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Minas Trend #verão 16: no desfile de Lucas Magalhães, Elke Maravilha conta ao HT como ser original sem se render à mesmice

Personalidade que aglutina atenção por seu estilo único, ela é como um bem humorado tsunami que varre tudo quando passa: "mulher é muito sem gracinha!"

Publicado em 09/04/2015 | Por Alexandre Schnabl

Elke Maravilha é coisa nossa. A frase, parte do refrão da famosa música do programa de calouros de Sílvio Santos, ainda cai como uma luva para a ex-modelo, atriz e personalidade telúrica, que agitou com sua fulgurante figura o backstage e corredores do Minas Trend nesta quarta-feira (8/4), no Expominas. No camarim de Lucas Magalhães  de quem se diz fã inveterada e que já fez figurinos para a diva –, ela já mostra logo a que veio, convidada pelo stylist Paulo Martinez para fazer presença vip na primeira fila, inflando o peito e falando sem medo: “Amores, a melhor coisa do mundo é beijar na boca. E fazer sexo faz um bem danado para a pele” conta Elke, mostrando a tez esticadinha e posando ao lado do estilista e de Patricia Bonaldi para fotos dos paparazzi, com as modelos em volta, estupefatas, com olhos mais arregalados que os do Bob Esponja. E completa: “Estou com 70 anos, mas estou bem. Como dizia o Itamar Assumpção, quando você tem sessenta, você tenta. Quando tem setenta, você senta”, manda na lata, explicando em seguida a própria piadinha, cheia de bom humor, para aqueles tolos que não entenderam o trocadilho.

Martinez e Elke: "a moda mineira é uma maravilha!" (Foto: Henrique Fonseca)

Martinez e Elke: “a moda mineira é uma maravilha!” (Foto: Henrique Fonseca)

Um pouco mais tarde, é hora de ela causar comoção no público, já na sala de desfiles e antes mesmo de sentar na front row. Ela mal consegue dar um passo sem ser interpelada por uma multidão de fãs boquiabertos, já que é criatura acima do bem e do mal, de quem todo mundo gosta. Até Gloria Kalil quer tirar um selfie ao lado da diva, que já participou de filmes importantes no cinema nacional como “Xica da Silva” (de Cacá Diegues, 1976) e “Pixote” (de Hector Babenco, 1981), além de ser retratada como ela mesma em outros como “Zuzu Angel” (de Sergio Rezende, 2006, na pele de Luana Piovani) e em peças como “Chacrinha – o musical” (de Andrucha Waddington, atualmente em cartaz em São Paulo no Teatro Alfa , no qual é interpretada com exatidão por Mariana Gallindo).

"Rá-ráiiiii, Silvio": Em pleno desbunde, Elke contracena com Pedro de Lara no "Show de Calouros" de Sílvio Santos (Foto: Reprodução)

“Rá-ráiiiii, Silvio”: Em pleno desbunde, Elke contracena com Pedro de Lara no “Show de Calouros” de Sílvio Santos (Foto: Reprodução)

Depois de tietar um pouquinho também, HT aproveita para bater um papo exclusivo, mas “The Flash“, com Elke, já que é impossível ficar perto dela sozinho por muito tempo sem que se aglomere um cardume de gente querendo tirar casquinha: “Meu amor, conta para nós: qual o segredo para se manter neste estilo único por décadas, sem precisar se render ao fast fashion e à mesmice da moda ditada por vitrines pasteurizadas?” Ela fala na bucha: “Nunca me rendi a nada, e pensam que eu tenho a ver com os hippies dos anos setenta, nada disso, neguinho. Meu lance, já naquela época, era ser punk”, comenta, dando uma risada aberta em seguida.

Como a recatada Hortênsia, mulher do intendente, La Maravilha abrilhanta a produção de  Cacá Diegues e faz resistência à tresloucada,  Xica da Silva, tão exuberante quanto ela na vida real (Foto: Reprodução)

Como a recatada Hortênsia, mulher do intendente, La Maravilha abrilhanta a produção de Cacá Diegues e faz resistência à tresloucada Xica da Silva (Zezé Motta), tão exuberante quanto ela na vida real (Foto: Reprodução)

E completa: “Tô amando o evento”, no que Gloria Kalil emenda: “Você é mineira, não é mesmo?”, se referindo ao fato de ela ter sido criada no estado, apesar de nascida na antiga Leningrado, hoje novamente São Petersburgo. A diva arremata: “Tenho uma ligação muito forte com o aspecto artesanal da moda que é feita por aqui, com essa coisa rica. Por isso estou adorando o Minas Trend”.

Desiludida com a "falta de brilho das mulheres", para Elke Lucas Magalhães é coisa nossa!  No meio, Patrícia Bonaldi faz coro (Foto: Henrique Fonseca)

Desiludida com a “falta de brilho das mulheres”, Elke considera o estilista Lucas Magalhães (à esq) coisa nossa! No meio, Patrícia Bonaldi faz coro com a diva (Foto: Henrique Fonseca)

E, sobre suas inspirações na moda, ela se diz felina: “a beleza dos animais me atrai. As onças, leões, pavões, cobras. Os deuses estavam pouquíssimo animados quando criaram o ser humano, esse macaco pelado”, ri. “E as mulheres são tãoooo sem gracinha, os machos sempre são mais interessantes, vide a juba do leão e a cauda do pavão”, ela se encarrega de finalizar, deixando claro que nada melhor do que os convidados de Noé na arca para servir de lastro para a fauna da moda, inclusive ela. “O bicho-homem tem muito a aprender com a natureza, mas observa menos do que deveria”.

Pouco depois, Elke vai se sentando, e ai de quem estiver acomodado na fila B da plateia exatamente atrás dela, pois vai sofrer para conseguir assistir ao desfile, precisando desviar a cabeça para o ladinho para enxergar as modelos por trás de sua vasta cabeleira. HT aproveita a situação pra se despedir, mas sem antes deixar de tirar um sarro com o mito: “Amore, é mais difícil ver fashion show sentado atrás de você do que ter posicionado um judeu ortodoxo de chapelão exatamente na frente”. Ela se diverte, respondendo na gaiatice: “Benzinho, será que alguém consegue prestar atenção nessas moças comigo sentada na plateia, rs?”. Faz sentido.

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