Gente & Comportamento

Tuca Andrada e sinceridade no Instagram: ‘Tem gente que entra para xingar. Eu só respondo à altura’

O ator, que vive o corrupto Belizário em 'Amor de Mãe', novela das 21 horas da Globo, afirma que não se sentiria à vontade se não falasse do que sente em relação à situação do país

Publicado em 13/01/2020 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

Quando o Instagram do Brasil decidiu que estava na hora de parar de exibir o número de likes de seus usuários, em julho do ano passado, muita gente ficou decepcionada. No primeiro momento o pensamento geral foi: “Como vou medir a minha popularidade?”. O ator Tuca Andrada parece não se importar com esse tipo de questão. Quem o segue na rede social de compartilhamento de imagens sabe que Tuca não se obriga a ser fofo com seu público. Isso se nota nos posts sobre política, em que o ator não dá mole para seguidores mais extremados que gostam de uma treta. “Tem muita gente que entra só para xingar, são pessoas frustradas. Às vezes, os comentários dizem apenas: ‘Seu imbecil’ ou ‘Idiota’. Eu apenas respondo à altura”, conta.

Na quinta-feira (9), por exemplo, Tuca postou um cartoon que fazia piada dos constantes erros de ortografia do ministro da Educação, Abraham Weintraub. No desenho via-se escrito “Miniztério da Educassão” na fachada do prédio em Brasília. Uma seguidora respondeu “Da época da Dilma” e Tuca não titubeou na tréplica: “Vá se informar para não passar vergonha”. Quando a coisa engrossa de verdade, ele não hesita em pedir para o “fã” se retirar: “Vaza”, manda, sem mais conversa. “E aí a pessoa me chama de grosso. Só sou grosseiro com quem me trata com grosseria mas, ainda assim, procuro dar a resposta com humor”, explica o ator, que completou 55 anos em dezembro.

“Não tenho medo de dizer o que eu penso. O nível do debate, sim, me apavora. É rasteiro demais, baixo. Eu sabia que o país andava mal, mas foi um choque descobrir que a capacidade de raciocínio das pessoas é tão pequena e como é fácil manipular o povo. Foi doloroso saber que há muito mais gente manipulável do que eu achava. O Brasil está passando por um momento horroroso, extremamente difícil, e eu não me sinto à vontade de ficar calado”, diz Tuca, acrescentando que nem todos os comentários da “oposição” são mal recebidos: “Tem vários que me fazem pensar e me questionar. Muitas ideias que vão contra o meu pensamento em que preciso prestar atenção”.

Tuca também tem zero paciência para gente desinformada. “Tenho Instagram há seis anos. Sempre fui crítico em questões políticas, alguns amigos até ficaram chateados comigo pelas críticas que eu fiz aos governos petistas. Então não tolero quando vêm dizer que eu estava calado e comecei a criticar governo ‘só agora’. Não sabem sobre o que estão falando. Outra: uma mulher mandou comentário metendo o pau na Lei Rouanet. Insistiu até eu pedir que explicasse como funcionava. Ela não sabia…”, indigna-se o ator. “Tem uns que, para me agredir, dizem que eu estava no ostracismo, que fui posto na geladeira. Cara, estou há uns três anos emendando um trabalho no outro, sem parar. É falta de informação misturada com agressão”.

Tuca Andrada como o vilão Belizário em uma cena da novela das 21h, ‘Amor de Mãe’ (Reprodução)

Outro tipo marcante detectado pelo ator é o carente. “Aprendi a identificar quando a pessoa só quer atenção. Tem muita solidão no Instagram. Eu não respondo quando me deparo com esses tipos”, revela, acrescentando que entrar num diálogo com gente carente demais pode se transformar numa bola de neve. “Aí não se faz outra coisa”.

Dito assim parece que os detratores de Tuca são maioria. , . Muito pelo contrário: a imensa maioria dos comentários é de admiradores, de seguidores que, quando não mandam recados positivos, enviam emojis de corações, mãos batendo palmas, flores etc. Tudo do bem. E ele também não posta apenas comentários e memes políticos. “Tenho um público gay e feminino grande. Gosto de postar fotos sem camisa. Gosto de receber elogios, que me vejam”, conta. Como a rede é um campo minado, porém, outro dia um seguidor “acusou” Tuca de ganhar dinheiro fazendo poses sensuais. A resposta foi algo assim: “Acabei de acordar, estou com olheiras, com essa cara furada que eu tenho iluminada pela luz de um banheiro. O que tem de sensual aqui, cara?”. O “fã” não se manifestou mais.

Nesses seis anos de Instagram, Tuca afirma que jamais se magoou com algum comentário. Mas conta um caso que tocou fundo no coração: “Um cara da Bahia comentou que se sentiu agredido pelo especial de Natal do Porta dos Fundos. Respondi sem muito cuidado. Começaram a chegar os comentários, todos dizendo que eu havia sido muito grosseiro com ele, que não precisava etc. Mais de 200 mensagens. À noite, chegou uma mensagem dele pedindo desculpas por ter me causado problemas porque muita gente estava escrevendo para mim”, conta o ator. “Fiquei tocado. Pedi para ele não parar de escrever. Dava para ver que era uma pessoa muito simples, mas era educadíssimo. E ele me agradeceu por eu ter respondido”.

Como se vê, no mundo real as pessoas não são 100% vilãs ou 100% heroínas. Assim como na novela das 21 horas da Rede Globo, “Amor de Mãe”, que vem primando pelo realismo. Até o personagem de Tuca, o policial corrupto Belizário, definido pelo ator como “predador”, vai mostrar um lado mais humano em breve.

Ele está felicíssimo com o trabalho na trama, que considera moderna e antenada com temas fundamentais. “Todos os personagens são riquíssimos, não há um que não tenha uma boa história. Dá para perceber que o elenco foi escalado com extremo cuidado. A maneira de gravar a novela é moderna. Usamos só duas câmeras, o que deixa mais parecida com cinema. Por isso, muitas vezes tem alguém falando de costas para a tela, você vê a reação de quem está ouvindo, é bem interessante”, elogia. “Havia tempos que eu queria trabalhar com a Manuela (Dias) e com o (José Luiz) Villamarim”.

A rotina da novela é puxada, já que as gravações são diárias. São 40 páginas por dia num modo de filmagem mais artesanal. E se for preciso repetir tudo, repete-se tudo. Tuca conta que o plano-sequência do primeiro capítulo, em que uma única câmera acompanhou Magno (Juliano Cazarré) correndo entre o posto onde trabalha e o ponto de ônibus, levou um dia inteiro para ser rodada.

Nesse ritmo, as atividades preferidas dele, que veio de Pernambuco para o Rio Rio há 34 anos e hoje mora no Leblon, terão que ficar para depois: “Hoje eu me limito a ficar quieto”, brinca. “Já fui muito para a noitada. Muito mesmo. Atualmente saio com amigos para jantar e vou muito ao teatro. Gosto de ficar em casa estudando e pensando em projetos”.

Algum projeto para depois de “Amor de Mãe”? “Férias! Vou descansar depois de muito tempo”.

 

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