Moda & Beleza

Day 2: tricôs, alfaiatarias e muitos clássicos cruzam a passarela da SPFWn43 e promovem um novo fôlego à moda contemporânea

Entre os destaques de ontem, o desfile comemorativo da Ellus foi um sucesso. Para celebrar os 45 anos de história, a grife apostou em um casting nostálgico e estelar que contou com grandes nomes do cenário da moda, como Carol Ribeiro, Mariana Weickert, Luciana Curtis, e Carol Trentini

Publicado em 15/03/2017 | Por Julia Pimentel

*Com Marcos Eduardo Altoé

A maior semana de moda da América Latina mal começou, e já temos muita história para contar. No segunda dia de SPFWn43, um line-up concorrido trouxe boas surpresas para a temporada. Começamos com Vitorino Campos na Galeria ,Ovo, logo cedo, seguindo para uma apresentação intimista no ateliê da estilista Alessandra Affonso Ferreira, da Sissa. Na Bienal, o maior show do dia, o desfile de aniversário de 45 anos da Ellus, com um casting nostálgico. Lolitta e GIG Couture apresentaram um festival de tricôs bastante desejados, enquanto a estreante TWO DENIM fez uma viagem até o Peru para inspirar seu inverno. Por último, mas não menos importante, PatBo com seu streetwear de luxo, e Lino Villaventura com sua viagem abstrata.

Leia também: Day 1: viagem à Itália, arquitetura e cinema inspiram desfiles no primeiro dia de SPFW, que reuniu artistas e celebs na Fila A

VITORINO CAMPOS

Vitorino Campos é um designer habilidoso, que da altura de seus 29 anos já acumula 11 participações na São Paulo Fashion Week. Uma senhora estrada para o baiano, que de longa já pode ser considerado um dos novos nomes quentes da moda brasileira. Eis que 24 horas após apresentar sua coleção para a Animale, marca carioca da qual é estilista, Vitorino agora volta seus olhos para seu inverno 2017 “see now, buy now”. E ele não se intimida pelas recentes alterações no calendário. “Isso é uma mudança do mercado. Daqui há 10 anos vamos enxergá-la como uma coisa que realmente aconteceu na nossa época. Estamos apenas fazendo parte de uma mudança”, reflete.

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A maior inspiração de Vitorino Campos para a temporada foi a obra do cineasta norte-americano Terrence Malick, reconhecido pelos temas filosóficos e pela beleza de suas imagens. “Pegamos essa liberdade dele de construção do filme e fomos construindo uma coleção com mistura de matérias primas, de cores e de personalidades, realmente para criar um universo novo”, explica. E que universo! Materiais nobres são postos à prova ao conversarem com outros, tecnológicos, comuns no dia-a-dia. “Ao acreditar que tudo tem o mesmo peso, medida e valor, tecidos como nylon, seda, couro e lã são apresentados em modelagens de linhas simples trazendo uma forma natural e não linear às peças, mas que dançam em preciosa melodia”.

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Retro pop e surrealismo conversaram com uma alfaiataria robusta, que privilegiou peças de corte mais seco e cintura demarcada em um claro respiro ao cansativo sportswear que tanto vem influenciando a moda. Um suspiro elegante para uma mulher que sonha com um closet sofisticado, repleto de peças-desejo.

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Beleza

Cores e uma pitada de despojamento foram os elementos da colorida maquiagem para o desfile de Vitorino Campos. Assinada por Henrique Martins, a produção seguia a proposta de explosão de cores com um toque de naturalidade. Para isso, o beauty artist usou os dedos para aplicar as sombras azul celeste e pink nos olhos de seis modelos do casting. Desta forma, Vitorino Campos levou para a passarela maquiagens mais ousadas e diferentes uma das outras.

