Simony: Em meio a lançamento de EP, cantora lida com tragédia de Covid na família: ‘Meu coração em pedaços’


A cantora fala do novo álbum “Resumo da Felicidade EP 02” e da batalha diária contra a Covid-19 na família, onde há 6 pessoas que testaram positivo e, na semana passada, o tio de Simony morreu vítima do novo coronavírus. Aos 44 anos, recorda o passado e faz um balanço da vida: “Com certeza têm coisas das quais me arrependo, mas acho que devemos levá-las para o lado do aprendizado mesmo — de viver, crescer e aprender com os nossos erros. A experiência de vida fortalece a gente. Não devemos ficar presos ao que poderia ser, o que deveria ser feito e questionamentos do tipo”

* Com Bell Magalhães

Uma perda na família para a Covid-19 interrompeu a alegria do início de uma nova fase. Se reinventando ao longo de 38 anos de carreira, Simony lançou recentemente o segundo EP de “Resumo da Felicidade”. Em ritmo de samba, o projeto faz parte de um DVD homônimo, no qual a cantora gravou uma série de músicas, umas consagradas e outras inéditas. Títulos como “Caixa Postal”, “Amor não Passa” e “Insônia” estão presentes no novo trabalho. Ao todo, serão quatro álbuns extraídos da gravação ao vivo, totalizando 28 músicas. Em post recente nas redes sociais, a cantora falou do sentimento de impotência que surge com a morte de um familiar: “Meu coração ainda está em pedaços. Choro pelo meu país, pelos meus amigos e por não poder abraçar aqueles que amo”, desabafa. O tio, Marionaldo Leonel Dantas Benelli, morreu semana passada, logo após ser transferido para o CTI do hospital em que estava internado, e a cantora revela ainda que há mais 6 pessoas da família com Covid-19.

Simony fala dos cuidados com a pandemia em meio ao lançamento do novo projeto "Resumo da Felicidade, EP. 02" (Reprodução Instagram)

Simony fala dos cuidados com a pandemia em meio ao lançamento do novo projeto “Resumo da Felicidade, EP. 02” (Reprodução Instagram)

O meio artístico tem sentido a perda de muitos nomes assim como todos no Brasil. Segundo a artista, o distanciamento social a fez refletir sobre o próprio trabalho: “Tive mais tempo para olhar para mim mesma e realizar algo que conversasse com a minha identidade. E partindo dessa intenção, nasceu o DVD”, mas lamenta: “É ruim quando fazemos algo sem o público, porque não tem a mesma intensidade, aquela sensação de calor, mas era a única forma de darmos continuidade ao nosso trabalho”. Para respeitar os protocolos de segurança, a filmagem foi feita em um dia, com equipe reduzida e seguiu todas as normas sanitárias para poder preservar a vida de todos os envolvidos. “Quando nós gravamos, todos os envolvidos fizeram o teste de para Covid-19 antes de participar, fora o protocolo de proteção. Se gravássemos hoje, seria muito mais complicado por conta do agravamento do contágio. As coisas não estavam tão ruins como estão hoje, mas nós cuidamos de tudo.”

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Além do trabalho, a rotina de cuidados se estende até a casa da cantora, inclusive com familiares, antes próximos, como a própria mãe: “Ela é idosa e tem doenças pré-existentes. Apesar de não abraçar a minha mãe há um ano, não posso deixar de seguir os protocolos. Quando ela vem aqui em casa, fica distante da gente, do lado de fora, sempre de máscara, só para vermos o rosto dela e matarmos um pouco da saudade”. Como milhares de brasileiros, Simony perdeu recentemente um ente querido na luta contra a Covid. O tio, Marionaldo Leonel Dantas Benelli, morreu na última semana em decorrência do novo coronavírus. Sobre a irresponsabilidade coletiva em meio ao aumento de casos, a artista desabafa: “Apesar de existir algumas pessoas diminuindo a gravidade da pandemia, levando na brincadeira, eu estou com outros seis membros da família diagnosticados com Covid-19, e alguns em estado grave. Só saímos de casa para o necessário — ir ao mercado, à farmácia e sempre de olho. Não entrar de sapato em casa, lavar as compras ao chegar do mercado e usar máscara, às vezes duas ou três, são atitudes fundamentais se quisermos frear o contágio dessa doença”, lamenta. 

"Não entrar de sapato em casa, lavar as compras ao chegar do mercado e usar máscara são atitudes necessárias se quisermos frear o contágio dessa doença" (Reprodução Instagram)

“Não entrar de sapato em casa, lavar as compras ao chegar do mercado e usar máscara são atitudes necessárias se quisermos frear o contágio dessa doença” (Reprodução Instagram)

Mãe de quatro filhos — Ryan, de 20, Aysha, de 17, Pyetra, de 14 e Anthony, de 7 anos —, Simony fala das dificuldades de adaptar a rotina das crianças, especialmente a do caçula, que se divide entre a casa do pai, o engenheiro Patrick Silva, e a da cantora a cada 15 dias: Vejo o meu filho mais novo constantemente estressado. É quase impossível uma criança de 7 anos ficar cinco horas na frente de um computador e prestar 100% de atenção em uma aula online. Sei que é necessário, mas ele já está exausto, longe dos amigos e da escola e trancado dentro de casa o tempo inteiro… Fica complicado, né?”. Sobre as formas de relaxamento da em família, a artista compartilha, aliviada: “Ainda bem que moramos em uma casa com quintal no qual eles podem ter contato com a natureza, brincar com os cachorros, caminhar no condomínio e se distraírem de alguma forma. Já eu procuro ler, assistir a um filme, ouvir um podcast, fazer coisas que supram o meu lado espiritual. Tento tirar alguma coisa disso tudo,  ser uma pessoa melhor e olhar para o próximo”, pondera. 

