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Em tempos de crise, setor calçadista se recupera: “O país não fica atrás em termos de indústria e logística”, analisou o consultor Luís Coelho

Como representante, o setor, que é um dos mais importantes da economia brasileira, tem a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. O presidente Heitor Klein apontou os quatro pilares da Abicalçados: "O nosso trabalho enquanto associação representativa do setor é ser voz institucional dos produtores, desenvolver a competitividade e exercer um papel importante na promoção e defesa comercial"

Publicado em 30/11/2016 | Por Heloisa Tolipan

Em tempos de crise, o setor calçadista está conseguindo manter as produções e, inclusive, crescer os números, graças às exportações. Esta foi a constatação divulgada no começo do mês passado que animou os compradores e expositores da Zero Grau – Feira de Calçados e Acessórios que ocorreu na última semana em Gramado (RS). Por lá, o HT conversou com o presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Heitor Klein, que destacou a importância de um evento como este, que foi promovido pela Merkator Feiras e Eventos, de Frederico Pletsch, para a economia do país. “É fundamental, principalmente neste momento em que se vislumbra uma recuperação interessante do mercado doméstico. A demanda, embora não esteja nos moldes desejados em 2010/2011, pelo menos, representa um processo de recuperação sustentável. Isso, a partir do ano que vem, vai trazer um crescimento para o setor”, analisou o executivo.

Heitor Klein, presidente da Abicalçados (Foto: Gramado (RS) - Henrique Fonseca)

Heitor Klein, presidente da Abicalçados (Foto: Gramado (RS) – Henrique Fonseca)

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Segundo Heitor Klein, a palavra crescimento ainda pode ser usada de forma equivocada. Ciente dos números que compõem o panorama, o presidente da associação prefere chamar a melhora do setor como recuperação. “Eu acho que este é o termo mais adequado porque, embora já tenhamos recuperado alguns empregos desde janeiro, nós ainda estamos cerca de 8% abaixo em relação ao ano passado em número de empregos. E, para mim, este é o índice mais adequado para que possamos medir o nível de crescimento do setor. Essa recuperação que é constatada a cada mês é o que nos anima e projeta para o próximo ano melhores frutos”, justificou Heitor.

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E esse cenário animador e positivo do setor calçadista na economia brasileira está diretamente ligado à questão da importação. Concorrente direta dos produtos brasileiros, a China, que é a principal vendedora de calçados no Brasil, registrou um decréscimo de vendas para o setor nacional. Consultor da indústria calçadista, Luís Coelho disse que as mudanças chinesas já eram esperadas. “Como consultor, eu sempre achei que a China, em algum momento, ia começar a ter elevação de custo, problemas ambientas e outros fatores que poderiam interferir na produção deles. E isso está acontecendo e a mudança está começando a refletir no Brasil.

O consultor Luís Coelho analisou o setor e fez prospecções para 2017 (Foto: Gramado (RS) - Henrique Fonseca)

O consultor Luís Coelho analisou o setor e fez prospecções para 2017 (Foto: Gramado (RS) – Henrique Fonseca)

Por mais que para eles os números possam ser poucos, para nós já é um grande alento”, argumentou Luís que fez questão de ressaltar que não é a qualidade ou o profissionalismo do calçado brasileiro que coloca a produção nacional em desvantagem. “O Brasil tem uma tecnologia de produção que é bastante elevada comparando com os outros países da América Latina e do mundo. O nosso país não fica atrás em termos de indústria e logística. No entanto, os custos aqui nos põem em desvantagem. Fora que, até o final de 2015, nós tínhamos uma taxa cambial que não nos permitia exportar tanto. Mas esse ano essa questão nos favoreceu. Em contrapartida, a China, que é a nossa maior concorrente e exporta mais de dez vezes o que nós produzimos, teve uma queda de 5,75% em volume. Esse índice equivale a quase cinco anos de exportação do Brasil. Então, qualquer 1% da China que respingar para nós é como se fossem 100 milhões de pares”, completou.

