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#SaiaDaCaixa de Helen Pomposelli com o artista plástico Gabriel Ribeiro: das colagens, street art, gueixas e consciência social para o mundo

“Meu maior desafio como artista foi me assumir artista, como eu fiz faculdade de design, achava que o eu fazia não era arte. Mas é possível viver de arte", conta Gabriel, sobre sua trajetória, em papo exclusivo com Helen para sua coluna aqui no site HT. Vem conhecer!

Publicado em 13/12/2017 | Por Junior de Paula

Foto: Miguel Moraes

*Por Helen Pomposelli

O mercado de arte está cada vez mais abrindo espaço para quem sonha em viver da própria criação. Prova disso é o artista plástico Gabriel Ribeiro, paulista de 30 anos, morador da Pompéia, que através da sua arte nas ruas foi convidado especialmente para participar de uma feira com uma das melhores curadorias de arte e design do país. Trata-se da Feira Rosenbaum, que esteve esse mês na Carandaí, no Rio, e que tem como objetivo expor a alma brasileira.

Desenhista desde pequeno e artista plástico desde os 15 anos, hoje, Gabriel também mantém em paralelo ao seu trabalho artístico, a sociedade e a direção na produtora de conteúdo audiovisual Instinto Coletivo, há cinco anos, onde realiza videoclipes, documentários, publicidades e conteúdos de internet.

Foto: Miguel Moraes

Gabriel desenvolve colagens misturando técnicas para dar um sentido tridimensional. “Trabalho o volume usando sobre a colegem, colini, nanquim, tinta acrílica e levo para o digital”, explica. Mas foi de dois anos pra cá que a arte tomou uma proporção grande e mais séria na vida do artista. “Foi através do trabalho Gueixas, uma intervenção urbana, que faço em São Paulo, e já foi realizado em Curitiba, Minas, e até no Rio, que minha arte passou a ter mais sentido pra mim”, diz Gabriel , sobre a plataforma na qual faz o lambe-lambe com mais de dois metros e meio de tamanho.

Foto: Miguel Moraes

“Tudo começou quando eu estava numa fábrica revisitando a minha infância e a minha formação como pessoa. Eu queria realizar um trabalho que envolvesse o tema feminino, pois sempre fui cercado por essa alma. Fui educado pela avó e pela mãe e tenho cinco tias e oito primas. Eu queria fazer um trabalho sobre isso, busquei no meu caderno de desenhos de infância e achei uma gueixa que ficou na minha cabeça. Assim, pesquisei a história e cultura dela, que vivia deturpada na cultura das mulheres orientais. A Gueixa é um símbolo forte e super delicado, mas muitas são confundidas por prostitutas. Porém são cultas e sabem pintura, literatura, música. A minha avó é nascida em uma colônia na cidade chamada Marilia, cidade onde tem presença forte japonesa, ela, assim, assimilou algumas coisas, tal como a religião e eu fiquei próximo da cultura japonesa, tanto que a minha primeira linguagem de desenho era inspirada nos mangás. Eu nunca gostei do Batman, gostava de cavaleiros e samurais. Peguei toda essa bagagem de gueixas e juntei a parte botânica, homenagem também a minha avó, que sempre teve relação com a natureza no quintal de casa, onde tinha árvores , hortas flores, roseiras e orquídeas”.

Foto: Miguel Moraes

Segundo Gabriel, a série “Gueixa”  tem que estar na rua como resistência do feminino e posicionamento. Quando o artista pensa  onde vai colar o lambe- lambe, sempre escolhe um lugar que tenha maior fluxo de pessoas e no motivo que elas vão passar por ali. “Um respiro na cidade de forma sutil”, enfatiza. “A maioria das pessoas que me segue é mulher, porque se identificam. Minha arte é muito afetiva, não é um protesto, é um pedaço de mim”.  Além disso, Gabriel está desenvolvendo uma série nova chamada “Negro drama”, homenagem à uma música dos Racionais. “Essa música foi muito importante na minha adolescência. Eu peguei algumas frases e resolvi fazer meu primeiro trabalho no qual falo de homens negros e construir um documentário que conta um pouco do processo da minha arte”.

Foto: Miguel Moraes

“Quando eu era criança sempre desenhei e minha mãe pintava por hobby. Sempre vi minha mãe pintando e meu tio fazendo escultura em madeira. Uma visão bem pura da arte. Eu sempre desenhei acompanhando esse processo e meu pai percebeu e me deu muitos livros e revistas de banca que ensina desenhar. Quando tinha  amigo secreto eu pedia caixa de lápis de cor. Meus caminhos sempre foram com arte. Com 15 anos trabalhei em uma ONG de fotografia como assistente de fotógrafo, aprendi a usar laboratórios de revelação analógica e fiz curso no Instituto Criar. Me formei na faculdade de design na Anhembi Morumbi. Quando eu saí dos meus trabalhos fixos eu falei que ia montar o meu próprio projeto e viver de arte, apesar de ser instável. Minha mãe teve medo, não entendia muito, mas me apoiou. Hoje é meu braço direito junto com meu primo”.

Foto: Miguel Moraes

“Meu maior desafio como artista foi me assumir artista, como eu fiz faculdade de design, achava que o eu fazia não era arte. Mas é possível viver de arte”, sintetiza. Como conselho para quem quer Sair da caixa, Gabriel diz: “Primeiro é ter muita verdade no que você faz, colocar todo seu coração no que está fazendo e muito esforço,  pesquisar muito, estudar muito e amar o que faz. Tenha a certeza que muitas pessoas vão te puxar pra baixo, até a sua mente tenta te colocar pra baixo. Não fique esperando os outros.Tire uma hora por dia pelos seus sonhos, dá o primeiro passo, se programe e se planeje que é possível”.  Adorei, Gabriel!

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