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A volta da Concha Acústica de Salvador – Em noite com Ney Matogrosso, Carlinhos Brown protesta contra Temer: “Devolva o Ministério da Cultura”

Hoje, no terceiro e último dia do festival para marcar a reabertura do monumento, Baby do Brasil, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor se reunirão para reviver os Novos Baianos

Publicado em 15/05/2016 | Por Lucas Rezende

Ao povo o que é do povo: após uma longa reforma de três anos para reetruturação que custou cerca de R$ 80 milhões aos cofres do governo baiano (e um aporte de R$ 10 milhões do Ministério da Cultura), a Concha Acústica do Teatro Castro Alves, no Campo Grande, em Salvador, voltou a receber espetáculos neste fim de semana com uma espécie de festival, o Eu Sou a Conha. Desde sexta-feira (13), já se apresentaram Maria Bethânia, Margareth Menezes, Kindembu, Afoxé Filhos de Gandhy, Cortejo Afro, Ilê Aiyê, Malê Debalê e Muzenza. Ontem, sábado, foi a vez de Carlinhos Brown e Lazzo Matumbi, Ney Matogrosso e BaianaSystem. Brown, aliás, foi o responsável por levar uma veia política ao festival. Ele protestou contra a extinção do Ministério da Cultura e contra o presidente em exercício Michel Temer (PMDB). “Eu sou semianalfabeto. Se não fosse a cultura, eu continuaria a ser. Seu Michel, quem não deve, não teme. Devolva o Ministério da Cultura”, disse Brown, acompanhado por um coro do público de “Fora, Temer”. E ele não ficou sozinho. Russo Passapusso, da banda BaianaSystem, não economizou nos gritos de “Devolva a minha cultura!”, sendo ovacionado pelo público.

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No mais, Ney Matogrosso animou a plateia de cerca de cinco mil pessoas com seus clássicos como “Sangue Latino”,  “O Vira”, “Rua da Passagem” e o hit de seu amigo e ex affair Cazuza, “O Tempo Não Para”. Ney, aliás, deu a deixa que em muito breve voltará a cantar na Cocha. Momento emocionante foi quando Lazzo Matumbi, de cadeira de rodas, subiu ao palco e cantou, ao lado de Carlinhos Brown, “Me abraça e me beija”.

*O último dia de festival acontece neste domingo (15) com o encontro histórico dos Novos Baianos. Baby do Brasil, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor voltam a se reunir para um show baseado no repertório do emblemático disco “Acabou Chorare”, como HT já adiantou. O álbum, de 1972 (o grupo chegou ao fim sete anos depois), ficou marcado pela adoção da guitarra de Jimi Hendrix e a busca da identidade do grupo – muito influenciado por João Gilberto. Por isso são grandes as possibilidades de ouvirmos “Brasil Pandeiro”, “Recenseamento”, “Preta Pretinha”, “Besta é Tu” e “Tinindo Trincando”.

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