Faculdade SENAI CETIQT proporciona aos alunos uma imersão no universo pulsante do backstage dos desfiles do RFW


O Rio Fashion Week mobilizou 20 grandes marcas, 30 mil visitantes e fomentou o turismo na cidade e a economia criativa. No backstage, alunos e egressos de Design de Moda da Faculdade SENAI CETIQT atuaram diretamente na engrenagem que sustenta a passarela, em uma experiência que antecipa, ainda na formação, o ritmo do mercado profissional. Realizados em espaços como o Pier Mauá, o Palácio da Cidade, o Museu do Amanhã e o Sambódromo, os desfiles do RFW e seus bastidores resultam de um ambiente que articula demandas operacionais envolvendo um amplo contingente de profissionais, prazos definidos e múltiplas tomadas de decisão em tempo real. Nesse contexto, 100 participantes da Faculdade enfrentaram desafios inerentes à dinâmica do evento, em uma experiência marcada por engajamento e precisão. Uma vivência que sintetiza, na prática, o encontro entre técnica, sensibilidade e a potência que move a moda

O Rio Fashion Week, com seus 35 mil metros quadrados de complexo criativo, transformou o Pier Mauá em um verdadeiro epicentro de moda, arte, talks, gastronomia e música, reunindo cerca de 30 mil pessoas ao longo de quatro dias do evento. Também contou com desfiles externos em locais icônicos que reforçaram a vocação do Rio de Janeiro como passarela a céu aberto. No backstage e nas salas onde foram realizados os desfiles, alunos e egressos – tanto da graduação quanto da pós-graduação em Design de Moda da Faculdade SENAI CETIQT– vivenciaram, de forma imersiva, a dinâmica que permeia os momentos que antecedem os desfiles na passarela. Atuando voluntariamente no apoio operacional, cerca de 100 participantes colaboraram com funções estratégicas no backstage, integrando ativamente a engrenagem que viabiliza a execução e a fluidez do fashion show na passarela, em uma experiência direta com o pulsar do mercado de trabalho da moda.

Os alunos e egressos do curso de Design de Moda vivenciaram, na prática, o ritmo potente nos bastidores dos desfiles (Foto: Divulgação)

De acordo com a organização do evento, ao longo da programação, mais de 400 modelos cruzaram as passarelas apresentando cerca de 1.050 looks em 20 desfiles. Em um cálculo quase de performance, a soma dos deslocamentos dos modelos resultaria em aproximadamente 174 quilômetros de passarela percorrida, uma medida que traduz, em escala física, a dimensão expansiva desta edição do evento. Neste contexto desafiador, em um revezamento de grupos, os alunos da Faculdade SENAI CETIQT tiveram a experiência de um ambiente que articula elevada complexidade, intensidade e prazos exíguos, atravessado por múltiplas tomadas de decisão em tempo real, altas expectativas e elevado nível de desempenho.

Aluna da Faculdade SENAI CETIQT no backstage dos desfiles (Foto: Divulgação)

Aluna da Faculdade SENAI CETIQT no backstage dos desfiles (Foto: Divulgação)

Portanto, o Rio Fashion Week estreou em grande escala, consolidando-se desde sua primeira edição como um ponto de convergência entre moda, negócios, cultura e entretenimento. Sobre o prisma econômico, o impacto da semana de moda já se traduz em números expressivos. De acordo com o estudo “Rio Fashion Week 2026: Potenciais Impactos Econômicos”, elaborado pelas secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico (SMDE) e de Turismo (SMTUR-Rio), o evento movimentou aproximadamente R$ 100 milhões na economia carioca. O levantamento também aponta a geração de cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos, evidenciando o efeito multiplicador da cadeia produtiva envolvida.

Ao inserir os alunos na semana de moda carioca, a instituição reforça um modelo pedagógico que ultrapassa a sala de aula e aproxima o ensino das dinâmicas reais da indústria da moda, ancorado nos  pilares estruturantes do SENAI CETIQT: integração entre educação profissional (faculdade e cursos técnicos), tecnologia e inovação e consultoria especializada para a indústria da moda, confecção, normalização, têxtil, Defesa e Segurança.

A instituição foca na metodologia “aprender fazendo” em laboratórios avançados, visando sustentabilidade e aumento da competitividade industrial; Inovação e Serviços Técnicos e Tecnológicos e Desenvolvimento Estratégico e Sustentável. A Faculdade SENAI CETIQT está alinhada com a demanda da indústria, oferecendo oportunidades para os seus alunos terminarem a graduação já empregados. Há uma fonte de talentos para a indústria, com diversas empresas interessadas, dentro do ambiente acadêmico. São esses jovens que contribuirão como mão de obra qualificada para o crescimento e inovação do setor.

A abertura oficial do Rio Fashion Week, assinada pelo desfile da Osklen no Palácio da Cidade, e o encerramento, por Lenny Niemeyer no Museu do Amanhã, estabeleceram um diálogo entre dois marcos arquitetônicos da cidade, conectando história e contemporaneidade. Já o desfile da Misci teve como cenário o Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Ana Claudia Lopes, coordenadora de Graduação e Ensino Técnico da Faculdade SENAI CETIQT, considerou a vivência “inigualável” e pontuou: “Mais de 100 alunos trabalharam no backstage e na sala de desfiles. Isso é relevante porque a instituição foca na inserção deles no mercado de trabalho. Os integrantes do grupo que atuou no backstage da Osklen, por exemplo, disseram que foi o melhor dia de suas vidas. Para uma instituição de ensino de moda, é fundamental ter eventos como esse no Rio de Janeiro para podermos oferecer essa experiência real de mercado aos estudantes. Outro ponto que merece destaque é que a volta da semana de moda, depois de 10 anos, movimenta os negócios, a indústria e o turismo”.