Beleza do desfile de Vitorino Campos na SPFW (Foto: Reprodução/Instagram)

SISSA

O formato “see now, buy now” já é uma realidade para a marca de Alessandra Affonso Ferreira. A designer, antiga sócia da marca Isolda, fez sua estreia na semana de moda apresentando o inverno 2017 de sua Sissa em uma charmosa casa em Pinheiros, São Paulo, local onde funciona seu atelier. “É importante valorizarmos a coleção see now, buy now. Não devemos tratá-la como uma coisa passageira, como o fast fashion. O meu trabalho foi o mesmo, estamos apenas apresentando a coleção em tempo real, para vivermos o presente”, defende.

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A coleção Mombasa Dendê, assim, é resultado de um trabalho de resgate de fotos de família, especialmente as do casamento dos pais de Alessandra, que aconteceu em 1977. “Meus pais se conheceram no Irã e casaram na África, onde moraram durante muitos anos. Eu cresci em meio a tapetes persas, cerâmicas, esculturas de madeira, e para a coleção propus um resgate dessas memórias”, explica. Essa infância nada convencional sustenta uma cartela de cores que aposta em tons terrosos, e também em tons frescos, como o verde menta. A estamparia, assinatura da estilista, elegeu o print de folhas como o tem-que-ter do mix. A silhueta ultrafeminina dos vestidos fluidos abre espaço para um “quê” esportivo, dadas as calças jogging.

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A marca, atualmente presente em mais de 20 pontos de venda espalhados pelo Brasil, é um projeto conjunto entre o marido da estilista, o empresário Julian Stippig, e a Relações Públicas Andrea Serra Madeira. O nome celebra a avó de Alessandra, Silvia, verdadeiro ícone de estilo e personalidade em sua época.

Performance no Atelier Sissa no segundo dia de SPFWn43 (Foto: Agência Fotosite)

Beleza

A leveza garantiu o sucesso da beleza de Cris Biato na estreia do Atelier Sissa na SPFW. Para a performance, a maquiadora apostou em uma produção mais neutra e monocromática, que teve a pele perfeita como pilar. Nos olhos e lábios, o mesmo tom terroso dava a cor da maquiagem. Porém, um dos segredos para o resultado constatado na passarela foi o processo antes da aplicação dos produtos. No backstage, foi realizada uma drenagem mecânica facial com um massageador de olhos.

Beleza da performance do Atelier Sissa na SPFW (Foto: Agência Fotosite)

ELLUS

Neste aniversário de 45 anos, a Ellus decidiu voltar seu olhos para dentro do seu DNA. Sob a batuta da diretora de criação Adriana Bozon e do estilista Rodolfo Souza, a marca trouxe para esta temporada todo o seu savoir-faire, resgatando os clássicos que fizeram parte desta longa trajetória de sucesso. Com um casting matador de 70 modelos, metade composta por um time de veteranas do porte de Carol Ribeiro, Mariana Weickert, Luciana Curtis, e Carol Trentini, só para citar algumas, a it-label parou a marquise da Bienal na tarde desta terça, 14, segundo dia de SPFWn43.

Desfile nostálgico da Ellus no segundo dia de SPFWn43 (Foto: Agência Fotosite)

Fundada por Nelson Alvarenga em 1972, a Ellus segue seu rumo reforçando sua imagem cosmopolita e conquistando os novos consumidores da internet, sem deixar de lado quem é fã há mais tempo. “A marca continua moderna, olhando para o futuro. Mas o público que participou da nossa história ainda nos acompanha. Muito bom fazer parte de uma label de 45 anos que ainda mantém sua identidade”, comenta Adriana.

Com 70 ítens que recontam uma história fervida, a coleção repousa sobre os maiores ícones do universo da marca, como o jeanswear, o fetiche, as jaquetas de couro perfecto e biker, estampas de motocicletas e da águia, t-shirts com o primeiro logo, e os coturnos – esses que, inclusive, vestem homens e mulheres. “No decorrer da coleção temos criações em cima desses códigos adotados com frequência pela Ellus, em especial o coturno unissex, super representativo para a marca, já que ela sempre defendeu a liberdade de expressão e a liberdade sexual, com a segurança para se ser quem quiser ser”, comenta Rodolfo.

