Moda & Beleza

Em 22ª edição do Minas Trend, Salão de Negócios ganha 13 novos expositores e já representa 5% de todo o PIB mineiro

O site HT visitou alguns dos mais de 200 estandes do evento e conversou com profissionais da área que foram unânimes: a semana de moda mineira segue crescendo como maior Salão de Negócios do Brasil

Publicado em 23/04/2018 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Mais de 200 marcas da indústria da moda participaram da 22ª edição do Minas Trend, realizado pela FIEMG (Federação das Indústrias de Minas Gerais) com apoio do Governo de Minas Gerais, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Sebrae Minas, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que tomou o Expominas entre os dias 17 e 20 de abril. A primavera/verão 2019 contou com expositores dos segmentos de vestuário, bolsas, sapatos, joias, bijuterias e acessórios. “Nesta edição, registramos um incremento de 10% na comercialização dos espaços e a adesão de 13 novas marcas – somando 112 expositores de vestuário -, fato que evidencia a confiança do produtor em uma recuperação gradual, porém constante, dos negócios do setor”, analisou Luciano Araújo, presidente do Sindivest/MG. De fato, os expositores mostraram-se satisfeitos com o movimento e resultado de vendas. “Nossa expectativa é positiva, pois acompanhamos a tendência da retomada do poder econômico e de consumo e nosso setor é um dos primeiros a sentir o impacto”, completou Luciano.

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O presidente da Sindijoias de Minas Gerais, Manoel Bernardes, ressaltou que o Minas Trend reuniu a maior mistura de empresas brasileiras com conteúdo autoral. “Vários lojistas e fabricantes consideraram que esta temporada foi melhor em termos de vendas. O fato de aumentarmos o número de expositores, que ocuparam a totalidade da nossa área, demonstra maior confiança das empresas com o futuro da economia”, analisou. Jânio Gomes, presidente do Sindicalçados/MG, endossou o colega: “Desde a edição passada já percebemos um ânimo maior por parte dos expositores e, nessa temporada, confirmamos essa percepção com o propósito de participantes que já querem fechar contrato para a próxima temporada, fato que não acontecia há muito tempo. Aumentamos o número dos expositores, muito em função da data que foi readequada para final de abril o que é interessante para o setor do couro. Hoje o Minas Trend é protagonista em termos de feira de negócios”.

Celso Afonso, presidente do Sindibolsas/MG, tem a mesma opinião e destacou o trabalho realizado pelo Sindicato para captar novos compradores “Vivemos um momento extremamente delicado que, obviamente, se reflete no setor, mas o balanço geral do evento foi muito bom. Estamos crescendo em termos de visibilidade e, quando o cenário clarear, estaremos extremamente bem posicionados e seremos beneficiados. Precisamos usufruir da capacidade produtiva das empresas e, em um segundo momento, crescer. Acredito que poderemos nos recuperar até mesmo no segundo semestre, período que, tradicionalmente, é sempre melhor. Já estamos contaminados por essa positividade”, concluiu.

De acordo com dados setoriais, o evento corresponde a 18% dos postos de trabalho da indústria de transformação do estado. O número é ainda mais expressivo: são 130.039 novos postos, 8944 empresas e 23,5% delas em atuação na indústria de transformação de estado. O Minas Trend representa 5% do PIB mineiro e tem valor aproximado de R$ 7,29 bilhões.

Conversamos com alguns expositores para sentir o termômetro das vendas e repercussão:

Palone Design:
Em sua oitava edição no evento, Palone Leão, revelou que o retorno de sua marca chega a 50% semestralmente. “Tenho a marca há dez anos e o retorno desse Salão é um espetáculo. A cada edição aumentamos a cartela de clientes, conquistamos novos e os antigos continuam. Gosto bastante daqui. Sem falar no convívio de palestras, o novo olhar, ver as marcas, ficar por dentro de tendências, tudo”, analisou ela, que, para essa edição, não fez preview da próxima estação.

“Eu trouxe pronta-entrega de acordo com a coleção atual. Essa coleção vem com muitas pedras naturais, geometria, assimetria. O nome da coleção é Ateliê e, dentro dela, vem um universo de inspirações da minha infância, de minerais. Usei formas geométricas, fios, desenhos a mão. Todo o processo da peça é feito desde o papel, do desenho. É tudo transformado no ateliê. Temos a pantone de inverno como cartela de cores. Verde musgo, bordô, esmeralda, peças pintadas a mão, marfim, azul marinho, que eu amo, acho chique. Muito metalizado também, que está em tudo, as roupas estão com lurex”, disse.

