Dra. Beatriz Regazzi e a era da quiet beauty, tecnologia a favor da identidade: “A estética deve apoiar, não apagar”


A dermatologista responsável pela unidade Barra da Tijuca da Mealth Clinic, defende uma estética ética, tecnológica e profundamente humana, que respeita história, idade e singularidade. Ela explica por que a beleza do futuro é silenciosa e realista, fala sobre o impacto emocional dos filtros, critica excessos do pós-pandemia e reforça que individualidade não deve ser sacrificada. Ao abordar a menopausa, tema hoje no centro das conversas sobre bem-estar, Beatriz destaca acolhimento, qualidade de vida e tratamentos que devolvem conforto e autoestima. E resume: “Vejo a beleza daqui para frente ‘silenciosa’ porque não grita transformação; tecnológica porque usa a ciência a nosso favor; e humana porque respeita idade, história, rotina e limites. Melhorar é possível. Apagar quem você é, isso não deveria estar em pauta”

*Por Brunna Condini

Em uma época em que a quiet beauty redefine a dermatologia estética e devolve humanidade aos rostos, a dermatologista Beatriz Regazzi, médica responsável pela unidade Barra da Tijuca da Mealth Clinic, defende uma beleza que ‘melhora’ a aparência, mas sem alterar a identidade. “Melhorar o que se deseja não é virar outra pessoa. É suavizar o que incomoda, tratar qualidade de pele, estimular colágeno, entre outras coisas. Sempre respeitando a personalidade e a história daquele rosto”. Especialista em tecnologias como ultrassom microfocado, bioestimuladores e lasers, Beatriz critica os excessos do pós-pandemia, quando muitos buscavam um ‘photoshop ao vivo’, com expectativas irreais. “Pele tem textura, tem poros e isso tem beleza, é parte da nossa humanidade”.

No papo com o site Heloisa Tolipan, ela explica por que a beleza, daqui para frente, será ‘silenciosa’ e tecnológica, fala sobre a linha tênue entre autoestima e cobrança estética, destaca como a menopausa, um dos temas mais falados no momento, exige um olhar gentil e frisa que a identidade não pode ser apagada em nome de um padrão:

A beleza deve refletir quem a pessoa é por dentro. Não existe ‘caixinha’ que sirva para todo mundo, ainda bem. Somos únicos e a estética precisa respeitar isso – Beatriz Regazzi

A dermatologista Beatriz Regazzi, médica responsável pela unidade Barra da Tijuca da Mealth Clinic, defende uma beleza que não altere a identidade de cada um (Foto: Divulgação)

A dermatologista Beatriz Regazzi, médica responsável pela unidade Barra da Tijuca da Mealth Clinic, defende uma beleza que não altere a identidade de cada um (Foto: Divulgação)

Beatriz reforça que o movimento que hoje domina a dermatologia estética nasce como resposta direta aos excessos do período pós-pandemia. Com o uso intenso de câmeras, filtros e reuniões on-line, muitos passaram a observar o próprio rosto com uma frequência inédita, e junto disso, muitos pacientes desenvolveram uma autopercepção distorcida de sua aparência. Com isso, se deu uma corrida por transformações radicais. “Teve uma fase em que todo mundo queria a mesma mandíbula marcada, o mesmo lábio volumoso, o mesmo queixo projetado. Era quase uma receita de bolo”, relembra. “Mas não existe beleza real quando todos saem iguais do consultório. A individualidade se perde, e é justamente ela que sustenta a nossa expressão, nossa comunicação com o mundo e nossa história. Devemos orientar o paciente e alinhar as expectativas com a realidade”.

Esse retorno à naturalidade, no entanto, não significa abrir mão da tecnologia. Pelo contrário: ela é a grande aliada dessa nova estética, desde que usada com critério. “O ultrassom microfocado, bioestimuladores, radiofrequência, microagulhamento de nova geração, tudo isso ajuda a reorganizar estruturas, estimular colágeno e melhorar pontos de luz sem transformar o rosto”, explica. “É uma melhora progressiva, elegante e coerente com a idade e com a rotina de cada paciente”, detalha.

Com o ultraformer, o ultrassom microfocado em ação: "Ajuda a reorganizar estruturas, estimular colágeno e melhorar pontos de luz sem transformar o rosto” (Foto: Divulgação)

Com o ultraformer, o ultrassom microfocado em ação: “Ajuda a reorganizar estruturas, estimular colágeno e melhorar pontos de luz sem transformar o rosto” (Foto: Divulgação)

Sobre procedimentos, a médica reforça, para evitar frustrações:

Pele tem textura, tem pelo, tem glândula, tem poro. Não existe vida real sem esses elementos. E não existe procedimento que entregue a pele de Photoshop que a internet faz parecer possível. A autoimagem na era digital, exige uma abordagem mais ética e realista na área da dermatologia estética – Beatriz Regazzi

