DFB Festival – J. Cabral apresenta ‘Anônimos’ e diz ser mais que coleção: “É manifesto e moda não escolhe sexo, veste corpos”


Em “Anônimos”, os looks belíssimos apresentados emergem da liberdade de não fixar o indivíduo em estereótipos e rótulos de uma sociedade. “É o ser humano em permanente construção com suas histórias, dores, desejos e vivências”. E a mensagem reverberou pela sala do desfile e encontrou escuta em cada um de nós. O que vimos na passarela de J. Cabral, no DFB Festival 2026, maior plataforma da moda autoral brasileira e que ele está desde o início do projeto, foi uma coleção que reafirma sua principal crença e atravessa toda a sua obra: a moda não escolhe sexo. A moda veste corpos. Quaisquer corpos. Todos os corpos

“A moda não escolhe sexo”. “Sem dogmas”. “Profano”. “Herege”. “Pecado da Carne”. Estas foram palavras potentes pintadas nos corpos dos modelos que J. Cabral apresentou durante o desfile no DFB Festival 2026 – maior plataforma da moda autoral brasileira -, realizado em Fortaleza (CE).  “Mais do que uma coleção, o projeto se apresenta como um manifesto sobre liberdade, expressão e pertencimento. Um universo onde o indivíduo deixa de existir a partir de definições pré-estabelecidas e passa a ser compreendido como uma construção contínua moldada por histórias, dores, desejos e vivências. Porque a moda não escolhe sexo. A moda veste corpos”, afirma o designer José Cabral.

No manifesto “Anônimos”, a força da coleção emerge justamente da recusa em fixar o indivíduo em estereótipos e rótulos de uma sociedade. É o ser humano em permanente construção e liberdade com suas histórias, dores, desejos e vivências. E a mensagem de J. Cabral reverberou pela sala do desfile e encontrou escuta em cada um de nós.

J. Cabral (Foto: Nicolas Gondim)

A coleção “Anônimos” marca a celebração de quatro décadas de uma trajetória criativa alicerçada a uma linguagem estética da maestria autoral. A coleção reafirma o compromisso de seu criador com uma moda que encontra na autoria sua expressão mais potente, construindo uma obra que se sustenta pela coerência, precisão do olhar, capacidade de emocionar e o absoluto compromisso com o “alinhavar” criatividade. O refinamento de um pensamento que continua encontrando na moda uma forma de narrar a liberdade do humano.

J Cabral (Foto: Nicolas Gondim)

Foi fascinante observar cada entrada dos modelos na passarela, revelando um criador que domina a linguagem da roupa a ponto de permitir que forma, matéria, movimento e manifesto nos contagiassem por completo. As peças não se esgotavam no primeiro olhar; proporcionavam observações múltiplas de seus volumes, suas proporções e a precisão de cada construção.

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Ao longo de quatro décadas de trajetória, J. Cabral participou da construção de marcas e ajudou a formar profissionais que hoje estão no mercado da moda. Reconhecido por aliar apuro técnico, criatividade autoral e visão de negócio, consolidou uma carreira que se entrelaça à própria história da moda cearense contemporânea. E como um dos nomes pioneiros do DFB Festival, ele levou para as passarelas dos seus desfiles inovação e identidade, que ajudaram a inspirar diferentes gerações.

J Cabral, backstage (Foto: Nicolas Gondim)

J Cabral, backstage (Foto: Nicolas Gondim)

J. Cabral tem uma história de vida profundamente em conexão com o fazer manual: filho de costureira, formou sua compreensão de moda a partir do contato direto com a construção da roupa, entendendo-a não como ornamento, mas como estrutura narrativa e extensão do vivido. Sua formação sensível ao gesto técnico e ao cotidiano do ofício costura uma leitura de corpo que antecede qualquer elaboração teórica.

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

O estilista José Cabral tem 66 anos e, quando iniciou sua trajetória, nos icônicos anos 1980, o cenário da moda autoral no Ceará dava seus primeiros passos num terreno quase inexplorado, que ele ajudaria a desbravar. No final dos anos 1990, ingressou no Fashion Institute of Technology (FIT), em Nova York. Na mesma época, após uma temporada na Europa, retornou a Fortaleza e, ao lado da amiga e futura sócia, Grace Arruda, fundou a Uzuáriu — uma das etiquetas mais populares da cidade, com estética grunge e pop rock que capturou o espírito de uma geração.

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção "Anônimos" (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

J Cabral, coleção “Anônimos” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Mais tarde, com a sua arte, ele esteve à frente do estilo da marca Colméia durante anos, levando seu repertório em modelagem e criação para consolidar um dos maiores grupos de moda do estado. Prestou ainda consultorias para diversas grifes, impulsionando negócios. Essa consciência comercial faz com que usabilidade e o autoral sejam, em seu trabalho, pontos inegociáveis.