Esse tipo de formação ancorada na prática, tem sido apontado como um diferencial na transição entre ensino e mercado de trabalho. As experiências profissionais durante a formação aumentam a empregabilidade e desenvolvem competências para além de ambientes puramente acadêmicos, como gestão de comunicação interpessoal e tomadas de decisões em contextos imprevisíveis.

Além do aprendizado técnico, a vivência nos bastidores amplia o acesso dos alunos a redes de contato, estratégico em um setor marcado por relações profissionais muitas vezes informais. O contato direto com estilistas, produtores, modelos e equipes técnicas cria oportunidades de inserção que não acontecem em ambientes simulados.

Aluna da Faculdade SENAI CETIQT no backstage dos desfiles (Foto: Divulgação)

Aluna da Faculdade SENAI CETIQT no backstage dos desfiles (Foto: Divulgação)

A iniciativa também previu certificação e contabilização de horas complementares para os participantes, formalizando a experiência no percurso acadêmico. Mais do que isso, no entanto, a atuação no evento funcionou como um primeiro ensaio de carreira: um espaço onde teoria e prática deixam de ser dimensões separadas e passam a operar de forma integrada, sob as mesmas pressões, ritmos e expectativas do mercado.

A precisão da alfaiataria de Lucas Leão

A trajetória de Lucas Leão, conforme ele próprio relata em entrevista ao site, inscreve-se profundamente enraizada em uma herança familiar ligada ao ofício da alfaiataria. Ele é neto de alfaiate e revela que, desde muito cedo, observava a prática do avô como arte inspiradora e técnica. Trata-se, portanto, de uma origem que não se estabelece apenas como memória afetiva, mas como matriz estruturante de seu entendimento sobre o fazer moda.

Esse repertório inicial é posteriormente sistematizado em sua formação no SENAI CETIQT. Nesse percurso, o designer consolida competências vinculadas aos processos de produção do vestuário, articulando técnica e compreensão estrutural da construção da roupa. A trajetória é expandida posteriormente por meio do Hot Spot, projeto criado em 2012 por Paulo Borges, o nome à frente do São Paulo Fashion Week, e que tinha o objetivo de revelar novos talentos em diversas áreas, e do Coletivo Órbita, iniciativa conduzida sob a orientação de professores vinculados à Central Saint Martins, em Londres, em articulação com a curadoria de Olivia Merquior. Estes aprendizados permanecem como fator estruturante de sua linguagem autoral, sustentando, de maneira consistente, a materialidade de suas proposições estéticas e informando as escolhas que atravessam sua prática criativa.

A alfaiataria impecável de Lucas Leão no Rio Fashion Week (Foto: Agnews)

Conheci Lucas um ano depois de ele ter criado sua marca homônima. Em 2019, eu estive no SENAI CETIQT para o evento Meet and Greet com profissionais que estavam criando a sua chancela em um universo sonhado por muitos. As histórias de vida profissional que foram apresentadas mostraram a garra, a persistência, o saber inovar e fazer a perfeita sinergia entre o aprendizado acadêmico, a realidade do mercado de trabalho e o mundo tecnológico em que estamos inseridos. O designer já apresentava coleção na São Paulo Fashion Week.

Lucas Leão durante palestra a Faculdade SENAI CETIQT

À época, ele ressaltou: “Eu passei por diversas faculdades até chegar ao SENAI CETIQT. Buscava um conhecimento técnico para trabalhar com o que eu tinha em mente. Foram quatro anos de curso, o que me ajudou a executar as minhas ideias. O conhecimento que eu ganhei dentro do SENAI CETIQT foi essencial para a minha formação e desenvolvimento de habilidades. O chão de fábrica foi vivenciado e adquiri a experiência para executar as mais diversas criações com minhas próprias mãos”.

Desse modo, sua trajetória pode ser compreendida como a construção de um percurso que articula herança dos momentos que vivenciou com o avô alfaiate, formação técnica e expansão conceitual, estruturando uma linguagem autoral que se apoia tanto na memória do fazer quanto na reflexão crítica sobre os sistemas contemporâneos de produção de moda.

A alfaiataria impecável de Lucas Leão no Rio Fashion Week (Foto: Agnews)

A alfaiataria impecável de Lucas Leão no Rio Fashion Week (Foto: Agnews)

Minutos antes do desfile assinado por Lucas e que integrou o line up do Rio Fashion Week, ele conversou, no backstage, sobre as lembranças do avô alfaiate e a coleção idealizada a partir da realidade do ofício do alfaiate e sua progressiva escassez em um cenário dominado pelo fast fashion. A coleção mergulha em uma pesquisa estética e conceitual que revisita a alfaiataria das décadas de 1940 a 1960, “um tempo em que o fazer artesanal e a precisão técnica desenhavam uma relação duradoura”.

A alfaiataria impecável de Lucas Leão no Rio Fashion Week (Foto: Agnews)

Ao resgatar esse repertório, a narrativa se constrói com propósito: lança um olhar crítico sobre a lógica acelerada do descarte contemporâneo e, ao mesmo tempo, propõe um retorno “ao tempo do fazer, enfatizando o ritual envolvido na construção da roupa e a valorização do gesto manual como fundamento da criação. Trata-se de reivindicar a singularidade do vestuário, concebido não como produto descartável, mas como extensão sensível do corpo e da identidade de quem o veste”.