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#SaiaDaCaixa de Helen Pomposelli com Nathan Kunigami e sua revolução através das plantas

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense, Nathan hoje possui também pós-graduação em Comunicação Integrada pela ESPM e ficou oito anos trabalhando no mercado de comunicação corporativa, hoje mudou totalmente seu rumo, e se dedica à Kokuga, sua marca de arranjos inspirados na Ikebana

Publicado em 11/07/2018 | Por Junior de Paula

*Por Helen Pomposelli
Coach de imagem e terapeuta energética vibracional (@helenpomposelli)

“E vejo flores em você”… Essa semana vamos nos inspirar nas tradições japonesas e na ancestralidade para falar de mudanças de rumo. Quem nunca olhou para atrás e viu uma semelhança profunda de suas escolhas nas das suas avós, bisavós? Conversei com Nathan Kunigami, que lança amanhã no Rio de Janeiro a marca Kokuga, homenagem ao nome original da sua família japonesa, que, ao migrar para o Brasil, por um erro de tradução, acabou sendo alterado para Kunigami. O estúdio elabora arranjos florais inspirados na tradicional técnica de Ikebana.

“Desde adolescente eu sempre fui muito focado (um pouco sem saber, para ser sincero. É algo que tenho consciência hoje, com 30 anos). No início da faculdade de jornalismo eu já sabia que queria trabalhar com comunicação corporativa voltada para o mercado de luxo e tinha tudo muito bem planejado. Posso dizer que as coisas aconteceram até mesmo melhor do que eu havia esperado: trabalhei seis anos em uma das maiores agências de comunicação do país e em seguida recebi uma oferta de um grande grupo hoteleiro internacional para ser responsável pelo departamento de marketing de dois novos hotéis na cidade do Rio. Em menos de dois anos fui promovido e passei a responder pelo marketing operacional de todas as marcas upscale da rede na cidade do Rio e Recife. Eu, finalmente, estava no lugar que havia desejado e idealizado desde os meus 15 anos: trabalhando em uma multinacional, sendo bem remunerado e, sobretudo, fazendo o que eu gostava”, conta Nathan para explicar como esse processo foi essencial para tomar a decisão de se demitir para seguir o sonho de criar arranjos florais.

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense, Nathan hoje possui também pós-graduação em Comunicação Integrada pela ESPM e ficou oito anos trabalhando no mercado de comunicação corporativa, hoje mudou totalmente seu rumo, e se dedica à Kokuga. “Além dessa evolução profissional, que naturalmente refletiu na minha autoconfiança e maior autoconhecimento, em 2017 tive a oportunidade de viajar pela primeira vez ao Japão. Confesso que sempre quis ir, mas não sabia muito que esperar. Para mim seria apenas uma viagem de férias, mas foi muito mais do que uma simples viagem. Pela primeira vez na vida eu pude entender uma série de questões que nem eu mesmo sabia que tinha, entender um pouco mais das minhas raízes japonesas e aceitar essa mistura de raças”.

Segundo Nathan, hoje ele se enxerga como uma pessoa que aceita as mudanças da vida de maneira mais fácil e entende que nem sempre tudo acontece como o planejado, e que a graça da vida está justamente nisso. Seu interesse por flores sempre foi algo presente na sua vida. “Minha mãe estudou e chegou a montar uma exposição de Ikebanas quando eu era criança. Ela sempre foi uma pessoa extremamente ligada à estética e artes, e com extremo bom gosto. Acho que esse olhar dela acabou refletindo um pouco em mim e na minha irmã. Eu já gostava de fazer arranjos em casa eventualmente, mas nunca havia atentado para o fato de que poderia dedicar mais tempo a esse hobby. Após a minha viagem ao Japão, quando tive uma experiência com uma artista de Ikebana local, foi que esse interesse de fato foi despertado em mim. Quando voltei comecei a estudar por conta própria e a praticar em casa. Pouco menos de um ano depois estou aqui, lançando a minha própria marca. Tudo aconteceu muito rápido, às vezes eu mesmo me surpreendo”, diz Nathan, que não classifica os arranjos que faz como Ikebanas porque não obedecem às regras impostas pela técnica e sim utilizando a Ikebana como inspiração e misturando outras referências.

E por falar em ancestrais… Nathan nunca havia pensado em trabalhar com arranjos florais e a única vez que quis trabalhar com algum tipo de habilidade manual foi aos cinco anos. “Quando me perguntavam o que eu gostaria de ser quando crescesse, eu respondia: Pintor de quadros famosos” (risos). Minha mãe chegou a me matricular em um curso de desenho e costumava me levar a algumas exposições, como uma maneira de estimular esse meu sonho. Porém, com o tempo, naturalmente, perdi o interesse e mudei de ideia, mas acho que essa admiração pela arte sempre permaneceu”.

Nascido no Rio, Nathan ainda se lembra das suas viagens para o sítio que sua família tem em Friburgo, que foi fundado pelos seus avós japoneses, quando chegaram ao Brasil na década de 40, de colher flores frescas para presentear sua mãe. Desafios? “Aceitar tantas mudanças na minha vida nos últimos meses. Sair de um emprego estável que eu gostava e me mudar de país. De certa forma, recomeçar do zero. Foi tudo planejado e desejado, mas é natural que às vezes bata uma certa insegurança. Costumamos ler por aí o quão incrível são pessoas que largam a vida corporativa e “saem da caixa”, mas é importante falar também que faz parte do processo ter medo, insegurança, pensar que pode dar errado. Até porque pode mesmo, você só não pode deixar esse medo te cegar a ponto de você não enxergar seu próprio potencial. É uma escolha – e um privilégio – poder apostar em você mesmo. E acho que independente do resultado: ter “sucesso” ou não, o mais importante é aprender a cada novo passo”, salienta.

Conselho “ Saia da Caixa” ? “Ouça mais você mesmo e tente não se preocupar tanto com a opinião dos outros. No final das contas, é você quem vai viver com a decisão de se demitir ou não, de ter ou não a tal carreira dos sonhos. Acredito que se você estiver genuinamente bem com as suas escolhas, a chance de ter sucesso nelas é muito maior. Além disso, é imprescindível planejamento e consciência dos riscos que você está assumindo. Afinal de contas, o mundo não vive só de sonhos e todos nós temos contas para pagar no final do mês”

Obrigada, Nathan! 

Instagram: @Kokuga_ Site: www.kokuga.com.br

 

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