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‘Viralizou, e agora?’ Gretchen abre o coração em talk show e dispara: “Eu sou uma fênix”

Durante a Zero Grau, feira referência no setor de calçados e acessórios promovida pela Merkator Feira e Eventos, no Serra Park, em Gramado (RS), a 'Rainha dos Memes', segundo o The New York Times, fala sobre as transformações digitais e as relações humanas e recebe a notícia que foi escolhida pela Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação (ANCEC) para receber a medalha “Cruz da Referência Nacional”. "Viralizar em todos os sentidos é poder cair quantas vezes for, levantar, jogar o cabelo e seguir em frente", afirma a cantora

Publicado em 20/11/2019 | Por Heloisa Tolipan

(Foto: Dinarci Borges – FlashTop)

“Eu renasci várias vezes. E essa é a forma de viralizar corretamente. É você compartilhar com todos a garra de sempre dar a volta por cima e superar os maus momentos”. A frase foi dita por Gretchen durante talk show mediado por mim na Zero Grau – Feira de Calçados e Acessórios, realizada em Gramado (RS), palco de grandes negociações de empresários, players da indústria, varejistas de Norte a Sul do país e compradores internacionais. O tema do bate-papo? “Viralizou, e agora? Os limites de transformação digital e as relações humanas”. Na conversa, Gretchen falou para uma plateia lotada no Serra Park sobre o título que ganhou do jornal The New York Times de “Rainha dos Memes”, conquistando todas as gerações depois de uma carreira de 40 anos na música, seus lançamentos nas plataformas digitais, a receptividade em seu canal na internet e a felicidade de saber minutos antes que foi escolhida pela Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação (ANCEC) para receber a medalha “Cruz da Referência Nacional”.  Essa honraria já foi concedida a nomes como Gilberto Gil, Henrique Fogaça, Maju Coutinho, Rubinho Barrichello, Elza Soares, Junior (ex jogador), Nelson Sargento, entre outros.

(Foto: Dinarci Borges – FlashTop)

Vem com a gente!

Heloisa Tolipan – Você se transformou em um fenômeno cultural mundial. Traduzindo para a linguagem da rede, você “viralizou”. E aí? O que se faz quando alguém “viraliza”? Qual foi a sua reação quando se percebeu “viralizada”?

Gretchen – Se você for viver disso pode até ter um ótimo retorno profissional. Mas, eu acho que o “viralizar” foi poder passar para todas as pessoas as minhas experiências, as minhas vivências, como eu renasci várias vezes. É você conseguir transmitir a todos como superou maus momentos. E estou aqui hoje para poder falar que você pode cair quantas vezes forem necessárias, levantar a poeira, dar uma jogada de cabelo e seguir em frente porque assim que é a vida.

HT – Como reage ao título de “Rainha dos Memes” da internet brasileira? A expressão já foi, inclusive, traduzida para o inglês: “Queen of the Memes of the Brazilian Internet” e rendeu reportagem no “The New York Times” e em outras publicações estrangeiras. De que maneira isso mexeu/mexe com o seu cotidiano?

Gretchen – Foi porque eu tenho um público jovem muito grande, os que não conheceram a Gretchen nos anos 80. São pessoas que me conheceram pelo canal na internet, que compartilham os “stickers” no Twitter, que torceram para mim no reality show ‘A Fazenda‘ e que postaram tanto as minhas carinhas que chegaram até a cantora Katy Perry. E essas pessoas também viram que eu sou mãe de filhos naturais e adotivos, que casei, sofri, no passado, violência doméstica, tive uma vida difícil, mas honesta, que perdi um filho… Uma mulher bem parecida com todas vocês, que acorda seis horas da manhã, leva os filhos na escola, cozinha, faz ginástica, lava roupa.

HT – Em 2017, você estrelou o lyric video (clipe com letra) da canção “Swish Swish”, de Katy Perry com 87 milhões de views. Como se deu essa aproximação?

Gretchen – Foi graças ao meu público jovem pelo Twitter. A garotada compartilhava meus memes com a cantora todos os dias. Ela viu tanto a minha cara que perguntou: “Quem é essa mulher?” Ela me fez o convite e lançamos o clipe que deu mais views do que o oficial com a participação de comediantes americanos.

HT – Falando de Gretchen, Katy Perry declarou que “She is the internet” (Ela é a internet) e, quando a cantora esteve no Brasil, ano passado, a convidou para um show em São Paulo. E aí?

Gretchen – Eu nunca imaginei que iria fazer esse show com ela. É uma artista extremamente generosa. Não só me recebeu no palco como também no camarim. Trouxe presentes para mim e eu retribui entregando uma bota transparente com o nome dela inscrito e uma blusa em renda renascença diretamente do nosso Nordeste.

