Moda & Beleza

Day 1: Dragão Fashion Brasil tem destaque para o handmade cearense, empoderamento feminino e apresentação de novos nomes na passarela de Fortaleza

O primeiro dia de DFB foi das informações valiosas de Alexandre Herchcovitch, que debateu, entre outros temas, a moda upcycling, à renda delicada de Almerinda Maria, passando, claro, pelo handmade e criatividade cearense. No line-up ainda teve: Mary Andrade, Jangadeiro Têxtil Trendshow, Babado Coletivo, Villô Ateliê, Wagner Kallieno e Aládio Marques

Publicado em 25/05/2017 | Por Julia Pimentel

Foi dada a largada. A maior semana de moda autoral do Brasil, com projeções na América Latina, já começou aqui em Fortaleza. E este ano, o Dragão Fashion Brasil é embalado pelo conceito “Viva a Festa”, na edição que celebra os 18 anos de evento idealizado e produzido por Claudio Silveira e seu time de ouro. No primeiro dia, o DFB foi das informações valiosas de Alexandre Herchcovitch, que debateu, entre outros temas, a moda upcycling e atenta às questões sustentáveis, à renda delicada de Almerinda Maria, passando, claro, pelo handmade e criatividade cearense.

Leia também: “Viva Essa Festa: Dragão Fashion Brasil completa 18 anos e agrega à agitada programação de desfiles experiências gastronômicas, musicais e reflexivas em Fortaleza

Desfile da Babado Coletivo no primeiro dia de Dragão Fashion Brasil (Foto: Cláudio Pedroso, Roberta Braga e Pedro Braga)

Aliás, a todo momento, esta é uma edição que reforça a importância do estado e do Nordeste brasileiro na moda. Neste 18º aniversário de DFB, Claudio Silveira fez questão de apresentar um casting 100% nordestino, composto por homens e mulheres de diferentes belezas e curvas, além de escalar seu super time de jovens e consagrados estilistas da região. E foram as apostas do Ceará para a próxima geração da moda local que abriu esta edição do DFB. O primeiro desfile do line up de ontem foi o resultado de 2016 do reality show Comunidade Moda, promovido pela TV Cidade Fortaleza, que apresenta o trabalho autoral de estudantes de moda.

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Na passarela, Mary Andrade, de 24 anos, teve a oportunidade de apresentar uma coleção completa, batizada de “Era uma vez, cidade reluzente”, que é consequência do desenvolvimento de uma peça principal: o look que a consagrou campeã da edição passada. Para isso, a estilista cearense apostou nos tons metalizados, com foco no dourado e cobre, e no branco e preto para o contraste da paleta. Em relação às modelagens, os vestidos de Mary Andrade passearam por shapes mais secos e pelos mais estruturados, que garantiam uma proposta de simbiose entre o conceitual e comercial, identidade que a estilista busca imprimir em sua moda autoral. Como contou, a coleção feita a partir do reality show Comunidade Moda tinha como objetivo apresentar uma mulher poderosa através de suas escolhas fashion. “Eu quero mostrar para as pessoas que todos os sonhos são possíveis, basta batalhar e correr atrás”, completou Mary Andrade.

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Em seguida foi a vez da grife local Jangadeiro Têxtil Trendshow apresentar as criações da dupla Lindebergue Fernandes e Iury Costa. Com uma trilha sonora que embalou os passos no catwalk, a marca fez um desfile urbano, sofisticado e cotidiano. Apostando nas peças fluidas, a Jangadeiro Têxtil Trendshow abusou de tecidos leves, como a viscose, e modelagens amplas, com destaque para as mangas e comprimentos. Nas cores, o branco dividiu espaço com tons mais terrosos, verde e nuances de rosa, que iam do nude ao pink dos tules nas peças mais conceituais. As estampas também ganharam destaque na coleção em versões de listras verticais, opções florais e uma repetição mais moderna, marcada pela combinação de branco, vinho e nude. Para fechar a apresentação e exaltar o clima de festa desta edição, o desfile da Jangadeiro Têxtil Trendshow ainda teve balões na fila final, que potencializaram a energia da noite.

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Agora, uma pausa na euforia. Mais que festejar, o primeiro dia do Dragão Fashion Brasil também cumpriu sua versão engajada e empoderada. Como tradução fiel ao nome da marca, a Babado Coletivo, de fato, agitou o evento de moda cearense. Na passarela, a grife foi dos modelos homens com batom vermelho às mulheres com os seios à mostra para levantar uma causa importante e contemporânea: o feminismo. Desde a música, que repetia a todo momento que “se você não liga, não entendeu”, às plaquinhas que compunham os modelos com palavras como “mina” e “respeito”, a coleção foi uma ode ao debate e à valorização da mulher na sociedade. Mais que uma apresentação de moda, a Babado Coletivo se destacou pela função social e transformadora, que também é importante neste cenário fashion.

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Mas, para além da importância do discurso no evento, a coleção também encantou o público do DFB. Em relação às roupas, a grife apostou nas transparências dos modelos em plástico e tule em contraponto à fluidez da malha e viscose. Porém, na coleção, as cores também ganharam destaque e visibilidade. Até porque, não tinha como ser diferente. Para a temporada, a Babado Coletivo investiu em tons fortes e não poupou na cartela. Nos modelos, tinha cítrico, vermelho, rosa e laranja. Um escândalo fashion! Ou, quem sabe mais óbvio, um babado.

