*por Luísa Giraldo
Queridas pela web, as mamães da Geração Z Viih Tube e Duda Reis, ambas aos 24, compartilharam a gravidez de cada uma com milhões de seguidores nas redes sociais. Não demorou para que as duas influenciadoras surgissem belas e com corpos esculturais em frente às câmeras. Um milagre da maternidade das celebridades? Não, trata-se do “mommy makeover”, que reúne uma série de cirurgias plásticas e procedimentos após o nascimento do bebê. O combo estético viralizou nas redes sociais, sobretudo após as publicações de “antes e depois” das criadoras de conteúdo e vídeos com sutiãs e cintas cirúrgicas. Milhares de mães, insatisfeitas com seus corpos, estão sendo levadas a seguir o mesmo caminho.
Reforçados pela pressão estética feminina, os problemas com a autoimagem após a gravidez não são desafios enfrentados apenas por famosas. Na verdade, é algo que acontece há décadas e contribui, inclusive, para o receio de muitas mulheres em querer ter filhos. Em consonância, um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que metade das mães se sentem frustradas com o próprio corpo depois de dar à luz.
Viih Tube realizou um combo de cirurgias plásticas após o nascimento dos filhos, Lua, 2 anos, e Ravi, que ainda tem meses de vida. Casada com Eliezer, ela fez lipoaspiração nas costas e braços, abdominoplastia, correção de diástase abdominal, correção de hérnia umbilical e cirurgia de redução e correção das mamas. A decisão foi motivada por razões estéticas e médicas, incluindo excesso de pele após o emagrecimento, hérnia umbilical pós-parto e insatisfação com o tamanho e formato das mamas.
Viih Tube compartilhou nas redes que realizou os procedimentos em junho e que está em recuperação, retornando gradualmente às suas atividades. A criadora de conteúdo mencionou que a recuperação inclui o uso de cinta e que está se adaptando aos novos contornos do corpo. Até as cirurgias, Viih estava um processo intenso de emagrecimento, com uma alimentação mais saudável e uma rotina agitada de exercícios.
Meses antes de fazer as cirurgias, a criadora de conteúdo viralizou ao mostrar o corpo real durante e após a gravidez, compartilhando imagens sem retoques e abordando as mudanças físicas decorrentes da gestação. Essa iniciativa foi vista como um ato de coragem e empatia, inspirando outras mulheres a aceitarem as transformações do corpo durante e após a gravidez.
Por outro lado, Duda passou por procedimentos de cirurgia plástica no pós-parto para corrigir alterações em seu corpo após a gravidez. A influenciadora realizou uma mastopexia com prótese para reposicionar as mamas, lipoaspiração nos flancos e retirada de gordura das costas. Ela revelou ter engordado 27 kg durante a gestação e que, após o parto, passou por esses procedimentos para recuperar sua autoestima.

Viih Tube passou por um “mommy makeover”, um conjunto de cirurgias plásticas para tratar questões estéticas e de saúde relacionadas às suas duas gestações (Reprodução/Instagram)
Durante a gestação, é comum que o corpo feminino passe por alterações significativas. Segundo o cirurgião plástico Alessandro Martins, mudanças nas mamas, no abdômen, nos flancos, quadril e coxas estão ligadas à alta concentração hormonal desse período. Os seios aumentam de volume para a produção de leite, a barriga se distende para comportar o útero em crescimento, e o esgarçamento da pele pode provocar estrias. Além disso, o acúmulo de gordura nos membros inferiores também tende a ocorrer devido à ação prolongada dos hormônios.
Martins observa que muitas mulheres não conseguem manter uma rotina de atividade física durante a gravidez, e algumas ganham peso excessivo, o que agrava ainda mais as alterações corporais. Em muitos casos, só é possível retomar os exercícios e o peso habitual após o período de amamentação.
Para tratar essas mudanças, surge o “mommy makeover” como um “elixir da beleza”. “Trata-se de uma opção cirúrgica que combina procedimentos para restaurar o contorno corporal, com foco principal nas mamas e no abdômen”, identifica o cirurgião plástico.

Duda Reis passou por uma série de cirurgias após o nascimento da filha, Aurora (Reprodução/Instagram)
De acordo com o especialista, nas mamas, há dois tipos principais de alteração: a perda de volume com flacidez, que pode ser tratada com próteses de silicone ou com uma mastopexia (retirada de pele) associada à prótese; e o aumento excessivo do volume, com queda, mais comum em quem já tinha seios grandes antes da gestação. Nesses casos, a indicação pode ser uma mamoplastia redutora ou uma mastopexia sem prótese.
No abdômen, as principais queixas são a diástase dos retos abdominais (afastamento dos músculos da parede abdominal) e a flacidez da pele. Ele explica que a abdominoplastia permite corrigi-los ao unir os músculos e remover o excesso de pele entre a região púbica (normalmente a cicatriz da cesárea) e o umbigo, que é justamente a faixa de pele mais frequentemente acometida por estrias.
Assim, Martins destaca que a lipoaspiração de áreas como flancos, quadris e coxas pode ser associada para refinar os resultados e melhorar o contorno corporal, já que o depósito de gordura nessas regiões também é comum após a gestação.
Para poder se submeter a essa cirurgia, a paciente precisa ter, no mínimo, de três a seis meses do término do aleitamento materno. Ela deve estar por esse tempo sem ter amamentado seu filho ou sua filha um dia sequer: qualquer novo início da rotina de amamentação pode estimular a produção lactífera, fazendo com que as mamas não possam ser operadas nesse período. O ideal é que essas pacientes, além dos três a seis meses sem amamentar, tenham, pelo menos, um ano do nascimento da criança, porque as alterações do puerpério podem estender-se até um ano após o parto.
Para pacientes com alterações menos acentuadas no abdômen, profissional aponta que é possível recorrer apenas à lipoaspiração ou a uma miniabdominoplastia. Ainda assim, o “mommy makeover” costuma envolver a combinação de uma mamoplastia (redutora ou com prótese) com uma abdominoplastia e, em alguns casos, lipoaspiração complementar.
É fundamental que a cirurgia seja feita com segurança, respeitando-se esses períodos de tempo para que a paciente não esteja mais com as alterações hormonais e físicas do puerpério. É importante que ela tenha perdido grande parte do peso ganho durante a gestação: o objetivo da cirurgia não é emagrecimento, mas remodelação do contorno corporal. As associações de mama e abdômen são bastante conhecidas e seguras, desde que se respeite o tempo cirúrgico, as possíveis perdas sanguíneas e, principalmente, quando associada à lipoaspiração, que se faça a lipo respeitando-se o percentual entre três e cinco por cento do peso corporal.
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