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Quando questionados sobre o atual momento desafiador da economia brasileira, Adriana Bozon e Rodolfo Souza se mostraram cautelosos, porém animados com o que está por vir. “Quando voltamos os olhos para a nossa história e selecionamos os nossos essentials, nós diminuímos os sortimentos da coleção para focar no que dá mais resultado, em peças mais assertivas. Todo esse momento de celebração serviu também como uma pausa para reflexão. E hoje estamos dando uma rasteira na crise, acreditando que o Brasil vai mudar e que nós estaremos preparados para mudar junto com ele”, reflete Adriana. “Como diminuímos a coleção, aprimoramos os nossos essenciais. Melhoramos acabamentos, tecidos, e fizemos o que sabemos melhor. Isso instiga a criatividade. Acredito que estamos sempre em busca da perfeição para apresentarmos um produto honesto, com a cara da marca, com essa identidade tão forte e tão bem representada”, completa Rodolfo.

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E será que se o país abraçasse a causa da moda nós poderíamos finalmente alcançar as novas fronteiras do varejo? Adriana é enfática. “O Brasil ainda tem muita lição de casa para fazer. Ainda bem que chegamos em um momento de mudança. Agora já temos em São Paulo um perfeito com uma forte cultura empreendedora, e nós acreditamos nesta nova geração de políticos com uma visão empresarial”.

Backstage do desfile nostálgico da Ellus no segundo dia de SPFWn43 (Foto: Agência Fotosite)

Em sintonia com o “see now, buy now”, a coleção desfilada pela Ellus já está disponível no e-commerce da marca e na sua flagship da Rua Oscar Freire, em São Paulo.

Beleza

Seguindo o clima de festa proposto pela Ellus, Henrique Martins apostou em uma maquiagem after party. Ou seja, nas produções, o beauty artist apostou em três combinações diferentes, de acordo com a modelo e com o look de cada uma. Entre os resultados conferidos na passarela, olhos pretos levemente borrados ou batons vermelhos se destacavam entre as modelos. Em relação aos cabelos, a ideia foi valorizar a textura natural das modelos, que desfilaram a vivacidade dos fios.

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LOLITTA

A jovem Lolita Hannud mostra a que veio neste segundo dia de SPFWn43 promovendo o resgate da Commedia Dell’Arte. A estilista estudou o teatro popular no Século XV na Itália e na França, marcado pela simplicidade e pelo minimalismo de adereços e cenários. Estrela maior dos espetáculos, o palhaço arlequino promovia sátiras ao comportamento humano e às emoções, escolhendo temas como ganância e ciúmes, esses que, segundo Lolita, algo que vivemos todos os dias nas redes sociais. “Trouxe um personagem de época por ser tão atual e relevante para o momento em que estamos vivendo”, explica.

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O arlequino serviu ainda mais, inspirando o volume acentuado das mangas balonês; os padrões geométricos, como losangos desconfigurados, além de listras e xadrezes; e o colorido sofisticado. Tudo isso bastante presente em uma coleção de alfaiataria estruturada por completo em tricô. Os acessórios não ficam atrás; meias de tricô, broches, gravatas femininas.

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Segundo Lolitta, a cartela de cores é extensa, porém neutra por natureza, e faz um passeio pelos tons terrosos, passando pelos avioletados e pelo preto. Destaque para o lurex, usado sem moderação.

