ID:RIO 25 – A alquimia da estética artsy em sinergia com o upcycling de uniformes na coleção deluxe “Energia by Almir França”


O designer Almir França é um verdadeiro alquimista incensado nesta artsy moda do upcycling. Cada peça desfilada representa uma fonte inesgotável de propostas de intervenções manuais únicas, exclusivas. No Festival ID:RIO 25 – multiplataforma que impulsiona a identidade/energia criativa da moda e voltada para o incentivo ao microempreendedor do estado do Rio de Janeiro -, na Praia de Icaraí, em Niterói, o designer sentiu o pulsar da plateia repleta de profissionais da moda, estudantes e amantes das artes que estavam ali para conferir in loco a arte vestível com peças-desejo de reaproveitamento criativo de resíduos. O desfile “Energia by Almir França“, fruto de uma parceria com o departamento de sustentabilidade da empresa Enel e realizado a partir do upcycling dos uniformes dos trabalhadores

ID:RIO 25 - A alquimia da estética artsy em sinergia com o upcycling de uniformes na coleção deluxe "Energia by Almir França"

ID:RIO FESTIVAL 2025

A moda contemporânea cada vez mais nos brinda com a ênfase à proposta da técnica do upcycling, o ‘(re)design inteligente´, que faz a conexão entre a liberdade da arte criativa, a sustentabilidade, a autoralidade e o colaborar com o socioambiental. Ao dar um novo significado ao reaproveitamento de peças descartadas, vemos como resultado a valorização do handmade, do contar histórias, aguçar memórias afetivas através de uma moda consciente e de impacto positivo para o meio ambiente. O designer Almir França é um verdadeiro alquimista incensado nesta artsy moda do upcycling. Cada peça desfilada representa uma fonte inesgotável de propostas de intervenções manuais únicas, exclusivas. No Festival ID:RIO 25 – multiplataforma que impulsiona a identidade/energia criativa da moda e voltada para o incentivo ao microempreendedor do estado do Rio de Janeiro -, na Praia de Icaraí, em Niterói, o designer sentiu o pulsar da plateia repleta de profissionais da moda, estudantes e amantes das artes que estavam ali para conferir in loco a arte vestível com peças-desejo de reaproveitamento criativo de resíduos. O desfile “Energia by Almir França“, fruto de uma parceria com o departamento de sustentabilidade da empresa Enel e realizado a partir do upcycling dos uniformes dos trabalhadores.

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Sobre a síntese do que foi apresentado na passarela, Almir foi direto ao ponto: “A coleção foi inspirada na energia do feminino”. Almir contou que tem refletido constantemente sobre o papel essencial das mulheres na sociedade e “nessa luz que o feminino traz o tempo todo para o mundo, para as pessoas”. Almir França já atuou na aplicação do Projeto Ecomoda em mais de 20 unidades em comunidades do Rio de Janeiro e interior do Estado do Rio, mostrou a potência do upcycling ressignificando uma nova produção seja no âmbito da moda e/ou incluindo todas as artes. A coleção idealizada a partir da filosofia da Enel de reaproveitamento dos uniformes dos funcionários foi desenvolvida com base no conceito do criar, renovar e ressignificar peças e materiais. Projetos de moda sustentável, circular e colaborativa mostram que é possível unir estilo e impacto positivo. E os microempreendedores que participaram do Festival ID:RIO 25, através da Fashion Fair, também apresentaram iniciativas que contavam histórias reais, repletas de identidade e valores alinhados com causas sociais e ambientais.

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Como ressaltei na primeira coleção de Almir França em parceria com a ENEL, ele pensou em sobre a maior gama possível de produtos de moda que poderiam ser feitos com os uniformes dos trabalhadores da empresa. Os looks retrataram o processo transformador de calças em vestidos, saias e blusas. Mas, por se tratar de uma empresa que trabalha com energia, foi preciso encontrar caminho direto na proposta de reuso, por isso todo beneficiamento, e para os bordados utilizamos os micros resíduos deixados no processo da confecção.

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Com essa coleção, Almir França reafirma seu compromisso com a alta moda transformadora e, além de desenvolver peças a partir de resíduos de uniformes como matéria-prima, ele também agregou resíduos de outras procedências. Um dos pontos altos do trabalho de Almir foi incluir redes de pesca recolhidas na Baía de Guanabara — um resíduo com grande impacto ambiental. Para ele, a sustentabilidade precisa ser pensada de forma ampla e integrada: “O desafio era pensar o desdobramento do encaminhamento desse resíduo e como é cruzar isso com outros resíduos. A coleção tem a preocupação o tempo inteiro de entender que outros itens estão em conexão para beneficiar uma coleção como essa”, analisou. Nesse sentido, a moda se torna linguagem  plural — uma forma de diálogo entre a criatividade e o ambiente ao redor. Como muitos experts avaliam, vestir-se é um ato político, ético e consciente.

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Além das redes, foram incorporados micro resíduos de produção carnavalesca e sobras de cenografia e alegorias. Na coleção, o jeans ganhou destaque e foi elevado à categoria do luxo noturno. “O brilho que tem ali é o mesmo que usamos no carnaval”, contou. A referência não é à toa: Almir participou da criação dos destaques da Paraíso do Tuiuti, em março deste ano, quando a escola homenageou Xica Manicongo, considerada a primeira travesti do Brasil. “Usei também resíduo do próprio carnaval. Então pensei em beneficiar essa coleção com os plásticos que restaram da festa”. Hoje, Xica é lembrada como um símbolo de resistência para a população LGBTQIAP+ negra e periférica. Em Salvador e em outras partes do Brasil, a memória de Xica Manicongo tem sido resgatada por movimentos populares, artistas e historiadores que buscam dar visibilidade às histórias de pessoas LGBTQIAP+ na diáspora africana.

