DFB FESTIVAL: Casa Aika estreia com “Bença” e transforma a passarela em altar dedicado ao feminino


A Casa Aika estreou no line up do DFB Festival 2026, em Fortaleza, com a coleção “Bença”, manifesto sobre o feminino alinhavado por Marcos Maciel, designer cearense de 30 anos formado pela UFC, inspirado pelas mulheres que marcaram sua vida. Uma estreia que falou do Ceará, de sua luz, de seu vento e de suas mulheres — aquelas que, como nas peças da coleção, moldam o mundo com força serena, sem precisar elevar a voz. Ao completar seis anos de trajetória, a Casa Aika reafirma um posicionamento cada vez mais consistente dentro da moda autoral brasileira. Sua produção evidencia uma compreensão contemporânea do luxo, associada menos à ostentação e mais à qualidade dos processos, à permanência das peças, à valorização dos saberes manuais e à construção de vínculos afetivos com o vestir

DFB FESTIVAL: Casa Aika estreia com “Bença” e transforma a passarela em altar dedicado ao feminino

Uma voz em prece. Uma voz de mulher. Foi com essa reverência quase litúrgica que a Casa Aika fez sua estreia no DFB Festival 2026, o grande encontro multiplicador de moda autoral, cultura, capacitação, empreendedorismo, música e gastronomia realizado em Fortaleza, Ceará. E a passarela não foi apenas passarela. Foi altar. A coleção chama-se “Bença” — e já no nome carrega um mundo. Manifesto poético sobre o feminino, a apresentação nasceu de uma relação de admiração profunda e confessada. “Cresci cercado por mulheres muito fortes, e a Casa Aika sempre foi uma extensão desse olhar. Sempre enxerguei a mulher como algo quase divino, e na minha construção aprendi que existe algo profundamente forte na delicadeza e na sensibilidade”, traduz Marcos Maciel, o designer por trás da marca — cearense de 30 anos, formado em Design de Moda pela Universidade Federal do Ceará.

Casa Aika (Foto: Nicolas Gondim)

A marca cearense nasceu durante a pandemia no digital. Aika, que significa nascida do amor, consolidou, ao longo de seis anos, uma linguagem própria baseada na valorização do tempo, da sofisticação e de uma compreensão da roupa como extensão da subjetividade feminina. Mais do que produzir vestuário, a Casa Aika constrói atmosferas, afetos e modos de habitar o corpo.

Casa Aika (Foto: Nicolas Gondim)

Casa Aika (Foto: Nicolas Gondim)

Casa Aika (Foto: Nicolas Gondim)

A presença do Ceará – com uma combinação entre recursos naturais privilegiados, como o extenso litoral de praias, o clima tropical, média de 300 dias de sol por ano, brisas constantes do Atlântico e cenários paradisíacos – manifesta-se de forma sofisticada e sensorial. Não há reprodução literal de símbolos regionais nem recurso a imagens folclorizadas. O território aparece traduzido pela atmosfera: pela luminosidade que atravessa os tecidos, pela leveza das modelagens, pela relação entre corpo e vento e pela percepção tátil do calor. Trata-se de uma abordagem que reflete uma das transformações mais significativas da moda nordestina contemporânea, cada vez mais interessada em elaborar discursos e ações sobre pertencimento, afastando-se de representações estereotipadas.

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Seu objetivo é sempre criar roupas capazes de traduzir a identidade da Casa Aika — elegante, leve, confortável e genuinamente brasileira — valorizando a beleza feminina em diferentes tamanhos e silhuetas. Por isso, as coleções privilegiam tecidos naturais, modelagens fluidas e ajustes estratégicos que acompanham o corpo com naturalidade. Não por acaso, o designer costuma dizer que a Casa Aika poderia se chamar, sem exagero, “a casa das mulheres”.