Simony e família: "Tento tirar alguma coisa disso tudo, ser uma pessoa melhor e olhar para o próximo" (Reprodução Instagram)

Simony e família: “Tento tirar alguma coisa disso tudo, ser uma pessoa melhor e olhar para o próximo” (Reprodução Instagram)

Durante a pandemia de Covid, Simony conta que adaptou a forma de trabalhar e avalia as circunstâncias às quais ela e outros profissionais se encontram: “Faço lives, vídeos, mas não é a mesma coisa. Infelizmente não há o que fazer, porque a saúde é o mais importante que temos na vida. Trabalhamos da forma que podemos. Queria muito voltar aos palcos, com público, mas não é o momento. Não podemos nos aglomerar ou fazer algo que possa colocar vidas em perigo, então devemos continuar desse jeito. Rezo e peço que a vacina chegue logo para todo os brasileiros para voltarmos o quanto antes para um mundo um pouco normal. Não como era antigamente, mas um pouco do nosso normal. Precisamos voltar a trabalhar, não sou só eu. Existe uma equipe inteira por trás de um show, damos emprego para muitas famílias”. 

"Não podemos nos aglomerar ou fazer algo que possa colocar vidas em perigo, então devemos continuar desse jeito" (Reprodução Instagram)

“Não podemos nos aglomerar ou fazer algo que possa colocar vidas em perigo, então devemos continuar desse jeito” (Reprodução Instagram)

Desde os seis anos sendo alvo da atenção da mídia e do povo, a ex-integrante da Turma do Balão Mágico teve que lidar com críticas vindas de todos os lados, uma constante na vida de Simony. Conhecida pelo seu jeito sincero e por falar o que pensa, a cantora diz ter mudado a percepção ao longo dos anos na indústria. “Eu não tenho mais essa necessidade de estar preocupada com o que os outros vão falar ou achar de mim — foi uma preocupação de quando era mais nova. Hoje, acredito que a crítica diz mais sobre quem te critica do que você mesmo. Às vezes a pessoa está passando por uma situação de falta de amor próprio, frustração ou algum problema interno e quer jogar esses sentimentos ruins em alguém que não tem nada a ver com a situação. Por esse motivo eu acabo não me sentindo mal pelos ataques à minha imagem”. 

"Eu não tenho mais essa necessidade de estar preocupada com o que os outros vão falar ou achar de mim" (Reprodução Instagram)

“Eu não tenho mais essa necessidade de estar preocupada com o que os outros vão falar ou achar de mim” (Reprodução Instagram)

A cantora declara que um dos aliados neste processo é seu noivo, o cantor Felipe Rodriguez. O casal enfrentou comentários maldosos sobre a diferença de idade e a rapidez do relacionamento, mas a cantora diz estar em paz: “Tenho uma pessoa incrível ao meu lado, o Felipe. Ele é muito mais evoluído e tem uma cabeça muito mais madura do que a minha nesse aspecto. Não liga para nada, acha que cada um tem que cuidar da própria vida e ponto (risos). É muito legal ter essa parceria que coloca os meus pés no chão e me faz ter outra visão do assunto”. O surpreendente, contudo, é que a maior parte das agressões vem de mulheres, algo que não deveria ser comum aos olhos da artista: “Espero que mude porque nós, mulheres, temos que nos inspirar umas nas outras, e nos espelhar naquelas que gostaríamos de ser, e não criticá-las. Precisamos mudar essa mentalidade”, afirma. 

Simony sobre Felipe Rodriguez: "É muito legal ter essa parceria que coloca os meus pés no chão e me faz ter outra visão do assunto" (Reprodução Instagram)

Simony sobre Felipe Rodriguez: “É muito legal ter essa parceria que coloca os meus pés no chão e me faz ter outra visão do assunto” (Reprodução Instagram)

Aos 44 anos, Simony avalia os aprendizados e arrependimentos durante os anos de vida e de carreira: “Com certeza têm coisas das quais me arrependo, mas acho que devemos levá-las para o lado do aprendizado mesmo — de viver, crescer e aprender com os nossos erros. A experiência de vida fortalece a gente. Não devemos ficar presos ao que poderia ser, o que deveria ser feito e questionamentos do tipo. O aprendizado me acompanha até hoje, enquanto mãe, mulher e profissional. Então, quando eu olho para trás eu sei que valeu a pena. Temos que ver o lado bom da vida sempre. Não podemos ficar nos martirizando pelo o que já foi. Isso já está no passado, temos que viver o presente e olhar para o futuro”, assegura.