Gente & Comportamento

Regina Guerreiro se despede da segunda temporada de “Enjoy”, websérie com a Cavalera, e fala sobre o futuro da moda para os alunos da FAAP

No último episódio, a editrix dá início ao projeto “Bate-papo com Regina”, no qual percorrerá diversas instituições de ensino dividindo a sua experiência com o jornalismo de moda e contando os principais casos de sua carreira icônica

Publicado em 29/10/2015 | Por João Ker

Depois de assumir sua verve poética, apontar o futuro tecnológico da moda, admitir o medo, recordar Paris e se aventurar pela gastronomia, eis que Regina Guerreiro nos brinda com o último capítulo da segunda temporada de “Enjoy”, sua websérie desenvolvida em parceria com a Cavalera. E, claro, tratando-se da papisa do jornalismo de moda, esse ciclo tem toda uma história por trás. A editrix, além de ter celebrado um ano do projeto em um divertido coquetel com Alberto Hiar, também aproveitou a oportunidade para já apresentar o seu projeto “Bate-papo com Regina”. Ela irá percorrer várias instituições de ensino dividindo seus anos de experiência na indústria e o début foi no auditório da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo.

“Tentei contar tudo, mas é claro que não deu tempo. Minha vida daria um longa-metragem… Anyway, parece que os estudantes da FAAP me curtiram. Então, valeu!”, contou Regina sobre a experiência. “Sorte, eu sempre tive. Viajei muito entrevistei pessoas incríveis. Era 1967 quando vi meu primeiro desfile de alta-costura em Paris. Sou taurina, teimosa de doer, sabe como? Passei minha vida tentando reinventar tudo e lutando contra as caretices do mundo. Minhas experiências fashion assustavam as pessoas”, explicou a jornalista, durante sua palestra em São Paulo.

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No episódio de “Enjoy”, que é roteirizado, dirigido e escrito pela própria Regina, é possível ver os principais highlights do bate-papo que ela teve com os alunos de comunicação. Apenas nesses pouco mais de seis minutos, os estudantes (e o público) tiveram a oportunidade de se aprofundar no incrível universo que permeou a carreira brilhante da editora, que coleciona passagens pelas redações do jornal O Estado de São Paulo, além das revistas, Elle, Claudia e Vogue.

“Eu sou tão obsessiva quando estou fazendo uma imagem que saio completamente da real. Numa dessas, eu até matei um pato, em uma edição que era toda dedicada ao azul”, lembra a jornalista, contando um dos casos mais famosos de sua trajetória. Uma curiosidade? Regina Guerreiro nem sempre se viu inserida no mundo fashion. “Queria ser repórter policial. Então, eu apliquei a técnica da imagem no jornalismo de moda”, diz, enquanto usa como exemplo o editorial “O boom do bumbum”, com Claudia Lins. “Cada foto tem que contar uma história. Tem que instigar, divertir, excitar, espantar… Senão, pra quê?”, questiona.

Em 1976, ela começou a trabalhar na Vogue graças a um publieditorial de ouro, no qual fez “uma espécie de cartilha fashion para as milionárias da vez”. Dali para a frente, o que não faltam são histórias e casos icônicos. Mas nem por isso ela se deixou iludir pelos holofotes e, no palco da FAAP, também relembrou episódios em que precisou correr atrás de árabes ou então foi presa no aeroporto por carregar 150kg de roupas. “Ai ai ai, o falso glamour das minhas viagens internacionais…”, suspira.

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O bate-papo não se focou apenas no passado, já que Regina continua tão ativa como nunca. Ao longo da conversa, a jornalista também comentou sobre o futuro da indústria fashion, seu estado atual e suas percepções sobre o mercado. “E a moda, coitadinha, para onde ela vai? Não é só o over de informação, mas também a inflação, dois aspectos muito sérios, que estão mexendo com a realidade da moda. Ela está meia tonta, sem saber para onde ir, e acaba se perdendo na multidão. ‘A moda morreu?!’. Não! A moda vai se ressignificando. Hoje, o que vocês estão vestindo é moda”, disse, apontando para os estudantes e deixando o conselho: “A saída é mergulhar na matéria-prima e fazer roupas que as pessoas realmente precisem”.

A preocupação ambiental e ecológica que tem mostrado ao longo da segunda temporada de “Enjoy” também não ficou de fora da palestra. “O futuro vem embutido no passado. Houve um desperdício de tudo, e estamos pagando o preço. Desrespeitaram os alimentos e a matéria-prima e o resultado é o que estamos vivendo hoje”. E o último tópico criticado por Regina Guerreiro? A febre das blogueiras, que ela nega ser o futuro do jornalismo. “É muito triste esperar pelo pior. Eu fico com pena das pessoas que acreditam nisso. ‘Ah, mas ela tem 100.000 curtidas…’. E daí? Você não pode nem chamar isso de jornalismo. E eu fico muito nervosa de ver marcas pagando R$ 50 mil para aparecerem não sei onde. É uma falta de respeito, é a divinização da mediocridade. A gente não pode deixar isso acontecer”.

HT já adianta que não precisa ficar chateado com o fim da temporada, porque mal vai dar tempo de sentir saudades do jeito irreverente, ácido e das críticas certeiras de Regina Guerreiro. A próxima temporada de “Enjoy” começa a ser gravada ainda esse ano e ela já prometeu que volta cheia de surpresas e novidades. Enquanto isso, o “Bate-papo com Regina” irá rodar o Brasil e HT, claro, ficará de olho em tudo.

 

 

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