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Beleza 

O clima leve e natural foi o pilar para a beleza assinada por Silvio Gorgio. No backstage da Lolitta, o beauty artist contou que optou por uma releitura das produções dos anos 1960 nos cabelos e maquiagens do desfile. Como resultado, o aspecto de leveza e naturalidade se destacaram. “Tanto no cabelo quanto na maquiagem, a gente optou por um resultado bem natural. Para as modelos que têm fios mais crespos, nós respeitamos a textura e para as de madeixas lisa, demos um movimento a mais. No entanto, o ponto alto dos cabelos para este desfile está na parte de trás, que tem um toque leve dos anos 1960. Para isso, fizemos um pequeno volume com aspecto podrinho”, detalhou.

Beleza do desfile da Lolitta no segundo dia de SPFWn43 (Foto: Agência Fotosite)

Em relação às maquiagens, Silvio seguiu a ideia de leveza e sutileza para que o rosto não brigasse com o look na passarela. Afinal, no desfile de ontem, Lolitta trouxe cores e informações em sua coleção Inverno 2017. “Eu fiz uma pele super iluminada, com um pouco de marrom nos olhos e rosa claro para a parte interno dos olhos. O destaque da make está na boa, que é feita com o dedo para não ter o aspecto muito perfeito e marcado”, explicou sobre a maquiagem que priorizou o aspecto fresh e não tinha a proposta de seguir o conceito criativo da coleção. “A gente não queria que a maquiagem combinasse com a coleção, já que as roupas possuem muitos detalhes e informações. Então, preferimos por tirar a atenção dos cabelos e da boca, mas sem abrir mão de uma boa produção”, completou.

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GIG COUTURE

A GIG Couture de Gina Guerra e Patrícia Schettino vai muito além do trabalho cuidadoso em tricô. Natural de Minas Gerais, a grife apresenta uma coleção “see now, buy now” de inverno 2017 que mantém seu DNA forte, desta vez em uma associação muito bem vinda com a moda das ruas. “É sobre cada vez mais desconstruir uma nostalgia urbana. Seguimos com a pegada vintage que já estávamos trabalhando desde as primeiras coleções, além da história do streetwear, para trazer o luxo para as ruas. Cada vez mais estamos tentando brincar com isso”, explica Gina.

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Há quem possa pensar que uma it-label reconhecida pelas peças premium não vá conseguir uma incursão bem sucedida por novas propostas comerciais. A empresária explica, entretanto, que já provou que está no caminho certo. “Pegamos o mesmo tecido que dá vida à uma roupa para a noite, para um casamento, e jogamos em uma calça jogger, uma jaqueta”, rebate.

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A tradição da marca permeia uma série de estampas exclusivas, repletas de personalidade e atitude. Ao que se sabe as criações são resultado do trabalho artesanal com os jacquards e fios especiais aliado aos maquinários de altíssima tecnologia que ocupam a fábrica da GIG. “O trabalho só é possível por conta de toda a técnica envolvida. Mesmo que você enxergue o mesmo tecido em peças diferentes, cada uma possui uma construção única, exigindo uma modelagem exclusiva”, explica Gina Guerra.

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Assim, a qualidade inquestionável do tricô permite uma modelagem que “enxerga” as linhas do corpo feminino ao usar a abusar de recortes, formas e caimentos. O mood da coleção resgata a atitude dos anos 70, 80 e 90, traduzindo peças desejo em uma nova leitura. “Além da modelagem esportiva das calças jogger, trouxe a modelagem flare com um ar vitoriano, em uma brincadeira que deu certo. Completam o mix jaquetas vintage de esqui, corsets, macacões e jumpsuits de silhueta ampla e confortável”, comenta.

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Quando questionada sobre os efeitos da crise pela qual passa o Brasil, Gina é enfática. ”Não está fácil para ninguém. Com certeza não está. Todos os setores estão sofrendo com a crise, e na mode nós temos que ser ainda mais criativos. A GIG não consegue terceirizar seus processos, pois nosso trabalho é muito complexo. Fabricamos os tecidos para em seguida produzirmos as roupas, o que nos impede de reduzir custos”. Ela ainda reforça que o espírito da GIG é comercial. “Tentamos trabalhar roupas que refletem o desejo da mulher. Nunca tivemos uma pegada muito conceitual na passarela, pois acreditamos que roupa é para ser usada”, finaliza.

