feira (11/12) com o pé direito, amplificado pelos dias solares que valorizam o ambiente em torno da Lagoa e se sintonizam com o deslumbrante visual da árvore de Natal. HT andou circulando pelo evento nestes dois últimos dias para captar impressões, como uma antena parabólica do comportamento carioca, e gostou do que viu.

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Para começar, a deliciosa palestra com a trinca de bambas das panelas que vem se dedicando à ecogastronomia – Teresa Corção (de O Navegador), Ciça Roxo (da Eguce Gastronomia) e a sempre badalada (e querida!) Flávia Quaresma, que dispensa apresentação. Nesta tarde de terça-feira (9/11), o trio deu uma aula sobre a pimenta de aroeira e farinha de mandioca, desmistificou questões quanto ao seu paladar e a remota possibilidade de seu preparo acabar parecendo culinária de naturebinha sem estilo, provando que o Brasil precisa cada vez mais valorizar a prata da casa, sobretudo quando o assunto são ingredientes locais. E, de quebra, o Trio Irakitan da cozinha orgânica ainda ensinou a fazer um crumble tropical de dar água na boca, uma farofinha de coco e  mel, além de um bolinho de banana aerado que lembra os bolinhos de chuva da vovó.

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Flávia, que está às voltas com a 1ª edição latino-americana da Sirha, a Copa do Mundo dos chefs e maior evento do mundo nas áreas de gastronomia e hotelaria, conta ao HT: “Esse evento vai bombar e mexer com o profissionalismo do mercado. Enquanto isso, é delicioso estar aqui no Lagoon (onde acontece o Bossa Nova + Imersões) e colaborar para essa verve que une moda e comportamento dentro do lifestyle da cidade. Ô, coisa gostosa!”

No final do cooking show, Maria Oiticica vem dar um beijo em Flávia e aproveita para puxar a chef para seu espaço e mostrar as últimas novidades da sua grife de acessórios. Entre maxi bijoux (ou ecojoias) de tirar o fôlego, HT fica encantado com os colares de rolha. “Agora passo nos restaurantes que costumo frequentar e passo o rodo naqueles potes com rolhas das garrafas abertas. Uma loucura, dá pra criar peças alucinantes”, conta a designer, rindo aos borbotões.

Logo ali do lado, a Anas exibe sua coleção inverno 2015 de rasteirinhas e sapatilhas. É Ana Cecília Freidheim quem dá a dica: “Todo mundo pensa que rasteira é só no verão. Mas e o calor nababesco do Rio? Ano inteiro, né, meu bem? Daí, para imprimir um ar de inverninho, optamos pelo tema equestre, com ferragens temáticas e flanela xadrez que tem essa cara de equitação, além das opções de espadrilles com bordados coordenados, com quatro opções de desenho, dois de trevo e dois de ferradura. O cliente combina o pé direito com o pé esquerdo nos desenhos que quiser”. Boa.

Na Blue Man, que não participou do último Fashion Rio, a gerente de marketing Crib Tanaka conta que, além da coleção inspirada nas feiras livres, trouxe o resgate do manequim de vitrine que a marca usava na virada dos anos 1980/1990, com rosto do ator francês Fernandel (1903-1971). “O David Azulay (1953-2009) achava divertida a semelhança entre ele mesmo e o artista e, na época, mandou produzir os manequins, os primeiros no Brasil com essa levada humor, bem carioca. Encontrei no estoque da marca quatro exemplares perdidos, achei que a sacação cabia de novo e mandei produzir mais uma vez”, revela a profissional.

Já a Cavendish aposta no Deserto do Atacama, no Chile, como ponto de partida para um inverno cheio de estampas e devorês. Ausente das semanas de moda há algumas temporadas, a grife considerou o Salão Bossa Nova + Festival Imersões o formato exato para voltar a se apresentar para a imprensa de maneira mais próxima, e essa filosofia bate com o momento atual em que se repensa o atual formato das semanas de moda, com a reestruturação do Fashion Rio. A vastidão da paisagem natural e o escaldante por-do-sol se traduzem em couros, tons terrosos e prints inspirados nas tapeçarias dos povos andinos.

Cavendish: o Atacama ao alcance da moda nacional, bem ao lado da árvore da Lagoa (Foto: Antonio Kampffe / Divulgação)

Cavendish: o Atacama ao alcance da moda nacional, bem ao lado da árvore da Lagoa (Foto: Antonio Kampffe / Divulgação)

Por sua vez, a Fab – marca mais jovem da Agilità – se baseia no militarismo com toques de luxo, renovando o estilo com muito brilho, tule, renda guipure e pedraria. “Esses materiais fazem parte do DNA da marca e sempre comparecem, ficou lindo. Mas amo também essa jaqueta em verde-exército”, conta Arthur Bittencourt, responsável pelo estilo. Já a Redley manteve o espírito esportivo que sempre norteou a marca, mas abusa do neoprene estampado, do moletom com camuflagem e das estampas étnicas. E André Namitala, oriundo do Cluster – evento de moda e comportamento dos descolados – exibia a´li pertinho seu masculino bacana da Handred.

Em paralelo ao burburinho dos lançamentos na Salão Bossa Nova, a programação ferveu gostoso no Festival Imersões, com a pista de skate da Redley bombando com a rapaziada radical, o show de Ava Rocha (filha de Glauber Rocha, terça) e da Banda Séculos Apaixonados (quarta), além dos food trucks – como o atualmente onipresente Los Mendonzitos , uma espécie de Wagner Moura da gastronomia, está em todas – recebendo o público defronte ao espelho d’água na Lagoa, do meio da tarde ao anoitecer com vista para a árvore flutuante.

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Mas, na noite desta quarta-feira (10/12), um outro tipo de estrela incandescente ofuscou as luzes da árvore de Natal mais famosa do Brasil. Como uma estrela da Era de Ouro de Hollywood, Vera Fischer soube capitalizar atenções ao receber convidados para conferir as instalações da expo “Closet de Vera”, com enorme grafite by Pedro Horto. Naquela atmosfera de star system total, a diva provou porque o tempo passa, mas a atenção sobre si continua a mesma, sem que a passagem do tempo cause qualquer dano à sua aura mítica. A mostra, que exibe parte do exuberante – e numerosíssimo acervo da atriz – serve como teasing para o bazar que ela pretende fazer para ajudar as crianças carentes do Instituto Romão Duarte. São 300 peças que ela vai torrar no próximo Top Fashion Bazar, muitas de grifes gringas e de gente como Carlos Tufvesson, estilista que Vera ama de paixão. Desapega.

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Como um misto de Lana Turner com Jessica Rabbit, a artista revela que se identifica com o estilo das década de 1950, motivo pelo qual o New Look de Christian Dior se encaixa tão perfeitamente no seu physique du rôle. Naturalmente, tomara-que-caia, frente-única e saia godê, na levada de gente que tomou de assalto a Sétima Arte após a Segunda Guerra Mundial –  Sophia Loren, Gina Lollobrígida, Jennifer Jones e Liz Taylor – são referências preciosas para se entender o imaginário visual de Vera, que deita e rola na voluptuosidade after war, com decotes, fendas e colos que valorizam qualquer mortal, imagina um mito. E, se a questão for considerar a imersão na bossa carioca, obviamente esse tipo de gostosura feminina se encaixa no clássico padrão chique, mas com toques de pele revelada que a carioca tanto ama.

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