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Diviníssima:
A marca, que completa 10 anos em agosto, chegou com a coleção batizada “Divina Origem”. “É a origem desses dez anos, uma espécie de retrô. Trouxemos muito roxo, ametiste e violeta. A linha sacra, que vendemos muito bem, que são medalhas para o Dia das Mães. As argolas que são tendência e a Diviníssima vende muito”, analisou Wender Moreira, diretor da marca que circula nas mais badaladas celebs. Só para se ter uma ideia, um dos brincos fez sucesso em Anitta no clipe de “Vai, malandra”. Além dela, Ivete Sangalo, Sabrina Sato, Jojo Toddynho e Nicole Bahls são algumas das fãs da marca. “Acho que nosso grande diferencial no mercado é que lançamos no mínimo 400 novos modelos por mês e no máximo 20 peças por modelo. Depois acabou. É uma marca com mais variedade de modelos e melhor preço”, explicou Wender.

O designer elogiou o evento: “Venho pro Minas Trend há oito anos e ele representa muito para a marca. É umas das feiras mais importantes a nível de comercialização, de cliente. Ela representa hoje em torno 20% do faturamento em feiras, não sei dizer pela marca como um todo porque é sazonal”, disse.

Foto: Henrique Fonseca

Ateliê Endy Mesquita:
A alagoana Endy Mesquita participou pela quinta vez no evento e, agora, de forma ainda mais especial. Além do estande no Salão de Negócios, a designer desfilou suas peças na passarela no coletivo Sindjoias. “É lindo ver minha trajetória até aqui. Vim trazida pelo Sindicato, dividindo um estande, agora cheguei na passarela. É uma sensação indescritível, viemos com frio na barriga, parece que estamos trazendo um filho para a escola. Quando acabou o desfile e todo mundo veio elogiar e mostrar fotos, nossa, que delícia. Acho que a moda é isso. Não agradar todos, mas emocionar, encher os olhos. O que mais fiquei feliz foi ver gente que me conhecia mas não tinha visto as peças e quando desfilou veio dizer ‘Endy, tinha certeza que era sua’, que bom. Tem meu DNA”, comemorou.

No Salão de Negócios, suas peças foram sucesso absoluto. “A gente sempre tenta trazer um pouquinho do meu Nordeste pra cá, mas isso se torna um desafio quando se trata da pronta-entrega para o inverno porque o que trazer de inverno do nordeste? Então começamos a nos inspirar nas pedras, no brilho da mulher alagoana, no exagero. Tenho como carro-chefe o body chain. Como atendemos lojistas de roupas, não só de acessórios, estamos tendo grande aceitação desse produto, porque com o body chain transforma a produção toda. Um tubinho preto com ele vira um tubinho preto bordado”, afirmou ela, que, para essa edição, criou peças em tons mais sóbrios. “Usamos cores fechadas nessa estação. Fugi do colorido que sempre trazia, turquesa, roxo, pink. Quis dar um choque. Trouxe preto, brilhos, grafite, ouro velho, furta cor e misturei. As pessoas se vêem vestindo esse acessório em qualquer época do ano sem limitar estação”.

Endy comanda a marca há sete anos, mas só em Minas teve coragem de expandir mercados. “Só abri o atacado quando vim para Minas. Era o público que eu queria, estava preparada para isso. É incrível. Temos contato não só com o lojista que dá o feedback bacana, mas é como se fosse cada lugar do Brasil dizendo o que quer. Cada estado que vende é como se fosse minha arte se expandindo. E estar aqui no meio é um privilegio. Eu estudava e admirava pessoas que agora passam por mim, falam comigo, estão com estandes do meu lado”, destacou. “Eu amo essa feira de negócios. Não tem cursos de férias de beber na fonte? Tenho essa sensação quando estou aqui. Venho disposta a aprender, ouvir, de designers, empreendedores, artistas, lojistas”, disse.

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Monica Di Creddo:
Uma das mais antigas expositoras do Minas Trend, a história da marca homônima de Monica Di Creddo praticamente se mistura com a do evento. “Ele significa crescimento na história dessa marca. Comecei a Monica Di Creddo junto com o Minas Trend e fiz todas as edições de lá para cá. As pessoas sempre perguntam ‘você é mineira?’. Não, mas sou de alma. Sempre fui muito bem-recebida aqui, esse evento foi fundamental para o meu crescimento”, disse ela, que tem sua grife há 11 anos mas, antes disso, já estava no mercado há outros 17.

