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Rodrigo Santoro sobre “Velho Chico”: “Tem uma crítica social. Falamos de como o coronelismo tem origem na tradição patriarcal brasileira”

O ator, que gravou cenas de seu personagem no sertão nordestino, ainda disse: “A novela toca em uma série de temáticas e o rio São Francisco é um dos protagonistas da história. Essencialmente, essa novela é uma declaração de amor ao rio, a natureza e ao próprio país”

Publicado em 08/03/2016 | Por Karina Kuperman

São 13 anos longe das telinhas brasileiras e com uma sólida carreira internacional. A volta de Rodrigo Santoro aos folhetins em seu país natal era muito aguardada e não é exagero dizer que o ator foi um dos mais assediados na festa de lançamento de “Velho Chico”, próxima trama trama das 21h da Rede Globo, em que viverá Afrânio – personagem que, na segunda fase, será de Antônio Fagundes. A responsabilidade de dividir um papel com o veterano, porém, continua sendo motivo de uma (leve) tensão: “Espero não estragar as coisas pra ele”, brincou. Depois de tanto tempo e diversos convites para voltar à televisão brasileira, o que esse, em especial, te tocou, Rodrigo? “Na verdade, tem muitos elementos que me fizeram aceitar. Começando pelo parceiro que é o Luiz Fernando (Carvalho, diretor), com quem eu trabalhei em ‘Hoje é dia de Maria’ e foi uma experiência inesquecível, sempre tive vontade de voltar a trabalhar com ele. Flertamos algumas vezes nesses últimos anos, mas a minha vida tomou uma dinâmica de viagem, de estar dedicando mais tempo ao cinema. A ideia de trabalhar com um texto do Benedito (Ruy Barbosa, autor) me encantou, sempre fui admirador das novelas dele, que me tocam particularmente porque fui criado também no campo”, disse.

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Rodrigo Santoro viverá Afrânio na primeira fase de “Velho Chico” (Foto: AgNews)

Mas a agenda também foi um elemento crucial para termos Rodrigo de volta ao Brasil: “Tive uma pausa na série que eu estou fazendo nos Estados Unidos (“Westworld”, de J J Abrams e Jonathan Nolan, com previsão de estreia para este ano na HBO) e o convite veio exatamente no momento do hiato. O convite foi absolutamente perfeito. Estou terminando essa semana e volto para lá para continuar a série. Mas o que mais me motivou foi a própria história, o teor da novela, o que está sendo dito… eu adorei o que li. É uma trama linda, que eu me emocionei lendo e tem o personagem, que é muito interessante”, contou.

Rodrigo participa dos 24 primeiros capítulos da trama e garantiu: as emoções são fortes. “O personagem se transforma a cada capítulo. Não é necessariamente um bom exemplo (de caráter). O Afrânio tem uma série de conflitos e a forma como ele lida com as situações é muito particular, não tenho nada em comum com ele. Mas é interessante de se fazer porque representa algo muito importante na história do nosso país. Falamos de coronelismo, de como as origens do coronelismo provém da tradição patriarcal brasileira. Além do Rio São Francisco, da história de amor, a novela tem outras questões muito importantes, uma crítica social sendo feita. Meu personagem também representa isso”, explicou.

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Rodrigo Santoro e Benedito Ruy Barbosa confraternizaram durante festa de lançamento da novela (Foto: AgNews)

Gravar em sua própria língua e conhecer o interior do Nordeste foi um processo especial, ele garantiu. “Estivemos em vários estados do Nordeste e eu vi coisas que me comoveram muito. Eu tomei um banho num caminhão-pipa que era a única fonte de água no Raso da Catarina. É um lugar que quem não conhece tem que pesquisar: tem canyons, uma paisagem incrível, mas mora ali uma espécie de uma aldeia de descendentes de índios e não tem água. Quando chegamos, os seguranças da Globo foram armando um esquema porque toda a comunidade foi lá para frente, mas na verdade eles estavam interessados no caminhão-pipa que estava do outro lado”, contou, emocionado.

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Rodrigo Santoro, Carol Castro, Dira Paes e Marcelo Serrado (Foto: AgNews)

E será que alguém reconheceu o astro de fama internacional? “Alguns, outros não. Mesmo os que me reconheceram me trataram normalmente, sem afetação. Essas pessoas estão em contato com a vida de verdade. Com a natureza, com coisas muito valiosas. Elas não estão preocupadas com a roupa que você está vestindo ou com quem você está namorando. Elas querem te conhecer, olhar nos olhos, ver quem você é, saber do que você gosta”, ressaltou.

E qual foi a maior dificuldade no processo, Rodrigo? “O calor. Estávamos no auge do verão e todo suor que vocês vão ver nas telas é real. Posso dizer que esse trabalho foi suado, literalmente”, brincou ele, que, entre o trabalho no Brasil e outros em Los Angeles, garantiu: “Não existe comparação em trabalhos. Não posso dizer qual eu prefiro. Cada um eu coloco tudo de mim”, disse. Mas rodar uma novela no Brasil tem uma emoção especial? “Claro. Principalmente se tratando dessa novela especificamente, que é incrível. A temporada de um mês e meio rodando o Nordeste foi demais, conheci uma parte que não conhecia, que não é turística, mergulhei no interior, no sertão, e conheci as entrelinhas de cada lugar”, destacou.

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Rodrigo Santoro foi aplaudido de perto por sua Mel Fronckowiak (Foto: AgNews)

E ele continuou vendendo seu peixe: “A novela toca em uma série de temáticas e o rio São Francisco é um dos protagonistas da história. As polêmicas e questões que o envolvem vão ser abordadas e especialmente na segunda metade. Essencialmente, essa novela é uma declaração de amor ao rio, a natureza e ao próprio país”, disse. Pois que bom tê-lo de volta agora.

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