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No entanto, apesar dos números satisfatórios, o Brasil ainda não reconquistou a sua alta colocação no ranking dos países exportadores de calçados. Segundo o presidente da Abicalçados, Heitor Klein, o país possui hoje um considerável déficit em relação aos embargos estrangeiros. “Hoje, esse número é quase que a metade do que temos em potencial, embora a gente continue presente em cerca de 150 países pelo mundo. Eu acredito que no momento em que retomarmos os nossos níveis de competitividade habituais, a gente poderá voltar a ocupar aquele lugar no pódio entre os cinco países mais exportadores”, especulou o executivo que apontou que os Estados Unidos seguem como principais compradores dos produtos brasileiros seguido da Argentina e dos países da América Latina.

KILDARE – Conforto e versatilidade. Para esta edição da Zero Grau, a marca com quase 100 anos de tradição aposta em modelos casuais e despojados. Com o objetivo de facilitar a vida do homem, a Kildare lança os modelos Inverno 2017 com a proposta de atender o cliente em diferentes momentos do dia com uma estética minimalista. Na prática, a grife traduziu este conceito em sapatos casuais, abotinados, sneakers e até chinelos produzidos em couro natural. Em relação à cartela de cores, a Kildare traz o clássico preto e branco, além dos tons terrosos característicos do material.

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Para 2017, o panorama é ainda mais satisfatório. Como destacou o presidente da Associação, o trunfo do setor no próximo ano será a competitividade. “Esse desafio tem duas vertentes que vai nos proporcionar um retorno significativo ao mercado: a queda na produção e exportação chinesa e o retorno da competitividade da indústria de manufaturados brasileira”, apontou Heitor Klein.

MONFERRARO – Informações de moda e conceito já são referências quando se observa as bolsas da Monferraro. Modelos com acabamentos impecáveis e designs diferenciados já característicos quando se tratam de estilo, conceito e sofisticação. Elementos que imprimem personalidade e ressaltam o conforto da mulher que gosta de ter um modelo para cada ocasião, ou até mesmo que imprima casualidade, aliada ao trabalho, ou um happy hour. A coleção outono inverno 2017 traz desde mini bags, clutches, médias e maxi modelos na linha casual em tons neutros e terrosos, apresentando um inverno mais comedido quando o assunto é cores, mas sem deixar de inovar, aplicando bordados e um transfer de croco no verniz, que além de apostas, são exclusividades da Monferraro. Já a linha festa contempla o charme clássico, muito dourado, prata, chumbo e preto combinados com as cores que sempre são aposta quando o assunto é festa: como vermelho, champagne e o azul marinho. O toque exclusivo da Monferraro para a linha festa fica por conta do tecido de renda nas cores preto e champagne, que surgem nas clutches estruturadas de alta resistência, que só a marca tem. Os detalhes ficam por conta dos adornos em metais como correntes, broches ou detalhes de tecidos também metalizados que agregam brilho e glamour a qualquer look.

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Assim como o executivo, o consultor Luís Coelho também enxerga o próximo ano do setor calçadista brasileiro com otimismo. “Eu acho que nós estamos vivendo um momento de reconstrução do país e o setor calçadista fez os ajustes que precisava para conseguir passar por esse período. Nós ainda vamos viver alguns meses com essas dificuldades que estamos enfrentando. Mas, com certeza, a perspectiva é muito boa. A cada crise pela qual passamos, embora essa tenha sido muito forte, as empresas procuram se ajustar, seja no investimento em tecnologias ou na redução dos custos. Após esse período conturbado, eu tenho certeza que a indústria vai retomar um crescimento muito forte, assim como a economia do Brasil, que deve seguir uma linha ascendente”, analisou.

SAPRI – Criada em 2008 , a Sapri representa uma proposta moderna em sapatos, botas, scarpins e sapatilhas.O espírito jovem aliado a feminilidade são caracteristicas. Posicionada nas melhores lojas do país já se tornou referência de moda e conforto.

