Gente & Comportamento

#SaiaDaCaixa de Helen Pomposelli apresenta a chef de culinária viva e vegana Cynthia Brant: ” Para dar certo, é preciso ter dedicação e paciência”

“O mercado para alimentação natural e veganismo está crescendo muito, enquanto os outros estão em crise", contou Cytnhia, que, além de dar cursos sobre o tema, ainda é proprietária da La Fromagerie Vegan, especializada em queijos sem proteína animal

Publicado em 17/01/2018 | Por Junior de Paula

Cynthia Brant por Miguel Moraes

*Por Helen Pomposelli

Muito procurada lá fora e atualmente a “queridinha” dos gourmands que estão sempre atrás de uma novidade, a gastronomia viva está em crescente movimento e já participa de muitas mesas de famílias veganas e não veganas. Hoje, o “Saia da Caixa “ vai mostrar o que a chef de culinária viva e vegana Cynthia Brant tem para nos ensinar. Ela, que também é empresária da recém-lançada queijaria La Fromagerie Vegan, queijaria artesanal vegana brasileira, vai nos contar sobre esse estilo de vida, que muita gente ainda não sabe o que quer dizer.

Cynthia, que tem um atelier no Jardim Botânico onde ministra cursos e oficinas de Rawfood e outros temas relacionados ao veganismo, morou por 16 anos em Fortaleza, onde se formou em administração, completou uma pós em marketing e trabalhou na área. Há dez anos conheceu e hoje coordena o Terrapia, projeto/associação de princípios ecológicos com metodologia baseada na comunidade através da pesquisa individual sobre a saúde tendo como meio a Alimentação Viva, que existe na FioCruz. Foi lá onde fez todos os cursos, se apaixonou e, depois, foi se aprofundar na Califórnia na escola de Matthew Kenney por três meses.

Cynthia Brant por Miguel Moraes

“Montei a queijaria, porque tenho uma paixão por queijos convencionais e queria muito transformá-los em veganos. Fiz uma vasta pesquisa sobre queijos franceses veganos e comecei a dar aulas e produzir. As pessoas pediam muito e eu só ensinava e vendia somente para os alunos  dos cursos e clientes amigos. Resolvi abrir a Fromagerie por que vi um mercado muito bom. Comecei a produzir numa cozinha industrial e recomecei a produção para distribuição em lojas de produtos naturais e delicatessen. Os queijos são para veganos e não veganos, pois o gosto é muito parecido”, explica Cynthia que, cansada da área de publicidade, com dezoito anos trabalhando neste mercado, foi fazer um ano sabático na Espanha e França.

“Eu já estava muito cansada do mercado publicitário e durante esse hiato, cheguei a pesquisar uma nova área pra trabalhar. Eu sempre achava que era na gastronomia que eu ia me envolver nos próximos anos. E foi lá que eu descobri o projeto Terrapia pela internet e isso me fez voltar para o Brasil. Lá fora, não encontrava nada que me identificasse, apesar de ser vegetariana, conheci a culinária francesa e espanhola, mas eles usam muita carne e embutidos”.

Queijo vegano de Cynthia Brant por Miguel Moraes

Segundo Cynthia, tudo começou aos 20 anos e ela nunca tinha tido vivência na cozinha, mas, quando se tornou vegana, começou a sentir vontade de fazer a sua própria comida e ganhou interesse na cozinha. “Na minha opinião, o mercado para alimentação natural e veganismo está crescendo muito, enquanto os outros estão em crise. Hoje em dia existe muito mais ofertas e ingredientes do que antigamente, isso me motivou a abrir a Fromagerie Vegana.  Lá fora, já tem há muito mais tempo, um mercado sem proteína animal mais desenvolvido e as pessoas freqüentam restaurantes de comida crua”.

Durante a semana, Cynthia ministra oficinas livres e está lançando um curso intensivo de um semestre sobre culinária viva. “Durante o curso, vou ensinar tudo que aprendi nesses últimos 10 anos com aulas todas as quartas-feiras à noite. Estou colocando muita energia nele, um programa super completo para as pessoas aprofundarem na culinária e fazer comigo as comidas”. Além disso, Cintia participa do projeto Retiro Detox & Yoga na Amazônia,  junto com a idealizadora, a chef Manuela Scalini, e a organizadora, Auroraeco, que vai para a terceira edição este ano em setembro. Trata-se de um retiro na selva usando ingredientes nativos, minimamente processados para as pessoas conhecerem os sabores do lugar. “A primeira vez foi num barco e, no ano seguinte, no Juma Lodge. O próximo será no mesmo hotel, no feriado de 7 de setembro, deste ano”, explica.

Seu maior desafio, além de cada vez mais desejar uma qualidade maior nas máquinas e equipamentos que trabalha como processadores e desidratadoras, é encontrar boas sementes orgânicas com qualidade tal como o trigo, amêndoas, castanha de caju e leguminosas como lentilha e grão de bico.

Cynthia Brant por Miguel Moraes

E a dica para sair da caixa?

“A primeira coisa é se informar e estudar o que você quer fazer antes de largar tudo e sair para uma nova profissão, pois demanda tempo. Tem que ter experiências, contatos e as coisas demoram um pouco para acontecer e, claro, você precisa estudar.  Enquanto isso, a sua profissão antiga vai te mantendo. Importante seguir o instinto, entender o que faz sentido fazer nos próximos anos com uma perspectiva mais longa, algo que você se apaixone ao longo prazo. Para dar certo,
é preciso ter dedicação e paciência”

Adorei, Cynthia!

 

Pesquisas relacionadas