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Maria Ribeiro lança livro de cartas nunca enviadas e fala sobre feminismo, política e novo amor: “Eu vivo apaixonada”

A escritora lançou o livro “Tudo o que eu sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo” e falou sobre importância de se conectar com outras mulheres e sobre o atual cenário político do país. Sobre o novo amor, Maria foi discreta. “Eu acho que a gente tem que pensar o amor de um jeito mais amplo do que estamos acostumados, como sendo só um par amoroso.”

Publicado em 09/05/2018 | Por Rayssa Cerdeira

Escrever carta pode até parecer “fora de moda”, mas para Maria Ribeiro é mais que um hábito, é uma paixão. A atriz, diretora e escritora reuniu todas a mensagens não enviadas no livro “Tudo o que sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo”, que foi lançado na noite da última terça-feira, dia 08, na livraria Argumento, no Leblon. Maria afirmou que as cartas são como as redes sociais, elas dão coragem para dizer o que, pessoalmente, poderia causar constrangimento. “Existem sentimentos sobre os quais você só consegue se expressar escrevendo. Essas cartas me possibilitaram enunciar o que eu não conseguiria falar em voz alta, por exemplo, para a Eliane Giardini, para o Paulo, para a Barbara Gancia. É uma outra forma de chegar à pessoa, sem ser com a voz”, explica.

Leia Mais: Palavras não ditas e cartas não enviadas: Maria Ribeiro lança Tudo o que sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo em noite de muitos amigos no Leblon

Maria descontraída durante o lançamento de seu livro “Tudo o que eu sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo”. (Foto: Cristina Granato)

Logo que o livro virou notícia, cartas como a para Eliane Giardini, ex-mulher de seu ex-marido Paulo Betti, outra com um pedido de desculpas para Fátima Bernardes e a mensagem para Barbara Gancia, com quem a escritora teve um desentendimento nos bastidores do programa Saia Justa, viraram destaque. Quando perguntada se achava que era sintomático da sociedade essa tentativa de colocar mulheres contra mulheres, Maria, que é muito envolvida com a causa feminista, disse que prefere olhar a situação pelo lado positivo. “A gente vive um momento feminista e eu fico feliz que essas cartas tenham tido destaque. Foi muito bom poder dizer para a Eliane que teve um dia em que eu estava com Paulo, mas ele queria estar com ela e não comigo. É bom poder dividir isso com outras mulheres”, explica.

Maria Ribeiro e a mãe, Marina do Amaral e Silva, durante o lançamento de seu livro que traz cartas nunca enviadas. (Foto: Cristina Granato)

Exige coragem para escrever e publicar mensagens assim, e Maria Ribeiro é admirada por se posicionar, defender causas e suas opiniões. Mas, quando perguntada sobre inseguranças, a escritora brinca: “Você está com tempo? Acho melhor eu te passar o telefone do meu analista”. Sobre isso, Maria destaca a importância de fazer análise e como isso a ajudou a superar medos. O livro, inclusive, faz muitas referências à psicanálise, como, por exemplo, uma carta destinada a Sigmund Freud. “Eu aprendi que todo mundo tem medo. Tem gente que não vai, porque tem medo, e tem gente que vai com medo mesmo. A vida não tem garantia nenhuma, ninguém sabe o vai acontecer. Mas o importante são os encontros, é você se permitir sentir e trocar. Eu tenho muitos medos, mas engato a primeira marcha e vou”, explicou.

Maria Ribeiro foi prestigiada durante o lançamento de seu livro “Tudo o que eu sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo” pelos filhos João Betti e Bento Blatt. (Foto: Cristina Granato)

Sobre o cenário político do país, Maria define como “bastante triste”. Mas como olhar as coisas por um lado positivo é a marca da escritora, ela prefere destacar que é muito relevante o fato da política ter se tornado um assunto muito presente nas discussões. “Nunca falamos tanto sobre política. Temos problematizado todas as questões, de uma maneira que antes não era possível. Desde 2013, pessoas de todas as idades estão muito engajadas em falar sobre isso”. Além disso, ela destaca o caráter novo da democracia no Brasil. “As brigas e as polarizações são, sim, ruins, mas a nossa politização é recente, então faz sentido a situação estar meio ‘FlaxFlu’. Estamos aprendendo a ser democráticos, tem pouco tempo”, explica.

Maria Ribeiro fala sobre feminismo e política durante o lançamento de seu livro “Tudo o que eu sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo”. (Foto: Cristina Granato)

Falando em otimismo, um novo amor é sempre motivo para se ver a vida com novos olhos. Recentemente, a escritora assumiu o relacionamento com o ator Fábio Assunção, que vive o juiz Ramiro, na série Onde Nascem os Fortes. O ator compareceu ao lançamento do livro de Maria e não economizou nos elogios. “Eu sou um admirador, um fã. A Maria é incrível e se comunica como ninguém. Esse livro é um retrato disso”. Sobre o relacionamento, a escritora, no entanto não quis dar muitos detalhes, mas disse ser uma pessoa apaixonada. “Eu vivo apaixonada. Sou apaixonada pelos meus amigos, por pessoas, por livros. Eu estou sempre assim, não sei viver sem isso. Eu acho que a gente tem que pensar o amor de um jeito mais amplo do que estamos acostumados, como sendo só um par amoroso. Existem muitas pessoas e situações com as quais podemos viver uma grande história de amor”. Recado anotado!

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