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No entanto, esse crescimento deverá ter um outro desafio, conforme apontou o consultor. Para se adequar às necessidades de mercado, Luís Coelho ressaltou que as empresas abriram mão da excelentíssima qualidade dos produtos brasileiros, tal qual sempre foram reconhecidas. “Nós temos tecnologia para fazer os melhores calçados do mundo. Porém, hoje nós estamos vivendo um momento no Brasil de fazer um calçado barato, mas com design, e a qualidade está ficando em segundo plano. Eu acredito que nós temos que voltar a investir em qualidade e o consumidor precisa reconhecer novamente esse aspecto. A concorrência que se gerou no Brasil fez com que todos quisessem baixar os custos. Só que nós não fazemos isso apenas com melhorias na produtividade. Para esta economia, também é necessário mudar as matérias-primas e, consequentemente, a qualidade”, avaliou.

WIRTH – Conforto e elegância são as premissas da grife há mais de 65 anos no mercado coureiro=calçadista. Sediada em Dois Irmão, no Vale do Rio dos Sinos, a marca apostou em botas cano curto e nas cores que mais estão em alta para a temporada Inverno 2017: o preto e o vermelho-cereja.

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Para os tempos de crescimento ou dificuldades, o setor tem a Associação Brasileira das Indústria de Calçados como fortaleza. Como apontou o presidente do grupo, a Abicalçados está presente no Brasil inteiro para apoiar e fortalecer a produção do setor calçadista no país. “O nosso trabalho enquanto associação representativa do setor é ser voz institucional dos produtores, desenvolver a competitividade e exercer um papel importante na promoção e defesa comercial. Esses são os quatro pilares que orientam o nosso trabalho. E eu creio que o destaque vai para o trabalho de consolidação de marcas no exterior e o programa “Calçado do Futuro”, que deve desenvolver a partir deste semestre um conjunto muito expressivo de atividades para o retorno de nossa competitividade”, explicou Heitor Klein.

Fimec 2017 prepara novidades para Estúdio Fimec e Fábrica Conceito

Evento acontece entre 14 e 16 de março de 2017

Com data marcada para os dias 14, 15 e 16 de março, a 41ª edição da Fimec (Feira Internacional de Couros, Produtos Químicos, Componentes, Máquinas e Equipamentos para Calçados e Curtumes), reúne os principais lançamentos do complexo coureiro-calçadista durante três dias, das 13 às 20 horas, nos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo.

O evento que recebe visitantes de todo o mundo já iniciou os preparativos para a sua próxima edição, que contará com novidades. Nesta quarta-feira, 26, Fenac, IBTeC (Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos), Coelho Assessoria Empresarial e Studio 10 se reuniram para anunciar as novidades dos dois projetos que promovem experiência ao visitante: a Fábrica Conceito e o Estúdio Fimec. “O Estúdio Fimec e a Fábrica Conceito são ações que valorizam a Fimec, especialmente por serem ferramentas de divulgação, uma vez que apresentam produtos e processos inovadores dos expositores”, comentou o diretor-presidente da Fenac, Roque Werlang.

Fábrica Conceito: “Tecnologia como Fator de Produtividade”

Considerado um projeto exclusivo no mundo em feiras do setor, a Fábrica Conceito tem o objetivo de apresentar ao visitante a produção em tempo real de calçados. Quem passa pelo espaço, visualiza uma verdadeira indústria calçadista em pleno funcionamento e tem a oportunidade de conferir inovações tecnológicas inéditas.

