Gente & Comportamento

Responsável por criar e manter o sucesso da The Week, André Almada declara: “É imprescindível vivenciar o lifestyle carioca”

Empresário conta como lançou um dos selos de maior importância e qualidade nas noites de São Paulo e do Rio de Janeiro

Publicado em 11/04/2015 | Por Heloisa Tolipan

Há cerca de 15 anos trabalhando com baladas no eixo Rio-SP, o paulista André Almada, dono do selo The Week, pode se gabar de ser proprietário de uma empresa cuja marca é sinônimo de excelência não só no Brasil, mas mundo afora. O empresário começou como promoter na noite paulistana em 2000 através da festa “Toy” e, agora, é dono de uma das maiores boates da América Latina e se divide entre o Rio de Janeiro e São Paulo semana sim, semana não. Na capital fluminense, o espaço passou por uma reforma de quase dois anos, que resultou em sua reinauguração no final de 2014, com toda a infraestrutura remodelada desde a base.

Hoje, sábado, a The Week Rio recebe a festa “Safado”, um projeto que conta com planejamento de projeção visual, dançarinos de palco e DJs internacionais, como o espanhol Carlos Gallardo, que toca na pista principal com Gustavo Junior, Edu Quintas e Mauro Mozart, além da “Wallpaper”, balada semanal do espaço e responsável por dosar a eletrônica com o suprassumo do pop, tocado pelos DJs Felipe Mar, Teddy Zany, Antunes, Gael e Maicon Santini. Além do público LGBT é provável que o badalo renda aquela mistura de gente que sempre rola pelas pistas de dança do local: héteros, gays, afeminados, parrudos, Barbies e toda qualquer tribo imaginável que curta um bom som em um ambiente diferenciado.

HT bateu um papo com André para saber melhor sobre essa nova fase em uma das casas noturnas mais importantes do Rio de Janeiro, as mudanças na party scene que ele tem percebido ao longo dos anos, qual o público “ideal” da The Week e muito mais que você lê abaixo:

HT: André, você já está há mais de dez anos à frente da The Week. Como começou essa jornada?

André Almada: o Imperador da The Week (Foto: Reprodução)

André Almada: o Imperador da The Week (Foto: Reprodução)

AA: Eu comecei como promoter, em 2000. Me convidaram para fazer uma festa, deu certo e acabei criando uma festa minha, a “Toy”. Os gays eram meio gueto ainda e eu vi a oportunidade de colocá-los nos holofotes. Seis meses depois, a “Toy” cresceu para a The Week, aí não parei.

HT: Na sua opinião, qual o diferencial da The Week?

AA: As pessoas buscam cada vez mais festas diferentes. É o caso da [festa] “Wallpaper”, por exemplo. A música pop é muito forte aqui no Rio de Janeiro e a tendência é misturar cada vez mais. Estou retomando o contato com os produtores de várias festas diferentes para aumentar essa diversidade.  O grande diferencial mesmo é a mistura do público, algo que vem desde o início, assim como o som, que não é tão comercial. A The Week é democrática.

HT: Qual foi a maior mudança que você viu acontecer no público e na cena noturna ao longo desses anos?

AA: Hoje é muito mais tranquilo em relação ao preconceito. Claro, ele ainda existe, mas antigamente era pior.

HT: Qual foi o plano por trás da reforma da The Week Rio? 

AA: Nós construímos o espaço do zero, baseado nas experiências que tivemos ao longo do tempo. Quando abrimos no Rio, em 2007, não sabíamos o que aconteceria. Poderia dar certo ou errado. Graças a Deus, deu muito certo. Hoje, após a reforma, ela é totalmente planejada e muito mais acessível. Conseguimos fazer tanto uma balada normal com DJs, quanto shows menores ou até um musical off-Broadway – temos camarins atrás do palco e mezaninos espalhados.

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HT: Como faz para manter o nível de excelência do selo The Week, se dividindo entre Rio e São Paulo?

Atualmente, André Almada se divide entre o Rio e São Paulo para administrar a The Week: "Faz muita diferença quando o dono está no local" (Foto: Reprodução)

Atualmente, André Almada se divide entre o Rio e São Paulo para administrar a The Week: “Faz muita diferença quando o dono está no local” (Foto: Reprodução)

AA: Eu tenho uma equipe muito boa, com uma rotatividade muito pequena. São pessoas-chave, o que me facilita demais, por entenderem a filosofia da casa e do serviço que queremos oferecer. Mas, eu preciso me revezar entre as duas cidades. Até aluguei um apartamento no Rio para poder ter uma melhor mobilidade. Criar uma base aqui e poder vivenciar o cotidiano da cidade – sem falar que eu gosto muito do Rio (risos) – é imprescindível para sentir o lifestyle do carioca. O Rio de Janeiro está sempre repleto de paulistas, gaúchos, mineiros etc., vai ser sempre uma boa pedida por unir cultura e entretenimento. É uma cidade completa!

HT: Explique um pouco o conceito por trás da festa “Safado”.

AA: A ideia é o que o próprio nome diz e fica subentendido, de trabalhar essa coisa da sensualidade. Tem até a ver com o carioca, que é bem safadinho (risos). O que diferencia a festa é essa história do palco, com projeções visuais e o figurino sensual dos dançarinos. É uma festa que já passou por Bogotá e por Barcelona e, agora, está de volta à The Week.

Eu também estou prestes a começar um novo projeto, no próximo dia 25: será uma edição no Rio, a OpenHouse21, e uma em São Paulo, a OpenHouse11. Iremos abrir a casa mais cedo, por volta das 23h30 até 1h30, para trazer as pessoas em uma espécie de ‘esquenta’ antes da balada. O som vai ser mais tranquilo, como house e deep house, uma nova musicalidade para o espaço.

HT: Você, na sua posição de dono do lugar, consegue aproveitar a noite na The Week? O que gosta de ouvir?

AA: Sinceramente? Eu gosto de ouvir bossa nova (risos). Já se foi a minha época de curtir balada. Eu estou lá, mas estou trabalhando. Claro, você acaba associando o útil ao agradável, porque acaba encontrando as pessoas e curte dessa maneira, além de que eu gosto de ver o público se divertindo.

HT: Qual é o próximo passo para a The Week?

AA: Eu estou fazendo uma coisa de cada vez. Eu adoraria poder abrir uma franquia e ter um projeto de uma The Week menor – sempre recebo solicitações -, mas, no momento, não tenho nada em vista. Meu objetivo é continua com o negócio principal, porque quando começa a dispersar muito, perde o foco. Manter a nossa qualidade já é muito difícil, e eu me importo com isso, porque é meu nome, minha marca. Pretendo continuar acompanhado tudo de perto: faz muita diferença quando o dono está no local.

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