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A pluradidade de Ney Matogrosso: artista confessa adorar funk carioca e fala sobre a nova geração da música, cinema e manifestações populares

'Poder dos Afetos', filme protagonizado por Ney Matogrosso e dirigido por Helena Ignez estreia neste domingo (6), no Festival do Rio

Publicado em 06/10/2013 | Por Heloisa Tolipan

Aos 72 anos, Ney Matogrosso vive um momento de pluralidade artística. Além da turnê ‘Atento aos sinais’ com shows a todo vapor, o cantor dirige o monólogo ‘Dentro da noite’, que reestreou sexta-feira (04) em curtíssima temporada a preços populares, no Teatro Dulcina, no Rio, participou do preparo do documentário ‘Olho nu’, uma autobiografia cinematográfica sob os cuidados do cineasta Joel Pizzini, e ainda protagonizou o filme ‘Poder dos Afetos’, de Helena Ignez, que será lançado hoje (6), no Festival do Rio. “No cinema  não precisa dar pausa, você grava em um mês e está pronto, no teatro, sim. Tudo que é artístico me interessa. Eu não acho que por eu ser cantor eu tenha que me restringir. As artes me interessam”, afirma.

Em meio a tantos trabalhos interligados, Ney ainda arruma tempo para estar a par de todas as novidades da indústria musical e comentar a prática dos novos artistas disponibilizarem seus CDs para download na internet. “Acho que faz parte do mundo moderno que a gente vive. A indústria não é mais a mesma, acho que é uma consequência natural desse formato. Eu ainda tenho contrato com gravadoras”, diz, justificando porque ainda não libera suas músicas gratuitamente.

Com 72 anos, Ney atua nos palcos, no cinema e como diretor de teatro. (Foto: Marcia Hack)

Com 72 anos, Ney atua nos palcos, no cinema e como diretor de teatro. (Foto: Marcia Hack)

Consagrado como um dos maiores ícones culturais da música brasileira, Ney vem de uma geração livre de preconceitos e aberta a novos ritmos. “Eu nunca quis ficar restrito a nada. Eu acho que vai de cada um, não é uma obrigação. Sempre me voltei para tudo que a música brasileira oferece, sempre quis desfrutar de tudo um pouco”, confessa. Apesar de ouvir música em casa não ser um costume e escutar rádio no carro ser um momento raro, já que quase não dirige, o cantor também acompanha os fenômenos musicais que tornam-se cada vez mais populares. “O sertanejo hoje é um tipo de pop, não é mais sertanejo de origem, mas eu gosto do funk carioca. Tem muito equívoco como tudo que vira moda”. No álbum (‘Atento aos sinais’) com previsão de lançamento para este ano ainda, o cantor escolheu novos artistas, como Criolo, Dani Black, Banda Tono, Zabomba, Dan Nakagawa e Vitor Pirralho para inovar o repertório. “É um dos aspectos de estar atento. Estar atento é uma maneira de viver, eu vivo assim, atento a tudo que está acontecendo no mundo, em todos os países. Eu sou uma pessoa que relaciona tudo o que está acontecendo. Nós vivemos em um único planeta. Estamos todos no mesmo barco. Essa é a minha maneira de viver”, ressalta.

Em tempos de grandes manifestações políticas, jovens engajados buscam inspiração nos ídolos da MPB que vivenciaram o vulcão da ditadura militar. Ney, por sua vez, acredita na legitimidade dessa força, mas não faria comparações aos anos 70. “As manifestações são compatíveis com os jovens, mas o que não pode é virar baderna. Isso eu sou contra. É uma insatisfação generalizada, tem muita coisa errada e as pessoas estão indo às ruas para dizer. O governo tem que aturar, faz parte. A Constituição diz que o poder emana do povo. É isso que os políticos não estão acostumados e estranham”, pondera.

Durante 40 anos de carreira, Ney Matogrosso ficou conhecido pelo poder de sedução que exerce tanto com as mulheres como entre os homens, mas o carisma e a interação dos palcos sempre se refletem com a relação com os fãs: “No começo, eu era agressivo, porque, se eu não fosse, seriam comigo. Eu andava de máscara e pintava minha cara para ninguém saber quem eu era, porque ouvi uma vez que artista não podia andar na rua. Com o tempo, fui mudando. As pessoas são muito carinhosas comigo.  Então, procuro retribuir”. E nós agradecemos, Ney.

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