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A dermatologista Mônica Azulay destaca a importância do repelente no combate ao Aedes aegypti e diz quais são os produtos que realmente funcionam

Nossa colunista e profissional de respeito na área médica, Mônica conversou com Marcia Disitzer para esclarecer dúvidas comuns sobre o tema. Vem com a gente!

Publicado em 21/02/2017 | Por Junior de Paula

*Por Marcia Disitzer

A estação preferida do mosquito mais odiado do Brasil, o Aedes aegypti, é o verão. A temporada mais quente do ano cria as condições perfeitas para a reprodução do mosquito, transmissor da dengue, zika e chikunguya. Por isso, é preciso reforçar a proteção durante o Carnaval, seja no bloco, no baile, na praia ou no campo. Em sua coluna no site HT, a dermatologista Mônica Azulay destaca a importância do repelente neste combate, diz quais são os produtos que realmente funcionam e esclarece dúvidas comuns sobre esse tema.

MD: Mônica, que tipo de repelente é realmente efetivo contra o Aedes aegypti?
Mônica Azulay: O Centro de Controle de Doenças em Atlanta (CDC) recomenda o uso de produtos contendo agentes ativos registrados na agência de proteção ambiental e são eles: Deet, icaridina e IR 3535. E alguns produtos que contêm para-menthano-diol. Esses repelentes provêm um maior tempo de proteção em relação às picadas de mosquitos. No Brasil, o Exposis garante proteção de quatro horas e o Repelex Family Care, de uma hora e meia. Nos últimos anos, relatos de resistência do Aedes aegypti ao Deet vêm sendo publicados em revistas científicas conceituadas. No Brasil, os repelentes que contêm Deet, como Repelex, possuem concentração máxima de 10%, considerada baixa para uma proteção efetiva. Portanto, é preciso reaplicá-lo a cada uma hora e meia, especialmente em áreas de clima quente e úmido, por conta do aumento da sudorese.

MD: Como deve ser feita a aplicação do repelente?
Mônica Azulay: Aplique o repelente somente nas áreas expostas e sobre as roupas em pequenos jatos. Não o aplique sob as vestimentas. Nunca aplique o repelente sobre cortes ou áreas de irritação na pele. Caso o repelente seja em spray, não o borrife diretamente na face. Aplique primeiramente nas mãos e depois na face, em toques suaves. Em crianças, a aplicação deve ser feita por adultos. Aplicação maciça de repelentes não irá promover uma melhor ou maior duração. Se utilizar filtros solares, o repelente será utilizado sobre o fotoprotetor. Não são recomendados apresentações que associem filtros solares e repelentes no mesmo produto.

MD: Quais repelentes as crianças podem usar?
Mônica Azulay: É importante consultar um dermatologista ao escolher o produto indicado para as crianças. Os princípios ativos dos repelentes recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são icaridina (uso permitido no Brasil em crianças a partir de 2 anos em concentração de 25%), Deet (em concentração de até 10% pode ser utilizado em maiores de 2 anos, sendo que não deve ser aplicado mais do que três vezes ao dia em crianças de 2 a 12 anos) e IR 3535 (permitido pela Agência de Vigilância Sanitária para crianças acima de 6 meses). Bebês com até 6 meses só devem usar mosquiteiros e roupas protetoras. Não são recomendados substâncias químicas na pele nem repelentes elétricos que contenham produtos químicos no ambiente em que se encontram. Também é indicado instalar telas nas janelas e portas e deixar o ambiente refrigerado. Em geral, o uso de repelentes deve ser evitado nas crianças menores de 2 anos. Dos 6 meses aos 2 anos, devem ser utilizados apenas em situações especiais, com orientação e acompanhamento médico. Existem ainda os repelentes naturais. No entanto, como são altamente voláteis e seu efeito costuma ser de curta duração, não garantem proteção adequada ao Aedes aegypti, devendo ser evitados

A dermatologista Mônica Azulay destaca a importância do repelente no combate ao Aedes aegypti e diz quais são os produtos que realmente funcionamMD: Que outras recomendações você poderia dar para reforçar a proteção das crianças?
Mônica Azulay: Procure vestir roupas brancas nas crianças pois as coloridas atraem os insetos, assim como perfumes. Os dispositivos ultrassônicos e os elétricos luminosos com luz azul são ineficazes. Não durma e não permita que as crianças durmam com repelente no corpo. Evite o uso próximo a mucosas (boca, nariz, olhos, genitais), aplique-o nas mãos das crianças e por baixo de suas roupas. Se suspeitar de qualquer reação adversa ou intoxicação, lave a área exposta e entre em contato com o serviço de intoxicação. Se necessário, procure serviço médico e leve consigo a embalagem do repelente.

MD: E quais repelentes são permitidos a gestantes e mulheres que estão amamentando?
Mônica Azulay: Gestantes e nutrizes podem utilizar repelentes à base de icaridina e Deet.

MD: Qual é a eficácia de fórmulas caseiras no combate ao mosquito Aedes aegypt?
Mônica Azulay: Uma das perguntas que recebi sobre esse assunto diz respeito à ingestão de cinco gotas de própolis para repelir o mosquito. O própolis seria então expelido pelas glândulas sudoríparas, através do suor, e afugentaria o mosquito. Isso não é verdade. Há mais de dez anos, foram realizados estudos usando própolis como larvicida quando colocado em recipientes contendo ovos do mosquito Aedes. Nesses estudos, foram feitas soluções com própolis, em diversas concentrações e em diferentes veículos, e realizados testes para avaliar a significância dos resultados. Apenas duas soluções evidenciaram alguma possibilidade. Outra questão é que o própolis é conservado em iodo. Para se “prevenir”, o indivíduo necessitaria ingerir com frequência gotas de própolis. Isso acabaria afetando a tireoide, para não citar outros efeitos indesejados. O mesmo vale para a ingestão de vitamina B1. Doses de vitamina B1, necessárias para encontrar concentrações mensuráveis na pele que gerem odor específico, são elevadíssimas e tóxicas. É preciso ter cuidado com estas mensagens e procurar sempre informações médicas e de especialistas.

Fontes: Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e Sociedade Brasileira de Dermatologia

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Mônica Azulay é considerada uma profissional completa. Ela se formou na UFRJ, seu mestrado foi sobre sarcoma de Kaposi em pacientes com Aids, doença que estuda desde a década de 80, e na tese de doutorado, em 2003, ela se debruçou sobre um assunto pouco abordado naquela época: a atuação da vitamina C tópica no fotoenvelhecimento. Com anos dedicados à dermatologia, Mônica é uma referência na área e atende em sua clínica na Barra da Tijuca e em seu consultório do Leblon.

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