Autocobrança, autoestima e o peso dos filtros

Na visão da dermatologista, o maior desafio da atualidade não é técnico, mas emocional. “Hoje a pessoa tem que ser produtiva, jovem, magra, descansada, equilibrada e bonita ao mesmo tempo. É pressão de todos os lados”, pontua. Muitos pacientes chegam ao consultório com expectativas moldadas por influenciadores e o que se vê nas redes sociais. “Criou-se uma fantasia de que na vida é possível eliminar tudo: manchas, rugas, olheiras, textura, ao mesmo tempo. E não é”. Por isso, ela segue uma regra de ouro no consultório: prioridade. “Sempre pergunto: o que te incomoda primeiro quando você se olha no espelho? A gente precisa atacar uma questão por vez. Se tentar resolver tudo junto, a chance de frustração é enorme”.

“Eu sempre pergunto: o que te incomoda primeiro quando você se olha no espelho? A gente precisa atacar uma questão por vez" (Foto: Divulgação)

“Eu sempre pergunto: o que te incomoda primeiro quando você se olha no espelho? A gente precisa atacar uma questão por vez” (Foto: Divulgação)

Menopausa: um divisor de águas 

Entre os temas mais discutidos atualmente, a menopausa tem ocupado lugar central, e Beatriz reforça que esse período exige não apenas cuidado estético, mas sobretudo acolhimento. “É realmente um período determinante para a mulher, embora a gente passe por variações hormonais a vida inteira, na menopausa essa variação é mais brusca e permanente. E existe um declínio”. explica. “A pele resseca, o cabelo fica mais poroso, o corpo muda… e muita coisa é irreversível mesmo. Depois que acontece aquele ‘apagão’ dos hormônios, não tem muito como reverter, mas o conforto e o bem-estar podem existir mesmo neste período”.

Ela celebra ainda, a mudança em relação ao silêncio sobre o tema. “Estamos envelhecendo. Antes a gente morria jovem. Hoje uma mulher de 60 anos está trabalhando, ativa, vivendo. Menopausa não invalida ninguém, e não pode invalidar”, afirma. A médica também lembra que a interseção entre dermatologia, ginecologia e qualidade de vida é fundamental:

Muitas mulheres passam a ter dor na relação sexual, sangramento, ressecamento, até fissuras. E isso derruba a autoestima, afeta o prazer, afeta tudo. O laser íntimo, por exemplo, melhora a lubrificação, melhora o turgor, recupera células que se perdem depois da menopausa. É qualidade de vida, não é frescura – Beatriz Regazzi

"A qualidade de vida pode e deve existir mesmo na menopausa" (Foto: Divulgação)

“A qualidade de vida pode e deve existir mesmo na menopausa” (Foto: Divulgação)

Além do tratamento local, Beatriz reforça a importância da reposição hormonal, quando indicada por ginecologistas e mastologistas. “Isso era um tabu enorme, agora está sendo muito estudado. Tem muitas mulheres fazendo reposição e melhorando seu bem-estar. A paciente precisa conversar com seu médico e entender se ela é candidata a fazer”. E pontua, que no rosto, tecnologias seguem essenciais.

Mesmo aos 80 anos, a gente ainda consegue resultados com procedimentos. Ultrassom microfocado, bioestimulador, laser… tudo isso continua funcionando. A idade não é limite: o limite é a expectativa e a qualidade de vida da paciente – Beatriz Regazzi

Para a dermatologista, a mensagem é simples, e libertadora: “A menopausa muda muita coisa, mas não precisa tirar autonomia, prazer ou autoestima de ninguém. Existe tratamento para quase tudo. O importante é acolher, ajustar e seguir a vida, com dignidade. Autenticidade é sobre decidir o que combina com você, fazer ou não fazer”.

Beleza do futuro: silenciosa, tecnológica e profundamente humana

Ao ser questionada sobre como enxerga a beleza daqui em diante, Beatriz sintetiza com precisão: “Precisa refletir o que a pessoa tem por dentro. Não adianta encaixar alguém em uma estética que não conversa com a personalidade dela”. Para ela, o futuro é individualizado, e isso é libertador. “Vejo a beleza daqui para frente ‘silenciosa’ porque não grita transformação; tecnológica porque usa a ciência a nosso favor; e humana porque respeita idade, história, rotina e limites. Melhorar é possível. Apagar quem você é, isso nem deveria estar em pauta”. Com uma filosofia que une ciência, naturalidade e identidade, a médica afirma algo que parece simples, mas hoje é revolucionário:

A estética existe para apoiar a pessoa e nunca para apagá-la – Beatriz Regazzi

"A beleza agora é 'silenciosa' porque não grita transformação; tecnológica porque usa a ciência a nosso favor; e humana porque respeita idade, história, rotina e limites" (Foto: Divulgação)

“A beleza agora é ‘silenciosa’ porque não grita transformação; tecnológica porque usa a ciência a nosso favor; e humana porque respeita idade, história, rotina e limites” (Foto: Divulgação)