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Peças selecionadas da coleção estarão disponíveis no dia seguinte ao desfile no SPFW N43, dia 15/3, na loja da marca nos Jardins, em São Paulo. Além disso, neste mesmo dia, os e-commerces Gallerist, Shop2gether e Farfetch também darão início às vendas com alguns dos itens desfilados.

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Beleza

Os anos 1980 foram reinventados na beleza assinada por Robert Estevão. Para o desfile da Gig Couture, o maquiador trouxe diferentes resultados para produções que revezavam os pontos de informação e os penteados das modelos. “A textura de pele é sempre a mesma: super iluminada e com um pouco de blush. Em relação aos olhos, tem os mais gráficos pretos aos um pouco mais esfumados em tons de ocre e preto. Outra maquiagem para o desfile é a que tem o batom vermelho, que concentra a informação da beleza nos lábios”, explicou Robert sobre a produção que foi criada de forma personalizada. Pensada para cada modelo, as maquiagens potencializavam o resultado do figurino na passarela. Para completar essa harmonia, os cabelos também se revezavam entre super topetes e naturalidade dos fios.

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TWO DENIM

Em uma estréia bem amarrada, a TWO DENIM, criada em 2012 por Flávia Rotondo e Alexandre Manetti, convida neste inverno 2017 para uma viagem até um simpático vizinho, o Perú. A marca buscou inspiração na força da cultura Inca, a maior civilização da América Pré-Colombiana. E, apesar de ser mais conhecida pelo jeans, o foco agora é a alfaiataria em tecido plano. “A marca nasceu com DNA jeanswear, e quando nós resolvemos acrescentar uma linha de camisaria na coleção, fui em busca do melhor algodão do mundo, que é o pima peruano. Daí veio o nosso encanto pelo país, e resolvemos contar nesse inverno um pouco do Perú”, explica Flávia.

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A calça jeans, peça-chave da coleção, surge em uma mistura fina com outros materiais, como lã de alpaca, moletom, e, é claro, algodão pima, cultivado nos vales peruanos, colhido à mão – chique! E ainda, elementos étnicos foram incorporados às peças, como bordados manuais, aplicações de aviamentos rústicos, como pompons, tranças com pedrarias, bolinhas e faixas. A modelagem aposta na volumetria. “O desfile vem com muito movimento, com muita sobreposição. Os shapes são amplos, muitos babados, muitas pregas. Sobreposição de peças, como saia por cima de calça, tudo bem típico do povo de lá, mas apresentado na coleção de forma minimalista”, reforça a estilista.

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E, como a primeira vez a gente nunca esquece, perguntamos à estilista Flávia Rotondo como é fazer uma estréia na maior semana de moda da América Latina, e o porquê de só agora ela e seu sócio decidiram fazê-lo. “Já era uma vontade nossa, mas eu sabia que a minha linha de produtos precisaria crescer. Eu não poderia me apresentar no SPFW apenas com uma linha de calças jeans, e por essa razão optamos por desenvolver uma coleção mais ampla”. As novidades de inverno da marca estão disponíveis em esquema “see now, buy now” no site Shop2gether. Ponto para a dupla!

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Beleza

Enquanto na passarela o azul do jeans era destaque quase unanime do desfile da Two Denim, na beleza, o resultado não foi muito diferente. Pelas mãos de Silvio Giorgio, as modelos do casting ganharam pontos de luz e lábios hidratados que tinham o tom do céu como detalhe e informação de cor.

Beleza do desfile da Two Denim na SPFW (Foto: Agência Fotosite)

Com uma beleza super fresh, as maquiagens do desfile da grife estreante na SPFW traziam uma super iluminação na zona T do rosto e brilhos azuis no canto interno dos olhos. Para completar a beleza dos rostos, as bocas ganharam uma super hidratação e um leve batom puxado para o azulado.

