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Unha e carne: expo de fotos da casa de Zanine Caldas aproxima Daniel Benassi de Zanini de Zanine!

Tipo novela chique de Manoel Carlos, na Zona Sul do Rio: A sintonia entre o trabalho dos dois artistas é razão para uma amizade que extrapola a admiração profissional!

Publicado em 17/02/2014 | Por Alexandre Schnabl

O dublê de fotógrafo de moda e artista plástico Daniel Benassi inaugura a expo “Fotografias: Arquitetura José Zanine Caldas” amanhã (18/2) às 19h na Galeria Dozen, em parceria com o designer Zanini de Zanine. O buchicho é simples: os dois são amigos de longa data, se aproximaram e acabaram tendo a ideia de fotografar a antológica casa do pai do segundo, o arquiteto José Zanine Caldas, onde também funcionou seu estúdio de trabalho. A casa, desenhada por este, conserva até hoje características de sua visão peculiar de espaço e, por isso mesmo, prato cheio para Benassi desenvolver uma série de fotografias em preto & branco que trazem um novo olhar sobre a textura e os elementos naturais do projeto arquitetônico de 1968, localizado na Joatinga, no Rio de Janeiro.

Proprietário do estúdio que leva seu nome, Zanini de Zanine, com 35 anos, cresceu vendo o pai trabalhar na casa que agora é objeto da mostra. Formou-se em Desenho Industrial pela PUC/RJ e chegou a estagiar com o mitológico Sérgio Rodrigues, quando produziu seu primeiro móvel. A partir de 2003, começou a produzir móveis de madeira maciça de origem controlada, com peças de demolição, em um resultado que é profundamente autoral, mas desde 2005 passou a usar também materiais diversos como plástico, metal, partes de outros produtos industrializados e até metacrilato. Sim, existe vida inteligente nesta última matéria-prima, muito além do uso em clínicas de medicina estética na Barra da Tijuca.

Extremamente entrosado com a cena artística do Rio, Daniel é fotógrafo cheio de bom papo sobre arte urbana e design. Amigo de grafiteiros badalados como Marcelo Ment, Gais e Toz e de artistas plásticos como Mari Liberali, polêmico no dia a dia e carioca da gema, é daqueles que curtem entremear a rotina de trabalho pauleira com o badalo de rua da cidade, fazendo a linha skater. Costuma ser figurinha fácil em pontos da jovem boemia descolada, tipo o Baixo Gávea ou o misto de loja streetwear com galeria de arte Home Grown e, ainda, naqueles bares onde rola chopinho em pé e olhares desviados para as mulheres bonitas que circulam no pedaço. E mais: é capaz de atos impensáveis, como plantar todas as mudas no jardim do prédio onde morava até quase dois anos atrás, em Ipanema. Uma figura! E, sim, ele pertence à inteligentsia que acha fundamental discutir arte com a mesma frivolidade de quem zoa com o povo da moda em agitos descompromissados, naquela vibe do humor descolado. Daniel é mesmo a cara do Rio. HT fez um rápido bate-bola com ele, procurando desvendar como se deu o processo criativo dessa vez, quando, ao invés de top models, foi preciso focar o olhar em telhas, estruturas, paredes e texturas que sofreram a interferência da pátina do tempo. Confira!

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Fotos: Daniel Benassi (Divulgação)

HT: Como pintou a ideia da expo?

DB: A coisa rolou de forma muito natural. Zanine tinha vontade de desenvolver um projeto de interferência fotográfica em cima da obra do pai e nós já éramos amigos. Estive uma vez na casa, fiquei louco e propus a ideia, já que poderia unir minhas duas paixões, fotografia e arte.

HT: Você e Zanine se conheceram como?

DB: Já nos conhecíamos e, volta e meia, nos encontrávamos por aí. Mas comecei a desenhar e produzir móveis há algum tempo e, até influenciado pelo trabalho dele como designer de produto, acabamos nos aproximando mais. Daí em diante, a coisa acabou fluindo naturalmente, como muitas vezes são as coisas no Rio.

HT: E como você pensou em trabalhar as fotos?

DB: Tudo foi muito rápido. A sessão em si durou uma tarde na casa da Joatinga porque tanto eu clico rápido como Zanine é muito lúcido e objetivo. Foi pá-pum. E, claro, como estamos lidando com texturas e linhas arquitetônicas, o resultado fotográfico se assemelha muito mais a quadros ou gravuras. É pura arte, ainda mais quando lidamos com o P&B.

HT: Foram quantas fotos?

DB: O número suficiente para criar a quantidade do conjunto, como uma série de gravuras ou de grafites seqüenciados. Na mostra devemos ter umas dez fotos expostas, talvez onze, estamos vendo isso.

HT: E, para finalizar, o que você diria?

DB: Depois dessa nossa aproximação, existe uma energia muito forte circulando entre nossas personalidades e trabalhos. As obras de Zanine Caldas e Zanini me emocionam. Agora eu diria que há Zanini de Zanine e Benassi de Zanine.

A dupla Zanini e Benassi na montagem da expo (Foto: Divulgação)

A dupla Zanini e Benassi na montagem da expo (Foto: Divulgação)

Serviço:

Galeria Dozen Design Contemporâneo: Rua Siqueira Campos, 143 piso 2 / lj 139 – Copacabana – Rio

Tel (21) 2236-6564

Abertura: 18/2 às 19h

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