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Das cores e super informações do Babado Coletivo, seguimos o line-up com a delicadeza e o handmade cearense da Villô Ateliê. Cheia de bossa, sofisticação e muita valorização da cultura local, a grife trouxe o crochê como fio condutor da coleção. Em todos os looks, a técnica ganhou aplicações de cristais e pérolas, dos vestidos às hotpants, que encantaram os convidados do Dragão Fashion Brasil. Até nos detalhes, os brincos do desfile da Villô Ateliê também exploravam a técnica do luxuoso crochê bordado, que completava o visual das produções. Nas cores, foi a vez de a grife abusar de tons mais naturais com uma paleta plural de nudes. Mas também, para garantir o contraste da apresentação, o preto fechou o desfile com a clássica e feliz combinação p&b.

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Já para Wagner Kallieno, esta temporada trouxe inspirações da natureza e da moda urbana para sua coleção. Nos looks, que passearam por tons escuros e multicoloridos, como em um camuflado cítrico e desconstruído que fechou o desfile, o estilista fez um libelo à natureza e à sobrevivência dos macacos em uma mistura de estampas de folhagem e da imagem dos animais nas roupas. O que também apareceu como aposta de Kallieno para a estação foram os grafites, que estamparam diversos modelos da apresentação. Nos tecidos, o lurex e a seda garantiram o mood moderno e urbano, que ainda destacou a tendência contínua dos bombers, que costuraram boa parte do stylling.

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Quase no fim do dia, Aládio Marques também apostou em uma ligação com a natureza para o seu desfile no Dragão Fashion Brasil. Por aqui, o que vimos foi uma escalada fashion às dunas e às falésias com looks que combinavam a elegância da seda acetinada com o esportivo das leggings recortadas. A sofisticação da coleção foi quebrada pelo estilista com o uso – e abuso – das cordas utilizadas para escalada. Fossem nas sandálias ou nos detalhes das roupas, o elemento mais bruto e multicolorido era o contraste fashion de Aládio Marques na apresentação. Com destaque para o recorte mais minimalista, o estilista ainda trouxe um conceito arquitetônico às suas roupas e, na paleta de cores, tons terrosos se contrapuseram à força do marinho, branco e verde da coleção.

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Para fechar o primeiro dia de desfiles desta 18ª edição do DFB, Almerinda Maria encantou a passarela com seu mix de rendas. Enaltecendo o artesanato e a cultura do Ceará, a estilista brincou com as multi opções da técnica em combinações delicadas e harmônicas. Entre as rendas usadas nesta coleção, Almerinda combinou com maestria as técnicas renascença, labirinto, richelieu e francesa à organza de seda pura, linho e cambraia de linho. Nas cores, a proposta seguiu clean e delicada com uma cartela que teve branco, turquesa, lavanda, amarelo e, no final, um vestido total black. Já nos modelos, a estilista apresentou desde a tradicional alfaiataria aos vestidos de festa mais trabalhados, com destaques para as mangas volumosas, babados e, claro, transparência.

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Mas o dia não foi só de desfile e culto à identidade fashion nordestina. Para começar esta edição do Dragão Fashion Brasil, o idealizador do evento, Claudio Silveira, trouxe o super estilista Alexandre Herchcovitch para comentar a importância da consciência sustentável no cenário fashion. No debate que iniciou a tarde de quarta-feira, o Dragão Pensando Moda, encontros plurais que promovem reflexão dentro da programação do evento, discutiu a questão da moda upcycling, que reutiliza de diversas maneiras elementos e tecnologias que diminuem o impacto negativo da produção de moda na natureza.

Para tudo isso, o evento que vai até sábado, 27, conta com a energia e coragem de Claudio Silveira e de um time de apoiadores e patrocinadores do Dragão Fashion Brasil. Na coletiva de imprensa que reuniu jornalistas de Norte ao Sul do país, o idealizador e realizador do evento cearense destacou a importância da motivação para continuar esta caminhada que já dura 18 anos. Principalmente em tempos de crise, como a que vivemos, Claudio destacou que é preciso acreditar no potencial do projeto e dos principais personagens, os estilistas do Nordeste brasileiro, para seguir fazendo o maior evento de moda autoral da América Latina. “Eu tenho coragem. Eu gosto de trabalho e acredito no Ceará, nos alunos das faculdades e nos meus estilistas. É por eles que eu luto há 18 anos para fazer o DFB”, disse Claudio Silveira emocionado e já quase sem voz.

Por aqui, a gente segue com a programação intensa do Dragão Fashion Brasil. Hoje, a maratona de desfiles começa às 17h com a apresentação da grife Tramas & Sonhos Saldanha, seguida pelos novos talentos do Ceará Moda Contemporânea. Às 19h, será a vez de Caio Nascimento desfilar suas criações. Depois, o line-up ainda tem André Sampaio, Iury Costa, Rendá por Camila Arraes e, por fim, Kallil Nepomuceno.

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