Gente & Comportamento

#SaiadaCaixa de Helen Pomposelli desta semana apresenta o chef Marcos Freitas, do badalado restaurante vegetariano Prana

Desmistificar a comida sem uso de ingredientes animais para que as pessoas comessem sem sentir a falta do que estavam acostumadas era o sonho do chef... e isso foi realizado, sem dúvidas. “Meu foco é fazer comida gostosa e bem feita e para os vegetarianos e não vegetarianos”, diz, em entrevista à nossa colunista Helen Pomposelli

Publicado em 01/11/2017 | Por Junior de Paula

*Por Helen Pomposelli

Marcos Freitas por Miguel Moraes

O “Saia da Caixa” de hoje tem sabor vegetariano com toque gourmet, já que conversei com o chef Marcos de Castro Freitas de 31 anos, que, além de ser chef proprietário do restaurante vegetariano Prana, do Cosme Velho, junto de seus sócios Guilherme Baptista e Ammi Brandão,  agora ganha mais uma sócia, Claudia Fontoura, no Prana JB, aberto há dois meses na Lopes Quintas. “Estou bastante focado em ajustes nas duas casas para deixar tudo bem redondo. A idéia e ficar flutuando entre os Pranas fazendo cardápio e criando novos pratos e assim fazer uma conexão entre os dois”, diz Marcos, que sonha em viajar para o Sudeste Asiático ou para o Norte do Brasil para conhecer novos ingredientes e reciclar. Mas será que ele vai ter tempo para isso? Bom, os planos são outros agora. O chef está focado na cozinha do Jardim Botânico, para planejar o café da manhã, criar cursos de gastronomia e até jantares temáticos. “Temos um espaço bacana no terraço do restaurante onde será uma área para atender eventos privados, intimistas e servir cardápios especiais”, explica feliz.

Marcos Freitas por Miguel Moraes

Marcos, que desde criança gostou do ambiente de cozinha e era um curioso com comida, nunca foi uma criança chata pra comer e experimentava de tudo. Adorava fazer purê de batatas e biscoito. “A minha mãe sempre me incentivou nessa curiosidade de buscar e experimentar coisas novas. Assim formei meu paladar cedo. Quando fiquei maior, não tinha cultura de ser chef e muita gente começava a profissão lavando prato. Então, não fui muito incentivado pela família em trabalhar na área. Mesmo gostando de cozinha, fiz um ano de publicidade na ESPM e, em 2004, como vi que realmente o que eu queria era outra coisa, larguei e fui fazer gastronomia na faculdade em Santa Catarina, no Balneário Camburiu”, explica. Marco chegou a fazer estágio no restaurante Olympe e depois no Sawasdee de Búzios. Mais tarde, passou por restaurantes locais em Santa Catarina e durante dois anos ficou entre idas e vindas, do Rio para Santa Catarina.

Desmistificar a comida vegetariana e fazer uma comida sem carne que as pessoas comessem sem sentir a falta era o sonho do chef… e isso foi realizado, sem dúvidas. “Meu sonho era abrir um restaurante vegetariano não para vegetariano e justamente para chegar até as pessoas que consideram a comida ruim. Não sou vegetariano, já que atualmente como peixe, mas isso não diminui o meu respeito para quem é vegetariano. Inclusive faço uma comida melhor sem do que com carne e não acho que existe necessidade nenhuma de comer carne. Meu foco é fazer comida gostosa e bem feita e para os vegetarianos e não vegetarianos”.

Marcos Freitas por Miguel Moraes

Mas foi quando Marco decidiu abrir a sua própria casa, ou seja, seu primeiro Prana, cujo nome  é por causa de uma escola de yoga que ele trabalhou e freqüentou  em Santa Catarina, que o chef alinhou com os amigos a idéia de abrir um delivery que mais tarde, por causa de um acordo que não foi fechado, o Prana passou a ser restaurante de fato. “ Quis colocar o nome Prana porque foi uma fase que fui muito feliz, um momento de muita introspecção e de mudanças”

Segundo o chef, o restaurante começou de maneira desordenada mas como ganhou fama rápida através do boca-a-boca, depois de dois anos de negócio, o restaurante foi organizado. Para Marcos, existe uma conscientização das pessoas para serem vegetarianas e acredita que esse tipo de dieta está mais conectada ao momento atual do mundo. “Acho que está rolando uma onda muito legal. Tem uma boa parcela de pessoas que está vindo porque está abrindo os olhos. Não acho que a cozinha vegetariana é moda.”

Marcos Freitas por Miguel Moraes

“O Prana é a extensão do que eu  penso do mundo e para minha vida. Não faço questão de ter carro, na minha casa tento optar por ingredientes de origem orgânica ou local. Tento me conectar, mas não fico pirando muito não, sei separar o lixo para reciclar e tento fazer isso sempre”, enumera.

Dica do chef Marcos Freitas? “Acho que pensar menos e fazer mais. Não adianta ficar idealizando muito uma idéia para ser perfeita. A minha dica é buscar primeiro as ferramentas que possibilitem isso, como estudar e se cercar de pessoas bacanas que possam te ajudar. Não ficar somente imaginando. Idéias, muita gente tem, mas sem prática não funciona. Tem que ousar. A gente nasceu para ser feliz, acreditar e botar para frente. Senão fizer, vai perseguir você para o resto da vida”, finaliza.

 

 

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