Sobre abençoar

Sua estreia no DFB Festival representa um momento emblemático dessa trajetória. Com a coleção “Bença”, a marca apresenta uma reflexão poética sobre o feminino, deslocando a moda do campo estritamente estético para o território da memória, da ancestralidade afetiva e das experiências sensíveis que moldam identidades. O título da coleção evoca um gesto profundamente enraizado na cultura brasileira — o pedido de bênção às figuras mais velhas da família — transformando-o em metáfora para reverência, reconhecimento e transmissão de saberes entre gerações de mulheres.

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Casa Aika – Coleção Bença (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

A “Bença”, portanto, chegou com silhuetas amplas que abraçam. Com transparências sutis. As silhuetas privilegiam o movimento e a fluidez, revelando um entendimento da modelagem como linguagem corporal. Em vez de estruturas rígidas, a coleção aposta em formas amplas que acompanham o deslocamento do corpo, criando uma relação de liberdade entre matéria e movimento. Transparências delicadas e construções leves produzem uma estética de beleza.

Com construções que valorizam o corpo de forma orgânica, quase como se as roupas soubessem, por si mesmas, o que fazer com a pele que vestem. Os materiais são uma declaração por si só: linho 100%, micropaetês que capturam a luz, tecidos de toque sedoso e aplicações em crochê com fios de seda.

Casa Aika (Foto: Nicolas Gondim)

Casa Aika (Foto: Nicolas Gondim)

Especial relevância assume o trabalho artesanal desenvolvido em parceria com artesãs cearenses. As aplicações em crochê realizadas com fios de seda ultrapassam a função ornamental para ocupar um papel estrutural na narrativa da coleção. Inserido no contexto da moda contemporânea, o fazer manual deixa de ser compreendido apenas como herança cultural e passa a ser reconhecido como tecnologia social, capaz de preservar conhecimentos, fortalecer economias locais e produzir valor simbólico. O artesanato surge, assim, como linguagem de permanência em um sistema frequentemente marcado pela velocidade e pela descartabilidade.

A atmosfera sensorial de “Bença” ganhou ainda uma dimensão sonora inédita. A trilha foi composta pelos produtores musicais Tauí Castro e Pedro Madeira a partir de composições de Moacir Santos — apresentadas em arranjo exclusivo para aprofundar a ambiência do desfile por meio de ritmo, emoção e presença. Ouviu-se, no ar de Fortaleza, algo que se aproxima do sagrado.

As mulheres de “Bença” são intuitivas, sofisticadas, delicadas e silenciosamente potentes. Figuras que atravessam não apenas a coleção, mas o próprio olhar de Marcos Maciel — sobre beleza, sensibilidade e força. A moda está presente na vida do designer desde a infância, quando acompanhava a mãe nas idas à costureira. Ela é sobre tudo aquilo que se aprende quando se cresce rodeado por quem molda o mundo sem fazer barulho.

A Casa Aika estreou no DFB Festival com a graça de quem já sabia, antes de subir à passarela, que tinha algo a dizer. E disse, com absoluta certeza.

Estrear no DFB no ano em que a Casa Aika completa seis anos é muito especial. Essa coleção nasce de um lugar muito pessoal e fala sobre o feminino, sobre força, sensibilidade e sobre as mulheres que sempre fizeram parte da minha vida e da minha construção. As peças também carregam muito do Ceará, da luz, do vento, do calor e dessa relação natural entre corpo e roupa. Estou muito feliz de viver esse momento dentro do Dragão Fashion Brasil, que tem uma importância enorme pra moda autoral do nosso estado – Marcos Maciel

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A Casa Aika deixou a passarela do DFB Festival 2026 como quem encerra uma oração e permanece ecoando no silêncio. Em “Bença”, Marcos Maciel celebrou seis anos de trajetória autoral transformando memórias, afetos e referências femininas em roupa, gesto e presença. Entre o linho, o crochê de fios de seda produzido por artesãs cearenses, a trilha inspirada na obra de Moacir Santos, a marca reafirmou sua crença na delicadeza como potência e na moda como linguagem de pertencimento. Uma estreia que falou do Ceará, de sua luz, de seu vento e de suas mulheres — aquelas que, como nas peças da coleção, moldam o mundo com força serena, sem precisar elevar a voz.