Para a estação, Monica se inspirou na força da atriz mexicana Maria Felix, conhecida como La Donna entre os anos 40 e 50. “Trouxemos varias referências do México e dela, que sempre foi uma mulher exuberante. Cartier fez coisas exclusivas em homenagem à La Donna, cheia de pedrarias, diamantes, colares de serpentes, crocodilos. Estilizamos mas tem muita medalhas, por exemplo. É a história do México em joias”, afirmou.

Apaixonada pela moda mineira, Monica elogiou o evento. “Amo esse contato com as pessoas, a vibração delas com a coleção, para quem cria é muito importante. A gente vem com frio na barriga, ai entra todo mundo, elogia, a gente sai renovada pra começar outra fase. Esse Salão é a representação da força da moda mineira, não tem como vir aqui e não se embebedar com essa aura, esse envolvimento de Minas com a moda”.

Ivana Salume:
Comandada por Sergio Volpi, a marca levou ao Salão uma linha completamente diferente da anterior, de Inverno. “Quisemos dar uma inovada e, como preview de verão, mudamos a parte tecnológica da nossa matéria. Agora temos uma resina maleável que não quebra, trabalhamos com texturas, colocamos metais, pedras naturais têm sua própria linha”, listou Volpi, que viu, na satisfação de seu público, o resultado. “Queremos ampliar isso, o consumidor gostou, entendeu a proposta. O retorno foi ótimo”.

Há dez anos no mercado, a Ivana Salume esteve presente em sua oitava edição do Minas Trend. “Esse evento é a feira mais importante hoje no Brasil. Os clientes que vêm aqui tem a percepção do que queremos transmitir com a marca. Conseguimos unir o fazer o que gostamos com o cliente entender e nos ajudar a comercializar nossos produtos”, afirmou. “Cada feira é uma somatória. Sempre temos clientes novos e, de uma edição para outra, conseguimos aumentar nosso faturamento de 10% a 12%. Ficamos sempre muito otimistas”, ressaltou. O segredo? “Confiança no trabalho, design, inovação de materiais e profissionalismo, que é o que entendemos como parceria”.

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Leia também: Ateliê Chilanexe ENÇÃO EM SUA SEGUNDA EDIÇÃO NO SALÃO DE NEGÓCIOS DO MINAS TREND E EMPRESÁRIA COMEMORA: “PÚBLICO EXIGENTE E SELETIVO”

 

Patrícia Maranhão:
A designer escolheu o Minas Trend para formalizar seu retorno ao mercado de sapatos. “Achei que nunca mais fosse voltar a fazer, mas deu supercerto. Estou em um momento de resgatar a identidade da marca e os sapatos são parte disso. Misturei cores e materiais e o que me deu mais resultado foi, com certeza, a parte esportiva. Acho que para todo mundo. Fiz um tênis flatform bem alto que foi muito bacana a aceitação”, analisou ela, que continua com suas bolsas tão originais. “Agora estou em uma onda de clutches combinando”.

Com três décadas de marca, Patrícia tem uma longa história com o Minas Trend. “Fiz o início do Salão de Negócios, aí mudei para o Sul e pausei, mas estou agora há três anos e, além disso, sou embaixadora do evento no Sul. Sou apaixonada pelo Minas Trend. Venho aqui e tenho orgulho de ser brasileira. Aqui é conceito, cliente qualificado, focado, informação de moda, qualidade de produto. Esse evento tem que funcionar para sempre”, elogiou ela, que arrisca: “A fórmula desse sucesso é criatividade e foco. A feira focou em um público e tem sua definição de mercado. Aqui concentra um grande número de empresas criativas, mas deveria haver mais representações a nível de Brasil. Temos que democratizar a moda”, levantou.

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Lázara Design:
Depois de propôr coleções-”passaporte”, que tinham como objetivo transportar seus clientes para diversos países pelo mundo, Lázara Ferreira investiu em uma nova viagem: para dentro de si. “Há dois anos resolvemos fazer um trabalho como se fosse passaporte e começamos a criar coleções a partir da ideia de conhecer lugares, afinal, conhecemos através de viagens, filmes, livros e nós convidamos a conhecer através dos nossos acessórios, como se eles fossem seu passaporte. Fizemos referências à Alemanha, Inglaterra, Rússia, França”, lembrou. “Agora, nesse momento que vivemos, de transição, crise no país, e sempre que pensava em dar um nome à coleção me vinha a ideia de essa ser uma viagem para dentro de nós mesmos. Um mergulho interno pra extrair o que temos de melhor, de positivo, de bonito, alegre. Subdividimos em sete temas, fé, harmonia, esperança, alegria… achei interessante porque é diferente e vem a casar com esse momento que vivemos”, explicou ela, que participou do desfile coletivo promovido pela Sindijoias no Minas Trend e apresentou acessórios das sete linhas de sua coleção: Fé, Harmonia, Amor, Sinceridade, Felicidade, Esperança e Razão.

