Moda & Beleza

Minas Trend #day 3: com Isabeli Fontana e Renata Kuerten, além de Luiza Brunet na plateia, evento homenageia Frank Sinatra

O astro dos famosos old blue eyes, que faria 100 anos em 2015, embala desfile inspirado nos seios fartos e cinturinhas de pilão de Sophia Loren

Publicado em 10/04/2015 | Por Heloisa Tolipan

* Por Alexandre Schnabl

Errar é humano, mas bordar é muçulmano. Ou, quem sabe, sânscrito. Esse mote, obviamente uma brincadeira, deu a tônica do terceiro e último dia de desfiles da 16ª edição do Minas Trend (8/4), plataforma de lançamentos de primavera-verão 15/16 que termina nesta noite de sexta-feira (10/4) no Expominas, em Belo Horizonte (MG), e cuja próxima temporada já está marcada para 6 de outubro. A frase se refere à coleção apresentada por Fabiana Milazzo – uma bamba da roupa de festa, que já renovou esse estilo anteriormente com temas como vitrais art nouveau. Agora, ela se reinventa com a coleção “Namastê”, inspirada no Tibete e repleta de mandalas originárias das tapeçarias e arabescos asiáticos e, também, escritos em uma caligrafia que à primeira vista podem ser identificados mais como árabes do que propriamente do Nepal, com mensagens religiosas. Uma belezura que renova a arte de bordar, tão cara à sua clientela.

A tarde começou com o desfile Rogérío Lima que, para mostrar suas maxi bolsas estruturadas, optou por vestir os modelos com looks minimalistas da E-Store, em tricô canelado para elas e cambraia de linho para eles. Tudo muito limpo, na cartilha dos anos 1990, para revelar as bolsas-valise em croco, vinil cristal e palha, com acabamentos em franjas, ferragens ouro e recortes futuristas, além de mochilas para os rapazes. Nessa cartela de cores neutras – branco, coco, caramelo, areia, bege – não há espaço para cores, exceto um goiaba. Tudo muito rígido, meio no espírito Hervé Leger, sem grandes emoções, mas belo – e apesar da trilha, que parecia não combinar com a roupa: “Disseram que eu voltei americanizada”, o sucesso em que Carmen Miranda reclamava da recepção pouco afetuosa do público brasileiro, após anos em Hollywood.

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A ideia é se divertir que nem pinto no milho. Afinal, desde quando Lucas Magalhães teve sua marca comprada por Patricia Bonaldi, ano passado, ele passou a ter acesso a uma variedade maior de matérias-primas, como ele mesmo confessa ao HT em bate-papo exclusivo: “Agora posso variar mais nos materiais, combinar as coisas de forma diferente. A base da estamparia digital continua, mas já dá para usar jacquards e desenhos feitos a laser”, conta o moço, apostando nas benesses de sua inclusão no grupo de grifes formado pela estilista mineira. E, claro, essa premissa de trabalhar a coleção com maiores recursos é algo como ter acesso aos brinquedos de um parque de diversão, embora o designer prefira afirmar que está mais “para um cientista louco bem focado, já que vender é preciso”. Tanto ele quanto Patricia são categóricos em dizer que a absorção da marca não impede a manutenção do DNA de Lucas, mas, pelo que foi visto na passarela, há alguns excessos de mistura de estampas que deixam claro que o tal cientista experimental pode ter perdido um pouco o prumo no rodopio da roda-gigante no parquinho.

Apesar disso, não há como negar que Lucas é talentoso e sabe desenvolver muito bem um tema. Dessa vez, ele andou lendo Jack Kerouac, quem sabe até fumou unzinho, se encantando pelos beatniks. Não em sua essência, “mas pelo fato dessa tribo ter desembocado depois na cultura hippie”, conta. Por isso, sua visão da turma de Allen Ginsberg e William Burroughs não tem o preto, branco e jeans característico, mas o colorido lisérgico da contracultura que viria a seguir, com muito azul, um coral meio ácido, até listras náuticas e um certo quê de navajo, já que a vibe é on the road. Algumas peças em crochê e comprimentos midi pontuam, embora existam algumas minis na coleção. Ele diz: “Para mim, essa é nova influência desse momento que estou vivendo. Mas, com o cuidado de não ficar colado ao corpo, mais solto para não deixar o look periguete”.

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Com Isabeli Fontana abrindo e fechando o desfile, Fabiana Milazzo faz a festa com tapetes e tipologias orientais, mantendo o exagero dos bordados,, mas atualizando sua proposta. E, quem não quiser apostar num vestidão, tem as blusinhas bordadas em tule para entrar no climão festa, se usadas com peças mais limpas. Ou os coletes que imprimem certo ar esportivo ao conjunto da obra. Um acerto. Em geral, o resultado tanto irá agradar à cliente xiíta, que quer porque quer aparecer bordada da cabeça aos pés num badalo, até uma nova consumidora adepta do high-low.

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A Plural sabe manter sua essência de estação para estação. Quem assiste aos seus desfiles, sabe mais ou menos o que deve vir pela frente, embora esse conhecimento daquilo que é o seu DNA em nada desabone a apresentação: peças descomplicadas, geralmente soltas, acentuadas por sobreposições, assimetrias, com o uso de estampas para compor um efeito gráfico junto às camadas de tecido. Dessa vez, Leticia Leão traz como assunto as fotografias do mineiro Marcilio Gazzinelli, em aspecto que fornece o ar cult que a marca tanto gosta. O denim e amarelo forte, intercalados com as cores neutras, se encarregam de dar o toque esportivo nessa moda para cliente que curte se sentir meio cerebral, que ganha mais modernidade com a inclusão do couro ecológico e os metalizados em prata.

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Com Luiza Brunet chamando atenção na plateia, Mabel Magalhães se encarregou de fechar com chave de ouro os desfiles da semana, evocando o charme de voluptuosas atrizes do cinemão pós-2ª Guerra: Brigitte Bardot, Sophia Loren e Anita Ekberg. E chega a ser curioso constatar que essas estrelas de seios fartos funcionam como inspiração em um desfile no qual quase todas as modelos tinham busto pouco avantajado, inclusive Renata Kuerten – a top do desfile, corpão na passarela, mas infinitamente mais sequinha na vida real do que as Ginas Lollobrigidas. Tops corsetados, saias godê, vestidões, cinturas marcadas e referências calçadas no New Look da época, mais um pouco de pedraria, se encarregaram de dar o devido aroma anos 1950 que o desfile pedia, ao som de “Fly Me to the Moon” e o vocal poderoso de Frank Sinatra.

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