Gente & Comportamento

Uma manhã com Alexandre Birman, CEO do grupo Arezzo & Co, e um mergulho no império dos calçados, verdadeiro fascínio das mulheres

Em bate-papo exclusivo, o empresário visionário fala sobre sua visão de negócio, dos hábitos femininos e revela planos

Publicado em 15/08/2014 | Por Heloisa Tolipan

Sexta-feira, dia 15 de agosto. Caminhando pela Rua Garcia D´Ávila, em Ipanema, com um bronzeado bonito em pleno inverno,  Alexandre Birman dá uma parada em frente à vitrine da 130 Garcia D´Ávila Schutz e confere cada detalhe dos acessórios da nova coleção Verão 2015 da marca. Calça jeans, moleton, tênis e celular a postos, ele passa por um típico carioca. E ri quando faço o comentário. Mas, ninguém imagina que o CEO da Arezzo & Co segue em um périplo minucioso Brasil afora de visitação às lojas do grupo, que acabam de trocar suas vitrines e já exibem os lançamentos para a temporada mais quente do ano. Na noite anterior, desembarcou no Rio e seguiu direto para o Rio Sul, e, neste dia, abriu a agenda com a visita à loja de Ipanema e ainda verificaria, até o final do expediente, os trabalhos na Gávea, no Leblon, em São Conrado, na Barra da Tijuca, e em Niterói, antes de retornar a São Paulo, onde mora com a família e gerencia os negócios. Alexandre conversa com cada gerente, confere vitrines, vendas, monta estratégias e esta rotina se repete a cada troca de coleção.

Alexandre Birman em frente à nova loja da Schutz, em Ipanema (Foto: Heloisa Tolipan)

Alexandre Birman em frente à loja da Schutz, em Ipanema (Foto: Heloisa Tolipan)

Assim como ele, o staff de diretoras de unidades de negócios – Cláudia Narciso à frente da Arezzo; Fabíola Guimarães, da Schutz; Yumi Chibusa, da Anacapri; e Milena Penteado, da Alexandre Birman – está em visita por todo o país, conferindo cada filial, conversando com franqueados e fazendo um approach tão fundamental (e pessoal) que chama atenção, já que, nos dias atuais, muitos empresários e seus respectivos corpos gestores acabam preferindo ficar encastelados em seus escritórios, se dedicando a reuniões virtuais e perdendo aquela mão do contato corpo a corpo com o negócio, sem sentir o pulsar do público e do mercado.

Agosto é um mês de comemorações na vida pessoal e profissional de Alexandre. Dia 1º de agosto, ele festejou os 38 anos – “na mesma data de aniversário do diretor criativo Giovanni Bianco e dos estilistas Riccardo Tisci, Yves Saint Laurent (1936-2008) e Glória Coelho”, lembra, em alusão a nomes importantes da moda nacional e internacional – e, no dia anterior a esta sua visita ao Rio (14/8), foram celebrados os cinco anos da abertura da 944 Oscar Freire Schutz Temporary  Store, que, como bem diz o nome, começou como uma loja temporária, mas se tornou tal case de sucesso que entrou em total expansão pelo Brasil e todo o mundo.

Acompanho o trabalho de Alexandre Birman desde sempre e de seu pai, um dos maiores empresários do país, Anderson Birman, hoje à frente da Presidência do Conselho da holding Arezzo & Co. E aproveitei para conversar com Alexandre sobre o atual momento das grifes do grupo. Projetos foram revelados em primeira mão e o empresário falou sobre a paixão das mulheres pelos acessórios. Confira:

– Qual o balanço que você faz do desempenho da Schutz no mercado e quais as novidades da grife?

– A 944 Oscar Freire Schutz nasceu com o conceito de loja temporária com 150 metros quadrados. Expandimos a ideia para o Rio de Janeiro e criamos a 130 Garcia D´Ávila. Cinco anos se passaram e alçamos vôo internacional. O que deu certo? Uma arquitetura revolucionária – privilegiando o design branco e preto -, o produto como protagonista, e a atmosfera de um lugar descolado com eventos de lançamento de coleções. Hoje, as vendas da Schutz correspondem a 35% do lucro da Arezzo & Co, temos 71 lojas em todo o Brasil, inauguramos a 655 Madison Schutz, em Nova York, e vendemos em multimarcas de Hong Kong a Paris, com um grande destaque no Oriente Médio. Em Dubai, estamos na Level Shoe District, uma loja com 30 mil metros quadrados, onde além de Schutz comercializamos também a marca Alexandre Birman. As bolsas produzidas pela Schutz estão em franca expansão de venda. Correspondem a 10% do faturamento da marca, mas, com uma nova equipe de estilo e merchandising, observo um grande sucesso. As roupas by Schutz entram como um adereço, criando um ambiente para entender o branding.  Hoje, somos a maior receita de marca única no e-commerce, o crescimento é tácito e, no dia 2 de setembro, vamos colocar no ar um novo site com novidades estéticas e funcionais.

– Por que as mulheres são fascinadas por sapatos?

– Costumo dizer que nasci dentro da fábrica da Arezzo, empresa que meu pai criou há mais de 40 anos e que dedicou a sua vida sem nunca ter tirado um dia de férias. Sempre observei e estudei o fascínio das mulheres por sapatos e cheguei à conclusão que o processo de elas comprarem um sapato é fácil e prático. Comprar uma roupa demanda mais tempo e humor. Elas precisam ir a um provador, tirar a roupa, experimentar uma, duas, três peças. Olhar no espelho e dar aquele estalo, de ótimo humor, para levar tudo. Já comprar um sapato é mais fácil e o prazer pode ser imediato. É uma peça única e versátil.

– O mercado hoje não quer apenas a troca de coleções a cada estação. O público quer consumir mais e mais, inspirado na velocidade da informação. Como o grupo lida com isso?

– Temos essa exata noção. A Arezzo lança 10 coleções ao ano, assim como Schutz e Anacapri. Alexandre Birman, que tem um público bem diferenciado, quatro coleções. Saímos pelos quatro cantos do país e pelo mundo justamente para sentir o que o público e os franqueados querem. É uma questão de troca, de sensibilidade e de saber fazer.

– A Arezzo também será contemplada com mudanças?

– Estamos renovando o projeto arquitetônico das lojas. Todas ganharão um ar contemporâneo e uma nova forma exclusiva de marketing. Podem aguardar.

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Alexandre Birman e a coleção Schutz Verão 2015 (Foto: Heloisa Tolipan)

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