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Minas Trend Day 1: Fabiana Milazzo investe no bordado exportação, Lucas Magalhães aposta no couro e Vivaz leva seu mundo encantado para o Inverno 2016

No primeiro dia de desfiles da semana de moda mineira, a atriz Camila Queiroz risca a passarela como princesa, Anne est Folle faz seu dèbut no line-up oficial do evento e Faven faz uma ode à escola Bauhaus do Modernismo

Publicado em 07/10/2015 | Por João Ker

Se o tema desta edição de outono/inverno 2016 do Minas Trend é “A força de quem faz”, ressaltando a importância da cadeia criativa na indústria fashion, as marcas mineiras fizeram jus ao legado no primeiro dia de desfiles, apresentando uma vasta variedade de peças autorais, artesanais e com potencial universal.

O dia começou com o mundo encantado e bordado da Vivaz, que foi seguido por Lucas Magalhães e sua inovação no uso do couro, além da volta às raízes com o tricô. O material tradicionalmente mineiro também esteve presente durante o desfile da Faven, que deu uma repaginada tecnológica enquanto suas estilistas se inspiravam no Modernismo da Escola Bauhaus para as peças. Encerrando o dia, a estamparia tecnológica da Anne est Folle marcou o début da grife no line-up oficial do evento, enquanto Fabiana Millazo fechou o primeiro dia com seus bordados que conquistaram a Europa e meticulosamente feminino, aplicada até em Denim.

Confira abaixo como foi cada desfile:

MinasTrendDay1

Vivaz:

Entregue à nostalgia, a estilista Elizabeth Faria buscou inspiração no Haras da família e dali surgiu com uma fábula fashion dividida em cinco atos: “As Fadas”, “As ninfas românticas”, “Príncipes x Princesas”, “Amazonas /Guerreiras” e “Princesas”. Do lado de fora da passarela, um cavalo de raça já dava indícios de que o reino encantado viria quase de forma literal e, à medida que vestidos fluidos em tons chá apareciam, não restava mais dúvidas.

Para construir esse reino, Elizabeth usou tecidos como georgette de seda e organza, que através de sobreposições criavam looks românticos e leves. A beleza clean, iluminada e com foco no contorno dos olhos tratava de reforçar essa imagem da mulher decidida, jovem e saudável, mas sobretudo sonhadora.

O artesanal da moda mineira também se entrelaçou a esse DNA mágico da Vivaz, com bordados minimalistas aplicados em quase todas as peças, pedrarias e patches de correntes, que serviam para dar uma maior força aos looks, incrementando o ato das amazonas guerreiras. Mas ai de quem pensar que essa princesinha está parada em sua torre esperando pelo príncipe encantado: apesar de ter encerrado o desfile com saias godês e muito volume, a Vivaz não abriu mão de representar o poder feminino, através de uma alfaiataria elegante, com pegada genderless e em tons mais fechados, como azul marinho e marrom.

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Lucas Magalhães:

Inspirado na arte que encontrou pelo Whitney Museum em sua última visita a Nova York, Lucas reuniu suas melhores qualidades em uma coleção que traz sua chancela impressa de forma forte e decidida, além de uma volta às raízes. As estampas vêm repletas de jogos com as figuras geométricas – reflexos das obras de Frank Stella e Agnes Martin encontradas em NY -, ao mesmo tempo que a paleta de cores sóbrias e escuras leva um certo ar de mistério para a passarela, onde a novidade é o uso do couro pela primeira vez em sua própria grife.

“Gosto de trabalhar com esse mix de matéria-prima, mas o foco principal é manter a identidade da marca, algo que tem atraído até meus clientes internacionais”, conta o estilista para HT no backstage. Essa mistura, por sinal, se desenvolve ainda mais através do retorno de Lucas ao trabalho com o tricô, agora para sua própria marca, após passagens pela Coven e pela Faven, onde já havia dado ênfase ao material.

Enquanto isso, saias volumosas, casacos longos (até abaixo do joelho) e  silhuetas estruturadas fazem uma ode à elegância da mulher mineira, mas sem o protecionismo bairrista, uma vez que Lucas já está de olho no mercado internacional. E, pelo desenvolvimento que vem apresentando coleção após coleção, é óbvio que Lucas está trilhando um caminho certeiro para esse objetivo, mesmo que precise envergar um pouco mais aqui e ali para o cunho comercial.

