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“O Brasil é um país jovem, mas com histórias incríveis. Precisamos conhecê-las para não retrocedermos”, afirmou Bruno Ferrari sobre a importância de usar conteúdos históricos na dramaturgia

O ator está no ar na novela Tempo de Amar com o personagem Vicente que arranca suspiros dos espectadores e da protagonista. O papel faz parte do triângulo amoroso principal da trama. A narrativa é a terceira atuação seguida de Ferrari que envolvem conteúdos históricos. Ele ainda falou da série na MTV e da experiência de ser pai

Publicado em 13/12/2017 | Por Ana Clara Xavier

Seja no ônibus, no trabalho ou no almoço de domingo, quando o assunto é a novela Tempo de Amar existe certa divergência de opiniões. Os espectadores estão tão confusos quanto à própria protagonista, Maria Vitória, interpretada por Victória Strada. Na trama, a jovem se encontra em um triângulo amoroso que envolve Inácio, vivido por Bruno Cabrerizo, e Vicente, interpretado por Bruno Ferrari. Este último chegou depois na narrativa, mas já ganhou o coração da mocinha. Vicente é um galanteador que conquista diversas mulheres devido a sua inteligência e habilidade com poesia. “Quase não existem mais Vicentes hoje em dia. Dificilmente me espelho em alguém ou em algum personagem específico para atuar. Não sou um ator de muita composição ou de tipos. Trabalho mais em cima de algumas referências, de pesquisa”, afirmou Bruno Ferrari.

Bruno Ferrari interpreta o intelectual Vicente, rapaz que conquistou o coração de Maria Vitória (Foto: Sérgio Baia)

Para fazer o galã, Ferrari se apoiou totalmente no texto do personagem. Além disso, contou com a ajuda de uma palestra do compositor Peninha e uma preparação com Ana Kfouri. O ator ainda assistiu a alguns filmes que retratavam a época para entender o comportamento daquelas pessoas. A ideia era entrar em um túnel do tempo que o levasse até aquela década. “Infelizmente, temos poucas referências do Brasil de 1920, então acabei vendo muitos filmes estrangeiros, até porque o Vicente estudou fora e tem pensamentos avançados. Também pesquisei e descobri que foi uma época muito importante para o Brasil, tanto politicamente quanto culturalmente. A partir disso, fui desenhando a relação que o Vicente tem com cada uma das personagens”, contou.

Bruno Ferrari é um grande fã de produtos de época. Antes de Tempo de Amar, por exemplo, o último personagem do ator na Globo foi na novela Liberdade, Liberdade que falava sobre a época da libertação dos escravos. “Liberdade tinha um conteúdo histórico, passamos por Tiradentes, a Inconfidência Mineira, depois a série se tornou uma ficção baseada nesse contexto histórico”, lembrou. O ator teve o intervalo de quase um ano entre as duas narrativas. “A Globo tem usado muito o horário das 18h para novelas de época, que adoro fazer. Gosto de poder retratar como éramos, o que éramos. Fico impressionado como evoluímos em alguns aspectos e retrocedemos em outros”, lembrou. Entre as tramas Liberdade e Tempo de Amar, ele atuou no filme 1817: A Revolução Esquecida, de Tizuka Ymasaki, que também retrata o passado do nosso país. O longa acaba de chegar aos cinemas e fala sobre a revolução Pernambucana. A montagem foi baseada no romance A Noiva da Revolução, do jornalista Paulo Santos de Oliveira.

O ator lembra a importância de trazer para a dramaturgia brasileira conteúdos que falem sobre a história do país (Foto: Sérgio Baia)

Estes últimos trabalhos do ator levam em consideração momentos importantes para a história do Brasil que encaminharam para a sociedade atual. A novela Liberdade e o filme 1817 deixam clara a informação histórica que pretendem relembrar. Apesar de em Tempo de Amar o estimulo para criar o enredo da trama não ter sido a historiografia, a narrativa não deixa de usar como pano de fundo os acontecimentos dos anos 20, como a afirmação da cultura brasileira que culminou na Semana de Arte Moderna. Em um país onde existem problemas na educação, torna-se importante trazer luz sobre temas históricos na dramaturgia. “O Brasil é um país jovem, mas imenso e com histórias incríveis. Precisamos conhecê-las para darmos passos à frente e não retrocedermos, como temos feito nos dias de hoje, com toda essa propagação do racismo, da homofobia, intolerância religiosa, de toda essa roubalheira política… Isso tem que acabar. Sei que sempre existiu, mas, ultimamente, com as redes sociais, tem saído do controle. Pode parecer utopia, mas ainda acredito que as pessoas possam parar para refletir e pensar como podemos ser melhores”, garantiu o ator.

Enquanto trocava uma roupa de época por outra, Bruno Ferrari teve uns dias para viver uma pessoa do século XXI na série Perrengue, da MTV. Na trama, o ator teve a oportunidade de voltar para a realidade em que vivemos e falar sobre assuntos polêmicos e cotidianos como sexo, drogas, trabalho, família, aborto e relações livres. “Acho que em um canal fechado existe mais liberdade para tratarmos de temas como sexo e drogas de maneira mais explicita, assim como a novela das 23h também tem essa maior liberdade pelo horário”, comentou Ferrari. Além dele, Mariana Molina, Guilherme Dellorto e Vinícius Redd também estão no elenco.

Bruno Ferrari é figura certa seja nas telinhas ou nas telonas, no entanto, a última aparição do ator nos palcos foi em 2013, com a peça Fish & Chips. O motivo que o faz ficar tanto tempo distante do formato está totalmente ligado ao pouco investimento do governo na dramaturgia. “Teatro sempre foi algo difícil de fazer no Brasil. A cultura e a educação sempre foram deixadas de lado. Os ‘coronéis’ do poder não querem que o povo pense, pois fica mais difícil de domar. Mas a falta de investimento no país, hoje, é geral. Enquanto as pessoas não entenderem que a base de um país é a educação e a cultura, continuaremos atrasados e comandados por quem governa em interesse próprio. Mas o teatro é algo que nunca vai deixar de existir. Quem faz, faz porque ama de verdade”, lamentou.

O ator acredita que é o pai que sempre quis ter e comenta que sua esposa nasceu para ser mãe (Foto: Sérgio Baia)

Pessoalmente, o ator está em um dos melhores momentos de sua vida. Bruno Ferrari é pai do Antônio, que completou 1 ano em abril deste ano, fruto de sua relação com a atriz Paloma Duarte. Ele afirma que se tornou o pai que sempre sonhou, mas sabe que o caminho da paternidade está só começando. “Educar é muito difícil, não existe uma fórmula. Farei o possível para que ele seja um homem íntegro e capaz de ser verdadeiro com ele. Paloma tem duas meninas ‘mulheres’ que ela criou, soube educar e mostrar a vida para elas de forma linda. Sei, que com o Antonio não será diferente. Ela nasceu para ser mãe”, garantiu.

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