Para Lázara, estar no Minas Trend significa “fazer parte do contexto”. “Hoje é a feira mais bonita que temos no país, está na frente de todas. Ela começou com calçados e bolsas e foi se modificando ao longo dos anos. Hoje o maior poder é festa, então tem um glamour diferente. Para a minha marca, ela representa que eu estou aqui, existo, faço parte”.

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Arte Sacra:
Vitória Régia foi o tema da coleção da marca. Típica da região amazônica, a flor se destaca por sua beleza e, na coleção, leveza e encantos da paisagem tropical se refletem em peças com muita fluidez, mas, ao mesmo tempo, design esculpido para valorizar a silhueta. Transparências e sobreposições ganharam detalhes metalizados, muita cor e pedrarias lapidadas com translucência.

Para a temporada, a marca investiu em três linhas: “shine glam”, pensado para formaturas e outras comemorações especiais, com peças que expressam a força e sensualidade femininas. A “gold glam” vem com kaftans, mangas, echarpes e vestidos em cores ousadas com um toque das décadas de 80 e 90. Por último, a “beach couture” é livre e tem design inteligente para o ritmo da vida festiva, com direito a soluções práticas em peças despojadas, perfeitas para casamentos ao ar livre.

Uma das grandes apostas é o estilo sex appeal, com recortes, fendas e aberturas laterais. Também surgem babados, rendas, brilhos, decotes quadrados e nos ombros, mangas volumosas e top bustiê. A cartela de cores, como não poderia deixar de ser, veio nspirada pelo mood tropical.

O verão da marca teve um quê ainda mais especial. Em cocriação com Carolina e Marcela Malloy, diretoras criativas da marca, o stylist Yan Acioli, Claudia Santiago – nome por trás da mineira Clô -, Ivana Menezes, proprietária da loja que leva o seu nome em Goiânia, e o empresário Heracliton Diniz, da Empório HD, em Recife, fizeram peças em collab que terão parte das vendas destinadas ao Instituto Social Casa de Mãe, ONG que apoia mulheres por meio da capacitação, empreendedorismo, saúde e educação infantil.

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Ellizabeth Marques:
Diversidade cultural, experiências gastronômicas, artigos artesanais típicos de food halls. A vibração dos grandes mercados mundiais seviu de inspiração da label mineira, que levou um mix de cores e formas geométricas para o Salão de Negócios do Minas Trend. Bordados e detalhes deram o tom da multiplicidade de tradições e costumes, com direito a brilho nos tecidos, tramas fluidas e toque de seda nos vestidos. A grande novidade da coleção ficou por conta da Deezer, nova linha da marca, composta por vestidos que trazem o frescor no seu DNA e foram pensados para ocasiões especiais que não exigem um dress code black tie. Tecidos creponados, acetinados, fluidos e alfaiataria se misturam a fendas, laços colares e degagê, conferindo um ar sofisticado aos looks. Modelos lisos e aplicações reforçaram o handmade da grife, presente também nas rendas e drapeados feitos à mão. Pink, roxo, coral, amarelo, vermelho, preto e branco compuseram a cartela de cores. Cintos bordados em couro liso foram desenvolvidos especialmente para a estação.

A estação veio jovem, com moods que foram do romântico ao contemporâneo e sensual. As principais tendências da temporada ficaram por conta de modelos bicolores e laços que valorizam as formas femininas, sem perder a sofisticação. Destaque para os shapes sereia, saias evasê, midi e lady like, cintura marcada, tubinhos, dobraduras, pregas e golas altas. Permanecem na temporada as já tradicionais linhas Ellizabeth Marques, que traz opções clássicas e atemporais; e Bridal, voltada para noivas, com acabamentos em materiais nobres, como organza, jacquard, zibeline e tule.

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Anzetutto:
Inspirações do design italiano aliadas à exuberância da mulher brasileira: só poderia dar bossa. De fato, o Verão 2018 da Anzetutto , marca que completa 24 anos no mercado, veio com sapatos de luxo em alto nível. Prova disso foi a linha “collezione”, confeccionada a partir de peles nobras e exóticas, entre elas a cobra python e a pele de pirarucu. Os modelos possuem edições limitadas, com peles importadas da Indonésia e sob licença do Ibama.

Forros e solados foram trabalhados em couro, criando uma combinação de conforto e muita elegância. Compõem o mix modelos de scarpins, peep toes, botas, sandálias, sapatilhas e flats, arrancando suspiros das shoelovers e transformando looks com uma boa dose de personalidade.

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