Gente & Comportamento

Seguir ou não seguir, eis a questão: HT investiga o fenômeno das blogueiras e apura a opinião dos fashionistas e celebrities

Pelos corredores da São Paulo Fashion Week, o site dá vazão à curiosidade geral e irrestrita, verificando a opinião de quem entende do riscado: elas são ou não são imprescindíveis na moda contemporânea?

Publicado em 08/11/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por João Ker

A democratização da informação no mundo online é um fenômeno que deixaria até McLuhan de cabelos em pé, preso em um cubículo escuro enquanto tenta entender o que faz esse ou aquele blog estourar nas mídias sociais e se tornar virais. A onipresença das blogueiras de moda no mundinho fashion divide opiniões, sobretudo quando elas passam a compartilhar a Fila A com jornalistas, editores e críticos de moda consagrados, fato que não acontece apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Há quem ame e defenda, há quem torça o nariz, questionando a qualidade da informação e, em muito casos, refutando essa nova maneira da dar notícia. Afinal, qual emoção prevalece? Jogar uma casca de banana (no sentido figurado, já que alguns mais exagerados não cogitam dividir o cetro) ou beijar os pés para as sandálias de jabá passarem? O fato é que as blogueiras se transformaram em formadoras de opinião, para o bem ou para o mal. São seguidas em redes sociais, disputadas por marcas grandes, convidadas para tudo e por todos.

Como HT ama uma polêmica e sabe que o assunto pode render opiniões tanto positivas quanto contrárias – e, quem sabe, até um arranca-rabo de vez em quando, saímos em campo na melhor arena da praça possível, prontos para apurar o que as pessoas acham dessa onipresença online: os corredores da São Paulo Fashion Week. Gente como Thayla Ayala, Mariana Weickert e Dudu Bertholini falam o que pensam sobre o fenômeno e tentam ajudar a traçar um panorama comportamental daquilo que acontece na blogosfera. Vem!

A atriz Thayla Ayala, que está se preparando para rodar o curta-metragem “She Looks Like Barbie”, em Nova York, coincidentemente vê uma super relação entre o tema da produção e o discutido aqui: “A história fala sobre como certas referências de beleza nos são impostas, desde quando começamos a brincar de boneca ainda crianças. De alguma forma, acho que isso se aplica às blogueiras. Eu não saberia dizer se elas são imprescindíveis, mas acho que para tudo há um certo limite na hora de seguir”.

Thaila Ayala (Foto: Gustavo Chams)

Thaila Ayala (Foto: Gustavo Chams)

O new face Rene Ainati, aposta da temporada e sucesso promissor,  analisa os acontecimentos como um observador voraz que enxerga tudo isso de fora: “Eu vejo que muitas meninas seguem todos os posts fielmente. Então, acho que pode ser bom para quem busca uma opinião parecida, né?”

Rene Ainati (Foto: Gustavo Chams)

Rene Ainati (Foto: Gustavo Chams)

Para o estilista e stylist Dudu Bertholini, a faceta mais importante desse fenômeno é a democratização da informação de moda: “Acho que há uma veracidade no que é postado, conteúdo que dialoga muito bem com um certo público que era carente desse tipo de informação e opinião. Se a pessoa se identifica com um ponto de vista expresso, eu acho válido. Eu só acho que as blogueiras têm que tomar cuidado para não prejudicar a informação por conta do jabá. E também acho que esse não é um fenômeno momentâneo”.

Dudu Bertholini (Foto: Gustavo Chams)

Dudu Bertholini (Foto: Gustavo Chams)

Mariana Calazans, que sempre é sinônimo de estilo impecável durante as Semanas de Moda, confessa que não é muito de olhar os blogs: “Eu não sigo nenhuma blogueira no Instagram. Acho que talvez isso possa ser bom para as marcas e para conhecer aquilo que é tendência, o que há de novo no mercado, porque elas estão sempre usando o que é lançamento”.

Mariana Calazans (Foto: Gustavo Chams)

Mariana Calazans (Foto: Gustavo Chams)

Mariana Weickert, que voltou a fazer história na passarela da TNG, defende a tendência com unhas e dentes: “As pessoas se preocupam muito em classificar as blogueiras.É um fenômeno legítimo, que está acontecendo sim. Acho que esse era um gap que existia e a imprensa tradicional talvez não estivesse conseguindo suprir essa demanda. Mas, desde o início, as pessoas falam que isso vai sumir e elas já estão há uns bons cinco anos no mercado”.

Mariana Weickert (Foto: João Ker)

Mariana Weickert (Foto: João Ker)

Thiago Pethit, que tem invadido os nossos cérebros com seu novo single “Quero Ser Seu Cão”, comenta: “Elas são verdadeira inspiração para quem quer ganhar dinheiro sem esforço. Eu queria ter tido a sorte de tirar foto e falar baboseira para ganhar dinheiro com isso”, declara.

Thiago Pethit (Foto: Gustavo Chams)

Thiago Pethit (Foto: Gustavo Chams)

A musa do monstrinhos fashionistas de São Paulo, Keila Gaga, diz que as blogueiras ajudam pessoas como ela: “Quem mora no interior e não está no eixo Rio-SP, fora do universo da moda, pode usar essas meninas como uma forma de se conectar com o que está acontecendo. Elas chegam a lugares aos quais muitos não têm acesso e informam, naturalmente, aquilo sobre o qual seu público não teria condição de saber”,comenta, apesar de negar que siga algum site do gênero.

Keila Gaga (Foto: Gustavo Chams)

Keila Gaga (Foto: Gustavo Chams)

Thalyta Pugliesi vê os dois lados do fenômeno: “Eu sigo uma blogueira só, a Camila Coutinho, do Garotas Estúpidas, porque a conheci em uma viagem e fiquei super amiga dela. Acho que essas meninas souberam muito bem como usufruir desse mercado que surgiu com Instagram e as redes sociais. Para você ter uma ideia, elas vendem muito mais do que atriz, não tem jeito, é o mercado de hoje. Mas, graças a Deus, não preciso disso para me vestir ou ter ideia de estilo”.

Thalyta Pugliesi (Foto: Gustavo Chams)

Thalyta Pugliesi (Foto: Gustavo Chams)

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