HT – Sua imagem na internet cresceu tanto que, hoje, vai além de um simples meme. É você quem gerencia suas redes? Ainda produz seus vídeos de forma caseira?

Gretchen – Eu cuido pessoalmente das minhas redes. Tem coisas que são extremamente pessoais. Por exemplo, hoje recebi o comentário de uma seguidora que após um tratamento de câncer passou a se exercitar por conta de uma palavra que eu dei de incentivo sobre a prática de esportes. Recebo mensagens de pessoas que superaram a depressão por um carinho que eu demonstrei nas redes. Então, isso é muito pessoal para ter uma equipe respondendo por mim. É algo extremamente íntimo.

HT – Como reage às manifestações em relação às suas postagens no canal?

Gretchen – A partir do momento que não julguem a minha vida pessoal, a pessoa pode interagir e se sentir bem vinda. Esse limite é meu, porque quem toma as rédeas da minha vida sou eu. Eu que escolho as minhas roupas, meus calçados, o que eu vou comer, se eu faço dieta, se eu treino ou não, se eu vou descansar ou não. Um fato engraçado é que por conta do meu nutrólogo, os meus fãs mandam mensagens o dia inteiro mandando eu beber água. Tem um limite sim: não gosto que invadam a minha privacidade.

HT – O que a deixa com mau-humor?

Gretchen – Quando alguém pede para fazer foto comigo enquanto estou comendo (risos). Porque é um momento tão íntimo e as pessoas devem respeitar.

HT – E como lidar com críticas na internet?

Gretchen As pessoas, às vezes, estão muito maldosas na internet. Muitas delas só querem criticar, compartilhar o mal e com o meu canal no Youtube eu procuro fazer com que as pessoas encontrem uma maneira positiva de lidar com essas redes sociais. As pessoas precisam respeitar as opções e as diferenças.

HT – Nos seus vídeos, você se mostra muito à vontade e trata o seguidor de uma maneira bastante informal. É como se estivesse conversando com as pessoas na sala de estar de sua casa. Essa postura foi planejada?

Gretchen – Todos queremos a verdade nas redes sociais. E essa proximidade se deu porque eu não faço vídeos editados. Ninguém quer mais isso. Gosto de gravar meus vídeos cozinhando e com o celular apoiado em cima da fruteira. Eu espero os meus filhos irem para a escola e converso com uma grande intimidade com o meu público. E como não tenho nem suporte para o celular, às vezes ele cai no chão. No fim, tudo continua bem.

Heloisa Tolipan – Você é um símbolo de empoderamento feminino. Concorda com essa afirmação?

Gretchen – Eu adoro perceber que estou sendo uma referência para as pessoas de várias gerações. A minha mãe, por exemplo, com 84 anos, aprendeu a usar as redes sociais e está encantada.

HT – Ao longo de sua carreira, em 40 anos de estrada, você vendeu 15 milhões de discos. O que pensa hoje a respeito do lançamento nas plataformas digitais de singles? Eles são considerados por você fluidos? Duram apenas meses? Então como explica suas músicas serem lembradas como uma chancela até hoje?  Freak Le Boom BoomConga Conga CongaMelô do Piripipi (Je Suis La Femme)

Gretchen – É um mercado novo e eu estou me jogando nele. Só em 2019, eu estou lançando um total de cinco clipes praticamente ao mesmo tempo e com cinco cantoras novos talentos. Eu sou moderna. Fiz uma regravação do Piripipi em techno melody; estou lançando um forró com a Sâmya Maia, ex-Magníficos; gravei um rap e gravei uma música sucesso nos anos 80, Rebola na boa, com uma cantora de 20 anos, que se chama Francinne. E mais: gravei um reggaton.

HT – Você chegou a uma novela em horário nobre da Globo este ano. Participou de ‘A dona do pedaço’ depois de 40 anos de muito trabalho?

Gretchen – Eu fiquei muito feliz com o convite, ainda mais sabendo que o Walcyr Carrasco escreveu esse papel especialmente para mim. Foi uma participação especial e eu fiquei surpresa. Foi maravilhoso estar lá ao lado daquele elenco de primeira e de um núcleo tão plural. Eu amei participar da novela e procurei dar o mínimo de trabalho. E como não sou atriz, eu chegava nas gravações com o texto todo decorado, porque a gente tem de ter respeito pelos artistas que estão ali.

HT – Se defina em três palavras.

Gretchen – Independente, determinada e uma fênix.

HT – Qual o seu maior sonho?

Gretchen – Já realizei todos.

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