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#SaiaDaCaixa de Helen Pomposelli com Lair Uaracy, que concilia a carreira de advogado com as artes plásticas: “Entendi o meu lugar”

Em papo como Helen Pomposelli, Lair contou sobre sua vida entre as idas ao seu atelier em São Conrado, seu escritório de direito, o Forum e o Parque Lage, onde estuda pintura

Publicado em 02/05/2018 | Por Junior de Paula

*Por Helen Pomposelli 

Lair Uaracy (Foto: Michele Lekan)

Quem nunca pensou em jogar tudo para o alto e recomeçar um projeto novo de vida? Hoje a coluna Saia da Caixa está inspiradora para quem quer um empurrãnzinho para isso! Conversei com Lair Uaracy, advogado e agora também artista plástico, que divide seus dias entre suas idas ao seu atelier em São Conrado, seu escritório de direito, o Forum e o Parque Lage. Lair está indo para Paris em setembro para concretizar um intercâmbio de quatro meses na Escola Nacional de Belas Artes de Paris, projeto que o Parque Lage mantém um convênio com a escola para dar oportunidade aos estudantes.

Nascido em Belém do Pará, aos 38 anos, Uaracy veio para o Rio ainda pequeno, mas mantém seu elo familiar e tem buscado suas origens do norte e dos índios para poder entender melhor seus ancestrais e as entidades que pinta em seus quadros, que agora se resumiram apenas ao olhar de forma bem marcante em sua obra. “Foi muito importante começar a pintar, porque mudou bastante meus valores pessoais e me deu um conforto maior em ser eu mesmo. Quando eu me descobri como artista, me descobri mais franco e menos pretensioso. A história da verdade que a pintura trouxe para mim, de ser verdadeiro, entender qual o meu lugar, me achar e de me expressar”, diz Lair cujo o pai, que era comandante da marinha mercante do Brasil, olhou com desconfiança no início mas quando viu que estava funcionando, apoiou.

Lair Uaracy (Foto: Michele Lekan)

“Meu pai falava que eu tinha que estudar, para eu continuar apenas exercendo a profissão de advogado por que ele via a minha pintura como hobby. Mas quando ele viu que eu estava com seriedade, ele entendeu. No direito, eu não me sinto tão confortável como na pintura”, explica. Segundo Lair, desde pequeno sempre teve a facilidade para desenho, o que o fez famoso entre amigos. “Até que uma amiga me perguntou porque eu não pintava e fui procurar o Parque Lage. Paralelo a isso, eu estava sendo advogado de uma feira de arte e conhecendo os artistas e o dia-a-dia deles, fui vendo como tudo funcionava. O artista também tem um comprometimento e isso tirou o meu preconceito, e percebi que o artista também através da pintura podia ter uma agenda, uma ambição, uma forma de se expressar”, diz

Lair começou em 2015 a freqüentar a aula do professor João Magalhães na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, depois fez modelo vivo para Gianguido Bonfati, e mais tarde começou a fazer aula de processo criativo com Bob N, onde freqüenta há dois anos. “Foi nesse curso que surgiu a idéia do professor Bob N para eu fazer o intercâmbio. Fiquei meio apreensivo, um pouco de medo, mas vi como uma oportunidade de crescimento nessa nova profissão que escolhi, que é ser artista” , lembra Lair, que está fazendo a sua segunda exposição individual na galeria Ble Galeria de Arte, em Botafogo.

“Meu maior desafio atualmente é ir para Paris, estudar onde muitos pintores famosos estiveram e ter um bom desempenho”, diz Lair, que possui projetos artísticos na Umida Galeria, no Leilão da Fonte. Quer um conselho “ Saia da Caixa”? “ Ter uma franqueza com você mesmo e ser livre de pretensão. Para isso é necessário ter dentro de si uma grande ambição e não se acomodar. Expressar somente a sua verdade”

Pura verdade, Lair!

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