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PATBO

Patrícia Bonaldi não decepciona e mais uma vez entrega uma belíssima coleção em sua PatBo. Desta vez, a estilista pescou sua inspiração nas ruas para criar um inverno 2017 repleto de referências ao universo streetwear, com peças luxuosas, nas quais o destaque fica por conta dos materiais, dos acabamentos e das interpretações. “Estou em um mundo totalmente street e hip hop. Eu gosto dessa mudança de humor da PatBo, sabe, a marca é isso. Cai em algum tema para desconstruir e mudar tudo, e mais uma vez conseguimos fazer isso, acredito”, comenta.

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Além dos grafites e das pichações, elementos ícones da rua, Patrícia ainda buscou influencia nas obras do pintor Jean-Michel Basquiat e nos bordados lúdicos de Bispo do Rosário. “Quando escolhi esse mood, decidi defendê-lo do meu jeito. Temos estampas exclusivas desenvolvidas no ateliê, bem artsy, como as pinceladas”, aponta. O tema foi levado a serio, e Bonaldi amarrou até o esquema de cores para caracterizar o universo das artes. “A cartela de cores começa como uma canvas, uma tela em branco, com cinza mescla, preto e branco, para então explodir nas cores, uma tradição PatBo”.

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O esportivo-chique se fez presente nas jaquetas bomber, calças jogger, parkas e moletons. Já a alfaiataria recebeu uma roupagem fácil, apoiada em texturas e assimetria. A coleção ainda recebe um perfume de alta costura por conta dos bordados à mão, do trabalho nos tricôs, e das pedrarias.

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Todo o rebuscamento característico de Patricia Bonaldi nos levou à perguntar sobre o atual momento econômico pelo qual passa o Brasil. E ela está otimista. ”A crise é inegável, ela está presente e ninguém pode falar que ela não existe, que está imune. Mas o meu posicionamento é o de estar sempre a um passo à frente, e não atrás. Eu enxergo a crise como oportunidade. Quando você olha para dentro da sua empresa você começa a enxergar custos, a pensar em processos, e para mim esta é uma oportunidade de sermos mais eficientes”.

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Sobre o desfilou-comprou, o famigerado “see now, buy now”, a estilista também tem um posicionamento bem definido. “Trabalho com muita antecedência, então não sinto o impacto do mercado nesse sentido. Eu na verdade achei muito bom esse ajuste de calendário, que impede que os clientes sofram uma espera muito longa pelo produto. Fico muito preocupada com o nosso cliente, o nosso fã; ele não quer ter que esperar seis meses pela roupa, correndo o risco de desanimar”, termina.

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Uma surpresa para o desfile foi a participação de Helena Bordon, influenciadora mais-mais, musa do Instagram. Ela aproveitou a ocasião para lançar a coleção cápsula Pat X Bordon, que contém 8 peças com variações de cor. Segundo Helena, a ideia surgiu de uma vontade súbita após o retorno de uma viagem. “Estava desesperada por um conjunto de moleton, que todo mundo estava usando lá fora e eu não encontrava no Brasil. E o melhor, tudo se encaixou muito bem com a coleção da Pati”, comenta a blogger. “Estamos em perfeita sinergia!”, comemora Patricia. A coleção capsula esta disponível para pre-order, e será entregue no final do mês. Já a coleção principal de inverno 2017 da PatBo será enviada aos poucos para a loja, até o mês de maio.

Beleza

Cores para que te quero? Em uma coleção que trouxe a irreverência e a riqueza do hip hop e do street style para as passarelas, a beleza foi apenas um plus desta harmonia. A arte dos rostos das modelos, que foi assinada por Henrique Martins, revezava pontos de informação. Na prática, diversas maquiagens foram criadas e levaram à passarela cores intensas nos olhos e nos lábios. Seja verde, pink, laranja ou tons mais escuros, o efeito glossy era unanimidade na produção.