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

Coleção “Energia by Almir França” (Foto: Thais Mesquita)

A indústria da moda é a segunda maior poluidora do mundo, atrás apenas da indústria petrolífera. E levantamento publicado pela Global Fashion Agenda, organização sem fins lucrativos, aponta que mais de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis foram descartados no mundo em anos recentes. Almir aponta que “Uma coleção de moda casual é criada anualmente como forma de resultado de mais de 10 toneladas de roupas usadas e resíduos”.

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UPCYCLING: O IMPACTO AMBIENTAL POSITIVO NA CADEIA PRODUTIVA DO CARNAVAL

O Carnaval do Rio de Janeiro é a maior fábrica de fantasia do mundo, tanto no sentido do delírio imaginativo quanto da vestimenta propriamente dita. Cada escola de samba do Grupo Especial, por exemplo, desfila com pelo menos, 3.500 componentes, o que resulta em cerca de 42.000 figurinos na Marquês de Sapucaí. E já vemos projetos voltados para uma abordagem que lança luz sobre o criar, renovar e ressignificar peças e materiais, com a pegada da sustentabilidade e a prática do upcycling – transformando o que já existe, reduzindo desperdício e prolongando a vida útil das peças.

Os carnavalescos devolvem suas fantasias para as escolas, justamente para que possam ser reaproveitadas em outros carnavais. Caso o enredo do próximo ano não comporte a reutilização, as peças são doadas ou vendidas para agremiações de divisões inferiores ou de outras cidades. Essa lógica se estende também às alegorias e esculturas, garantindo que a festa continue pulsante e sustentável.

Almir França em ação no backstage do ID:RIO 25 (Foto: Thais Mesquita)

BALANÇO FESTIVAL ID:RIO 25

D:RIO 2025 encerrou sua 4ª edição com sucesso, movimentando a economia criativa em duas importantes cidades fluminenses. O festival reuniu desfiles, shows, palestras e feiras de design entre os dias 11 e 27 de abril, em Petrópolis e Niterói, destacando a potência do microempreendedorismo de moda no estado do Rio de Janeiro. Com programação gratuita e ampla participação do público, o evento reafirmou seu impacto no fortalecimento da cultura, do comércio e do turismo local. Compreender a potência do microempreendedorismo de moda no estado do Rio de Janeiro requer olhar para a cadeia produtiva sob a ótica de um cenário em constante transformação.

No segmento de varejo online, por exemplo, em 2024, pequenas e médias empresas no estado faturaram R$ 356,5 milhões — um crescimento de 43% em relação a 2023, segundo dados da SEDEICS (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços). Desse total, o segmento que mais faturou foi o de Moda (R$ 125 milhões), seguido por Acessórios (R$ 40,5 milhões), Joias (R$ 19 milhões) e Saúde & Beleza (R$ 14 milhões). Com base nesses índices, a edição 2025 do festival ID:Rio preparou uma programação 100% gratuita, composta por desfiles, shows, palestras e feira de design e microempreendedorismo — com foco em movimentar e promover toda a cadeia produtiva da economia criativa dos municípios onde atua diretamente.

Claudio Silveira, o idealizador e diretor-geral do Festival ID:RIO (Foto: Divulgação)

O compromisso do ID:Rio sempre foi o de incentivar atitudes inovadoras para toda a indústria criativa no estado, promovendo o desenvolvimento das cidades por meio de uma economia mais inteligente, com especial atenção ao microempreendedorismo – Claudio Silveira, idealizador e diretor-geral do festival

O ID:Rio é um presente para as cidades que o recebem, já que movimenta praticamente todos os setores: do turismo aos serviços, da cultura ao comércio – Helena Vieira Gualberto Silveira, diretora executiva do festival

Patrocinadora oficial do evento, a Enel aposta em um mercado em constante expansão no estado.

A Enel apoia iniciativas como o ID:Rio, que fortalecem a cadeia produtiva local, impulsionam o empreendedorismo e valorizam os pequenos produtores, contribuindo para uma sociedade mais inclusiva-  Hélio Muniz, diretor de Comunicação da Enel

Durante todos os dias de programação, o festival recebeu mais de 20 marcas e designers em desfiles autorais e colaborativos, shows nacionais, ações de upcycling e feiras criativas. Em Petrópolis, as atividades se concentraram no Palácio de Cristal, enquanto em Niterói, a Praia de Icaraí e o Clube Central foram os principais palcos. Entre os destaques, shows de Vitor Kley,Maneva e Gabriel o Pensador animaram o público, além do aulão de yoga exclusivo comandado por Maria Clara Cunha.

O festival apresentou tendências marcantes, como o fortalecimento da moda circular, o upcycling de uniformes realizado pelo estilista Almir França, e novas propostas de design autoral, como a coleção da OCA – Arte Brasileira. Debates no Enel Summit abordaram temas centrais para o futuro da moda, como circularidade, inovação e inclusão social. O espaço receberá uma edição pocket do ID:Rio Fashion Fair, um mercado criativo com 20 marcas e designers locais, com foco em “see now, buy now”.

A edição 2025 também reforçou seu compromisso com a diversidade e sustentabilidade, trazendo iniciativas como a gestão de resíduos para geração de renda feminina e o estímulo ao protagonismo de novos criadores locais. O ID:RIO 2025 confirma sua posição como plataforma estratégica para o fortalecimento do setor de moda no estado do Rio de Janeiro e já antecipa novidades para a próxima edição, prometendo ampliar ainda mais seu alcance e impacto.

O ID:Rio 2025 é apresentado pela Enel com patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. O Festival conta com o apoio da Secretaria Municipal da Mulher de Niterói e do Clube Central de Icaraí, com realização da Equipe de Produção.