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Faven:

Se a moda mineira é conhecida por mesclar o artesanal à sofisticação, a Faven, cujo DNA está interligado ao uso do tricô, sabe muito bem como sintetizar essa ideia de tradição unida à inovação tecnológica. “É sempre um desafio trabalhar com o tricô, mas ao mesmo tempo é uma experiência ótima, porque você pode vê-lo se transformar em mil e uma possibilidades”, explica Natalia Pessoa, uma das estilistas da marca.

Ao lado da sócia Hingrid Sathler, ela buscou inspiração na Bauhaus, uma das escolas mais transgressoras do Modernismo, para apresentar um inverno colorido (muito em parte pelo uso dos fios de viscose), cheio de influências geométricas em jacquards, formas e texturas, que se espalham por uma alfaiataria desconstruída e com toques de militarismo, porém sem a rigidez habitual. “Sempre quis fazer essa ponte entre a arquitetura e a moda e, nessa temporada, finalmente conseguimos. Sinto que as duas são feitas para pessoas observadoras, e a Bauhaus, especificamente, vem de uma época que eu namoro há muito tempo”, explica Natalia.

Na passarela, uma mulher confiante, contemporânea e que não abre mão da própria sensualidade, através de fendas poderosas que deixam as pernas à mostra, faz sua entrada triunfal. “Pensamos em uma figura cosmopolita e prática. É, ela tem uma sensualidade, mas de forma mais velada, ultra feminina”, explica Natalia, traduzindo muito bem como se identifica a mulher de 2015.

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Anne est Folle:

Em sua estreia no line-up oficial do Minas Trend, a grife da dupla Renata e Ludmila Manso, crias do concurso de novos talentos do evento, o “Ready to go”, veio cheia de energia e trazendo um ar jovial para a passarela, recebendo os convidados ao som de hip hop e Miami bass.

No desfile, um ar de veraneio chega para aquecer o inverno, com uma paleta de cores quentes e tecidos leves, repleta de sobreposições com transparências e assimetrias que criam um certo ar de mistério, tendo o preto como base para as criações. Clima que, por sinal, é acentuado pela beleza, com os olhos das modelos à la Cisne Negro, incisivos e sensuais.

A estamparia, grande chancela da grife, vem digitalizada e com referências psicodélicas a florestas, flores e uma geometria vívida, que traz um quê tecnológico e abstrato às peças, formando um começo com o pé direito na semana de moda mineira.

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Fabiana Milazzo:

Reforçando o caráter extravagante e cuidadosamente artesanal da moda mineira, Fabiana trouxe essas características de forma mais sublime do que qualquer outro. É de seu time a costureira que mostramos durante a festa de abertura do Minas Trend, que exibiu ao vivo o significado do tema “A força de quem faz”, enquanto bordava pedrarias em vestidos de festa, em meio à badalação no Expominas.

Na passarela, Camila Queiroz foi a grande estrela, que teve seu brilho realçado pelas milhares de pedras utilizadas pela estilista. Pedras essas que se espalhavam por vestidos longos, alguns curtos e transparentes, outros românticos com cauda de sereia, e bodys com gola de cetim que fariam a cabeça de popstars como Beyoncé e Anitta irem ao céu e voltarem.

“Tenho exportado bastante as peças, já que o mercado internacional está de olho no nosso artesanato de luxo”, explicou a estilista para HT no backstage. A coleção, batizada “Eduardo e Mônica”, trouxe o clássico do Legião Urbana como trilha sonora, fazendo uma ode aos anos 1980 e à voz imortal de Renato Russo, enquanto evidenciava a forma como os opostos podem sim se atrair, tanto na música quanto na moda.

Uma das grandes novidades da coleção foi o uso do jeans, uma parceria com a Canatiba, que desenvolveu uma tecnologia de tecidos em uma espécie de moletom com stretch, que se ajusta à forma do corpo. Claro, até isso teve sua dose de aplicações em figuras que ora fazem referência à geometria e ora à natureza, com galhos e flores super delicados, todos feitos à mão.  Na paleta de cores, azul royal, rosê e prata, para adicionarem ainda uma dose extra de brilho à noite.

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