Beleza do desfile da PatBo na SPFW (Foto: Agência Fotosite)

Apesar de super colorida e perfeitamente pensada para as passarelas, Henrique Martins contou que a produção não deixa de ser um reflexo da garota moderna. Segundo o maquiador, esta é uma beleza que pode ser claramente encontrada no nicho que inspirou o conceito de Patrícia Bonaldi. “A ideia é muito jovem, contemporânea e real. Eu acho que essa produção é super de hoje e as meninas que não têm medo de ousar poderiam estar usando por aí”, disse Henrique que acrescentou sobre a proposta das madeixas. “O cabelo é um pouco anos 1980 e tem um leve topetinho com a frente molhada”, completou.

LINO VILLAVENTURA

Mesmice e comodidade não fazem parte da carreira de Lino Villaventura. O estilista, que é símbolo de inovação e de pensar fora da caixinha, mais uma vez surpreendeu na passarela da SPFWn43. Na coleção de inverno apresentada ontem, Lino trouxe as tendências do sport e street wear para sua tradicional identidade luxuosa. Nesta temporada, o estilista apostou em looks oversizeds e pés no chão. Para o desfile da SPFWn43, nada de saltos.

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Consequência da mente inquieta de Lino Villaventura, a coleção tem o abstrato como pilar. Para o estilista, não existe a ideia de um conceito único que reja suas criações. “Eu não falei para ninguém e não acredito nessa ideia de inspiração. Minha arte é muito abstrata e eu gosto de fazer uma roupa bacana e um desfile legal. Essa é a minha identidade e o meu jeito de ser”, apontou.

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Na prática, Lino trouxe uma cartela que passeou por tons neutros e básicos, sem abrir mão de cores mais fortes, como o vermelho que pintou um belíssimo vestido. Nas modelagens, o volume dialogou com uma alfaiataria desconstruída que ainda trazia a vibe esportiva para a coleção. Tudo de forma orgânica e harmônica. Para tal resultado, os tecidos adotados pelo estilista traziam o segredo e o elemento chave para a apresentação. “Os materiais para as roupas eu escolho de forma aleatória. O que eu vejo, gosto e o que meus parceiros me oferecem, eu vou inserindo na coleção. Afinal, eu faço uma transformação nos tecidos e mudo de um possível material banal para um espetáculo. Então, eu gosto dessa ideia de mistura”, contou.

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Beleza

Outro ponto de destaque e que potencializou as criações de Lino Villaventura foi a beleza assinada por Marcos Costa. A dupla, que já protagonizou momentos de autenticidade e criação plural na história da moda brasileira, mais uma vez se reinventou para o desfile de ontem. Segundo o beauty stylist, a provocação foi a intenção principal da maquiagem apresentada. “A gente já inventou tantos conceitos e propostas diferentes nos desfiles, seja na coleção ou na beleza, que sentíamos a vontade de nos reinventar. Então, nós quisemos provocar um pouco, ainda mais neste momento, em que estamos tão enxutos”, explicou.

Beleza de Marcos Costa para o desfile de Lino Villaventura na SPFW (Foto: Agência Fotosite)

Na prática, Marcos Costa apresentou diferentes tipos de maquiagem. Em comum, todas tinham uma intensidade um tanto quanto dramática e artística como características. Nos rostos dos modelos, o maquiador apostou em quadrados negros nos olhos, bocas metalizadas e as comentadas interferências, feitas com rolinhos de pintura. “Quando eu olhei para as estampas do Lino, eu fiquei encantado e quis jogar a ideia para o rosto. Porém, quando falamos em grafismos, pensamos em formas mas simétricas, e eu não gosto disso. Eu prefiro as orgânicas”, disse.

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