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Marieta Severo vive mulher amargurada que expulsa o filho gay de casa no longa ‘A Voz do Silêncio’: “Falamos sobre sobreviventes da cidade de São Paulo”

A atriz ainda aproveitou para falar sobre as dificuldades de trabalhar com cultura no nosso país. "É sempre difícil falar de teatro e de cultura. Existe uma falta de consciência do que realmente representa a cultura de um país. E o teatro está dentro disso"

Publicado em 25/11/2016 | Por Leonardo Rocha

Marieta Severo está prestes a voltar para as telonas! Depois de interpretar a indecisa e engraçada Maria Alice na comédia “Vendo ou Alugo” (2012), a atriz acaba de finalizar as gravações do intenso “A Voz do Silêncio”, onde dá vida a uma mãe amargurada e com ideologias tão tradicionais que acaba adquirindo uma certa esquizofrenia ao expulsar o filho homossexual e soropositivo de casa. Rodado inteiramente na cidade de São Paulo, mais precisamente em um apartamento na famosa Rua Augusta, o longa abre discussão para temas urgentes da nossa sociedade como as dificuldades de se viver em uma grande metrópole e o conflito de gerações diferentes que existe entre mães e filhos. Na pele de Maria Cláudia, Marieta volta a flertar com produções dramáticas e contou com exclusividade ao HT um pouco sobre o novo trabalho.

Marieta Severo (Foto: Divulgação)

Marieta Severo (Foto: Divulgação)

“Meu cinema era sempre sobre pais, dessa vez, são mães. Eu faço uma mulher que tem dois filhos, no entanto o que mais marca essa personagem é que ela desenvolve uma esquizofrenia depois de expulsar o filho de casa e descobrir que ele é gay. Ela é totalmente o avesso da mãezona que foi a Dona Nenê“, disse ela, referindo-se ao sucesso do extinta série “A Grande Família”. E completou: “Serão várias pequenas histórias de sobreviventes da cidade de São Paulo, que também acaba se tornado um personagem no meio disso tudo. No decorrer, todas essas histórias se  entrelaçam de alguma maneira. Mas é importante destacar: ela passa por uma transformação”, adiantou ela. O filme ainda conta coma a atuação de Marat Descartes, Arlindo Lopes, Nicola Siri, Stephanie de Jongh e Claudio Jaborandy.

Depois de emplacar personagens marcantes e que carregavam um certo tom de humor e ironia como Nenê e Fanny, de “Verdades Secretas” – seu último trabalho na TV, a atriz mergulha de cabeça em drama que, segundo ela, não teve nenhuma inspiração além do belíssimo texto e a direção de André Ristum. “Não tem nada a ver comigo. E também não tem a ver com essa coisa de laboratório, com essas angústias da interpretação que as pessoas fantasiam. O roteiro é bem escrito, desenho com o diretor a personagem e ela sai. Não conheci nenhum caso parecido, mas procurei pesquisar e entrar o mundo dos esquizofrênicos, mas sem nenhuma referência direta que fosse modelo”, afirmou. Em determinado momento da produção,  sua personagem passa a viver em um mundo de devaneios, onde conversa com o filho em seus sonhos.

Atriz volta as telonas com drama sobre mães e filhos (Foto: Divulgação)

Atriz volta as telonas com drama sobre mães e filhos (Foto: Divulgação)

A película ainda retrata personagens comuns de uma grande cidade e a forma que levam adiante suas vidas na busca da realização de um sonhos, sucesso financeiro, distantes dos afetos e de valores importantes para qualquer ser humano. Suas vidas se aproximam, avançam e se distanciam, enquanto o fluxo da vida na metrópole os conduz. “Eu gosto muito de São Paulo, mas eu nunca morei lá. Só vou a trabalho. Mas qualquer lugar que a pessoa não esteja financeiramente bem calçada se torna dura de viver. E as grandes cidades, as metrópoles, em geral, são bem mais duras.

Carioca de carteirinha, apesar de toda confusão política que se instaurou no país, ela viu com bons olhos os Jogos Olímpicos Rio 2016. Segundo ela, foi um momento de celebração e de percebermos que o brasileiro é muito maior do que seus políticos. “Acho que tem um povo trabalhador que segue a vida, apesar das crises, tentando sobreviver. E esse país não perdeu a capacidade de se reinventar. Os jogos foram uma demonstração de garra, de superação. Amo a minha cidade”, destacou.

Marieta e Marco Nanini podem repetir dobradinha de "A Grande Família" em nova novela da seis (Foto: Divulgação)

Marieta e Marco Nanini podem repetir dobradinha de “A Grande Família” em nova novela da seis (Foto: Divulgação)

E os trabalhos de Marieta Severo seguem de vento em poupa. Recentemente, ela foi convidada para reviver Carlota Joaquina na novela “Novo Mundo”, trama das seis que irá substituir “Sol nascente”. Se aceitar, a atriz, que já viveu a princesa no longa de Carla Camuratti em 1995, voltará a formar par romântico com ninguém menos do que o amigo Marco Nanini, que dará vida novamente a Dom João VI. “Voltar a trabalhar com Nanine seria ótimo. Eu trabalhei a vida inteira com ele e quero continuar. Mas ainda não tenho muito o que falar sobre esse trabalho. Ainda estamos conversando. A novela é só para 2017”, disse. A trama de Alessandro Marson e Thereza Falcão terá como pano de fundo o período histórico entre a viagem da princesa Leopoldina ao Brasil, em 1817, até a proclamação da independência por Dom Pedro I, em 1822.

Agora, após o sucesso da peça “Incêndios”, Marieta pretende dar uma pausa no teatro, mas aproveitou para falar sobre as dificuldades de trabalhar com cultura no nosso país. “É sempre difícil falar de teatro e de cultura. Existe uma falta de consciência do que realmente representa a cultura de um país. E o teatro está dentro disso. Nós sempre fomos batalhadores e nunca tivemos algo tranquilo. A cultura nunca esteve no lugar onde ela merecia estar”, completou.

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