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Ruth de Souza é celebrada em desfile e vira tema de documentário

Aos 97 anos, primeira dama negra do teatro brasileiro ganha merecida homenagem da Acadêmicos de Santa Cruz: “Parece que vou estrear uma peça para um público enorme, que adoraria ter recebido também no teatro”

Publicado em 01/03/2019 | Por Heloisa Tolipan

 

A atriz Ruth de Souza, 97 anos, é reverenciada pela Acadêmicos de Santa Cruz em desfile desta sexta-feira

Aclamada como a primeira dama negra do teatro brasileiro, Ruth de Souza, 97 anos, será celebrada logo mais na Marquês de Sapucaí pela Acadêmicos de Santa Cruz, que promete realizar um desfile antológico, digno de figurar no rol dos mais emocionantes da passarela do samba. Com o enredo “Ruth de Souza – Senhora liberdade, abre as asas sobre nós”, de autoria do carnavalesco Cahê Rodrigues, a escola irá dissecar a vida e a trajetória da extraordinária atriz, que, ainda na década de 1960, se tornaria a primeira protagonista negra de uma telenovela.

“Era um desejo antigo. Ruth merece todas as homenagens. Contaremos uma história. Não há como abordar toda a biografia de um homenageado num desfile. É necessário um recorte”, explica Cahê. 

Ruth e Mário Lago em trabalho na TV

A celebração a Ruth é justa e oportuna justamente neste momento em que os debates acerca do preconceito étnico-racial se apresentam com tanta veemência no Brasil e no mundo. Pioneira na luta pela afirmação do negro nas artes, ela quebrou vários paradigmas. Além de driblar os obstáculos na TV, tornou-se também a primeira brasileira indicada ao prêmio de Melhor Atriz em um festival internacional de cinema. Ganhou a estatueta pela atuação em “Sinhá Moça”, no Festival de Veneza em 1954.

Ao lado de Abdias Nascimento, fundador do Teatro Experimental do Negro, Ruth brilhou no  Municipal do Rio, outro de seus feitos que a tornam um personagem fundamental para a compreensão do movimento negro no Brasil. Feliz e lúcida, a atriz comemora: “Parece que vou estrear uma peça para um público enorme, que adoraria ter recebido também no teatro”, diz.

Lázaro Ramos, Taís Araújo, Erika Januza, Luciano Quirino, Adriana Lessa, Érico Brás entre outros artistas da nova geração, se juntam a Milton Gonçalves, Jorge Coutinho, Romeu Evaristo, Antonio Pitanga e Zezé Motta neste reconhecimento à diva, cuja carreira vem sendo retratada em um documentário produzido por Dani Ornellas e Juliana Vicente. O longa começou a ser rodado na semana passada, no Sambódromo, com imagens da agremiação e de sua homenageada deste Carnaval.  

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