Para 2017, o projeto terá uma ampliação de 25% em relação ao tamanho da última edição e terá como foco a tecnologia como fator importante no aumento da produtividade. “O projeto é importante tanto para o expositor, que pode usá-lo como uma vitrine para o seu produto, quanto para o visitante, que pode ter acesso a inovações tecnológicas a serem aplicadas no seu processo de produção. As nossas indústrias calçadistas precisam urgentemente agregar tecnologia ao processo produtivo e a Fábrica é o lugar de apresentarmos isso”, comentou Luís Coelho se referindo à parceria entre empresas do setor e a Fábrica Conceito, já que o expositor da Fimec pode fornecer materiais, maquinários e demais itens para serem usados, em tempo real, na fábrica.

Com o crescimento do projeto será possível mostrar de uma forma ainda mais satisfatória a produção dos calçados, bem como o funcionamento do maquinário e o uso dos materiais. O presidente do IBTeC, Paulo Griebeler, reforçou essa oportunidade que os empresários têm de colocarem seus produtos em funcionamento, e consequentemente atrair novos compradores, já que com a prática e visualização do produto fica ainda mais interessante e atrativa. “A Fábrica Conceito é uma ação única, nenhum outro evento no mundo conta com algo semelhante”, afirmou Griebeler.

Na edição de 2017, a Fábrica Conceito contará com 4 linhas de produção e cerca de 60 colaboradores que, em tempo real, executarão a produção de um linha de calçados femininos em couro, uma em calçados femininos com cabedal em poliuretano, uma linha de calçados masculinos em couro e outra linha com calçados femininos com cabedal de alta frequência. Nas tecnologias, a novidade fica por conta de novos sistemas de colagem e injeção direta do solado de Poliuretano, além de sistemas automatizados para produção de calçados com cabedais e solados. A Fábrica contará com a parceria da Usaflex para desenvolver os modelos femininos, e da Pegada para criar as peças masculinas, além de mais de 60 marcas de máquinas e componentes.

Estúdio Fimec: a moda pautada pelo comportamento

O Estúdio Fimec, assinado por Studio 10 e Coelho Assessoria Empresarial, é o espaço dedicado à experiência de moda, projetando já as novidades para 2018 e criando momento de interação e experiência ao visitante. Em um espaço inspiracional, o visitante tem contato com produtos finalizados e construídos a partir de pesquisas de moda baseadas no comportamento do consumidor.

Estes produtos são criados com os materiais dos expositores da Fimec, o que torna o projeto mais uma vitrine dentro da feira. “Todos os calçados e bolsas que são apresentados no Estúdio são vistos pelo público qualificado que visita o espaço. Muitos compradores querem conferir o produto pronto para então ir até o estande e fechar o negócio. Além de um espaço que apresenta moda, o Estúdio é também um impulsionador de negócios dentro da Fimec”, ressaltou Roque Werlang.

Em 2016, mais de cinco mil visitantes qualificados, entre modelistas, compradores, gestores e empresários, circularam pelo Estúdio em busca de atualização e oportunidade de novos negócios. Para 2017, o tema central será o comportamento do grupo denominado “Essenciais” que busca a representação do ser e não do ter, e ainda valoriza o tempo, a desconexão do mundo digital e consumo consciente. Segundo o estilista e diretor do Studio 10, Christian Thomas, existe um anseio pela sustentabilidade, tranquilidade e qualidade de vida. “O grande transformador do mundo é o consumidor, e o consumidor está vivendo esse momento de mais valorização do ser e menos do ter”, afirma Christian que ainda ressalta a proposta do projeto: “nossa ideia é mostrar que a tendência não deve ser a única fonte de pesquisa e inspiração. As marcas precisam ver o que os consumidores estão querendo”.

Com esse comportamento em vista, os expositores interessados em participar do Estúdio são convidados a desenvolver seus produtos de acordo com essa temática. A partir disso, serão criados calçados, bolsas, acessórios e vestuário com esses materiais que serão expostos no Estúdio Fimec.

A Fimec 2017 será realizada entre os dias 14 e 16 de março, nos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo. O evento terá abertura dos portões às 13 horas e encerra às 20 horas. Para demais informações, acesse: www.fimec.com.br

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