Moda & Beleza

Moda sustentável do início ao fim: conheça a Lab77

Sem excedentes na produção e respeitando o ambiente e o social, assim é laboratório criativo dos sócios Guilherme Pecegueiro e Sérgio Dutra

Publicado em 27/12/2018 | Por Bárbara Tenório

Uma marca carioca há quatro anos no mercado nasceu com uma proposta diferenciada e original. Os dois idealizadores, Guilherme Pecegueiro Sergio Dutra, escolheram ir contra a maré do capitalismo e produzem as peças de roupas sob demanda e com um processo sustentável de elaboração. É o Lab77, um laboratório criativo que reúne na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, loja, ateliê, estamparia e escritório em um mesmo espaço. As peças são desenhadas e depois ficam disponíveis no site, o cliente faz o pedido e, em seguida, pode acompanhar o processo de produção da peça. Assim, enquanto ele escolhe ou experimenta um outro modelo, acompanha toda a movimentação e o dia a dia da empresa em tempo real. E pode até mudar a cor de algum ítem para a sua cor preferida. Não é muito legal?

O interior do laboratório criativo (Crédito: Guilherme Pecegueiro)

A Lab77 foi criada por dois amigos em 2014, Guilherme Pecegueiro é o diretor criativo da marca e Sergio Dutra, responsável pela parte administrativa. A ideia da dupla era fazer roupas diferentes, sustentáveis e com um estilo casual. Conversamos com Guilherme para entendermos um pouco mais sobre essa ideia inovadora. “Queríamos fazer o que a gente gostaria de vestir. Gostamos de roupas diferentes, mas que continuássemos com o nosso estilo pessoal. Eu já trabalho com moda há muito tempo, mas o Sérgio é engenheiro, trabalhava na Petrobrás e dessa junção, eu fazendo a parte criativa e ele, a administrativa, chegamos à Lab”, contou.

Os sócios da Lab77, Guilherme Pecegueiro e Sérgio Dutra (Crédito: Guilherme Pecegueiro)

As estampas elaboradas por uma tecnologia especial, que permite uma maior qualidade das reproduções, são inspiradas no cotidiano carioca, na contracultura urbana e na natureza brasileira. Foi a vontade de estampar camisetas o início de tudo há quatro anos. “A gente teve acesso ao maquinário que permite que a nossa forma de estampar fosse diferente das outras, a partir daí montamos uma estrutura pequena de estamparia e começou a fazer camisetas sobre encomenda”, completou Pecegueiro. As coleções trazem itens femininos e masculinos, que se misturam em vários momentos e priorizam matérias primas sustentáveis ou recicladas produzidas no Brasil. A marca também tem a preocupação de comunicar ao consumidor como trabalha para saberem o que e de quem estão comprando.

Entrada da Lab Sete Sete no Downtown (Crédito: Guilherme Pecegueiro)

Nesta relação transparente com o consumidor, a espinha dorsal do projeto desde o primeiro dia, de acordo com o diretor de criação é produzir apenas o que o cliente quer comprar naquele momento sem precisar oferecer a ele outras peças a preços inferiores. “Começamos muito pequenos, mas a ideia sempre foi fazer algo por encomenda e assim não produzir mil produtos sem saber que fim aquilo vai levar. O que não vendeu liquida nas lojas tradicionais e isso é venda por impulso. Fazemos a mínima quantidade possível, só o que a pessoa vai usar de verdade. O que a gente evita a todo custo é criar estoque, fabricar peças que a gente não sabe se vai sair ou não”, afirmou. Por esse caminho, os criadores da Lab77 conseguiram ter a liberdade criativa que precisavam, sem gerar desperdício e sem perder estoque. Seguiram o novo cenário mundial que procura estabelecer melhores hábitos de consumo e produção, para que o planeta tenha um futuro melhor.

Sobre essa onda verde sustentável das marcas Pecegueiro contou sobre a dificuldade de ser totalmente sustentável, mas com esse desafio a Lab77 investe em uma produção que tenha o menor impacto social e ambiental possível. “É bom que todo mundo comece a se preocupar, porque senão daqui a pouco não vai ter o que vender, vai faltar matéria prima, vai faltar planeta, consumidor, espaço. O mundo tomou consciência disso de uma forma tardia, pois acho difícil reverter o estrago que já está feito, mas é muito importante que as empresas consigam de alguma forma exercer as atividades delas o mais sustentável possível”, completou. Para ele, não é mais do que a obrigação da humanidade cuidar do que o mundo oferece como matéria prima e inspiração criativa, mas muitas empresas não pensam dessa forma, pois estão focadas apenas no lucro das vendas.

A ideia de ser uma marca sustentável vai muito além de não gerar estoque de produto, é também se preocupar com as pessoas envolvidas no processo de montagem, desde a costureira ao entregador da encomenda, segundo Pecegueiro. “É difícil fazer um produto do qual você se orgulha, que tenha uma origem que você respeitou todos os trâmites e todas as pessoas que trabalharam no processo de produção. Garantir que elas foram bem pagas, tiveram boas condições de trabalho e ainda assim conseguir manter um valor acessível do produto no mercado”, explicou. A empresa nunca realiza liquidação e não participa de promoções nacionais como a Black Friday, mas para conseguir alcançar públicos com valor aquisitivo menor e que tenha a consciência de sustentabilidade a Lab77 tem um produto básico, as camisas estampadas, que são vendidas a partir de R$90. “Nunca nos interessou fazer um produto de baixo custo e de baixa qualidade”, completou.

Camisetas estampadas pela Lab77 (Crédito: Guilherme Pecegueiro)

São produzidas mil camisetas básicas por mês, além dos outros produtos como bermudas, calças e outros estilos de camisas mais elaboradas. A marca vem crescendo e se tornando conhecida entre o público jovem e consciente, mas será que a qualidade e sustentabilidade da Lab será mantida na medida em que se consolida no mercado? O sócio e diretor criativo nos contou um pouco do que pode acontecer caso a Lab conquiste ainda mais adeptos. “É um problema que estamos enfrentando agora com o crescimento da loja. A nossa produção está preparada para fazer até uma certa quantidade, mas se essa demanda explode além disso a gente criou um sistema no site para controlar esses pedidos extras. O normal para a fabricação do produto são quatro dias, mas em épocas como agora no Natal a demanda aumenta e aumentamos o prazo de entrega pro cliente, que passa a ser de dez dias”, contou. De acordo com ele é mais importante não abrir mão dos valores iniciais da marca do que querer apenas lucrar.

Serviço:

Av. das Américas, 500 – bloco 14 loja 105 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

Horário: 9h às 19h

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