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“Não considero os personagens que faço como galãs”, afirmou o ator Sergio Guizé que faz o personagem principal na nova novela das 9, o segundo protagonista em menos de um ano

O artista interpreta um rapaz de família rica com um caráter dúbio que pode transitar entre os extremos de vilão e mocinho

Publicado em 07/11/2017 | Por Ana Clara Xavier

Se Gael é um mocinho ou um vilão somente Walcyr Carrasco pode dizer. O personagem, vivido por Sergio Guizé, é o protagonista da nova novela das 9, O Outro Lado Do Paraíso, e apesar do título, carrega um caráter extremamente dúbio. O rapaz cresceu em uma família rica do Tocantins e se apaixona por uma mulher humilde que morava no interior do estado, no Jalapão. Possui um histórico de agressões que sempre foram encobertas pela mãe, interpretada por Marieta Severo. Ao se casar com a protagonista, vivida por Bianca Bin, acaba revelando a ela este lado mais sombrio de sua personalidade. “Acho que o Gael consegue transitar pelos extremos. Ele sofreu na infância por exigirem muito dele. Quando conhece a Clara, entende o que é o amor e percebe que o mundo não é só impunidade. Mas é um cara refém de sua cultura, foi criado com pessoas mostrando a ele que um homem deve ser o responsável pelo lar e acho que tenta provar que é assim quando na verdade não é. Possui esta ideia de que é preciso defender a sua mulher, a sua casa e o seu nome”, comentou Sergio Guizé. Como a novela começa em 2007 e terá uma reviravolta que alcançará o ano atual, o rapaz já adiantou que existe esperança para seu personagem que irá aprender muito com a vida nestes dez anos. Por esse motivo, o ator não sabe ainda se consegue classificar o papel como mocinho ou vilão, mas espera não ser odiado pelo público.

Sergio Guizé também foi o protagonista da última novela de Walcyr, Eta Mundo Bom (foto: AGNEWS)

A influência que a mãe possui sobre o personagem é imensa. Ela é responsável por estimular discussões dele com a nora. “Os erros são instigados pela mãe que manipula a situação. Os dois se amam, na verdade. A personagem da Marieta gosta de seus filhos da forma dela, cada um com um intensidade particular. Ela é ambiciosa e manipuladora e nem sempre o que a mãe julga ser melhor é o certo para os seus filhos. Aprendi muito como homem trabalhando ao lado de Marieta”, contou o ator. Devido a estas várias camadas do personagem, Sergio já consegue adiantar que não será uma atuação fácil. No entanto para ajudar o artista nesta composição, tem ao seu lado grandes influências como o papel da atriz Fernanda Montenegro. “Estou focado em fazer o meu trabalho e conto com a ajuda de pessoas maravilhosas. É uma aula atuar com essas feras. Acho que tenho até maio para entrar no personagem e nesta história. Estou trazendo novas referências com a ajuda dos diretores. Acredito que eu e Walcyr ainda estamos sentindo qual caminho o Gael vai tomar, sei que é um papel que pode seguir várias direções”, garantiu.

Walcyr Carrasco ao lado de Sergio Guizé na coletiva de lançamento da novela (foto: AGNEWS)

Este personagem em O Outro Lado do Paraíso é o segundo protagonista consecutivo que faz na rede Globo. O primeiro foi em Eta Mundo Bom, também escrito por Walcyr Carrasco, o que contabiliza sua segunda produção ao lado deste gênio do folhetim. “Eu confio no trabalho dele e ele no meu, acredito que seja por isso que me chamou. Esta novela é muito diferente de Eta Mundo Bom porque são vários focos narrativos e de conflitos. O Walcyr vai instigando a gente a cada capítulo. Ao escrever, acho que ele empresta um pouco da sua essência para os seus personagens o que é a receita para a trama ser boa”, afirmou Sergio. O ator classifica seu personagem Candinho, na primeira novela, como uma semente de amor e esperança, um verdadeiro presente que espera continuar contribuindo para o sucesso de sua carreira.

Seu último personagem na telinha foi em Eta Mundo Bom (foto: AGNEWS)

Tudo é uma questão de adaptação. Um personagem foi virando outro e quando percebeu, o ator já se preparava para outro protagonista em menos de um ano de diferença, uma oportunidade rara para qualquer profissional da empresa. “Não considero os personagens como galãs, vejo apenas como papéis, sejam eles mais complicados ou não. Por isso não tenho medo de ficar mal acostumado por só fazer protagonistas. Tenho que trabalhar muito, todos os dias. O foco agora é ser o melhor possível e quanto mais difícil, mais interessante é. Não consigo dar mais importância para um papel de protagonista das 9 ou para um personagem de uma peça. Tudo é importante e intenso. Às vezes, paro um pouco para colocar a cabeça para funcionar e tentar não ficar tenso”, garantiu o ator que já possui 20 anos de carreira.

Apesar de ter conseguido boas oportunidades nos últimos anos, o ator não consegue definir um plano de carreira. O importante para ele é produzir de acordo com as grandes oportunidades que forem aparecendo. Enquanto ficou fora das telinhas, ele participou de uma peça em São Paulo e se dedicou a produzir o disco Tudo Sagrado com a banda Tio Che. “O conjunto faz parte da minha carreira como ator no teatro. Acabamos de gravar um disco, mas não sei quando deve sair. A galera continua tocando quando consegue e quando posso também embarco nessa, mas tem vezes que não dá e temos que lidar com isso. Mas o grupo tem vida própria”, explicou o ator. Sergio informou que não está tendo tempo para se dedicar a outra coisa que não sejam as gravações, o que o obrigou a, inclusive, se mudar para o Rio de Janeiro. “Gravo muito todos os dias. Quando estava fazendo a peça em São Paulo, consegui me dedicar a banda, mas agora só consigo focar na novela e nos textos. Estou muito feliz por ter essa oportunidade e tento não pensar no que as pessoas esperam de mim ou de um protagonista”, concluiu.

O ator está morando no Rio (foto: AGNEWS)

Em meio a esta loucura que são as gravações dos protagonistas, Sergio procura escapar, às vezes, para sua cidade natal Santo André, em São Paulo. Para ele é importante estar sempre conectado as suas raízes. “Meus amigos, família e banda estão lá e  quero estar com eles. Meu objetivo é fazer o meu trabalho, mas quando posso gosto de voltar para casa”, contou.

 

 

 

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