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Luiza Valdetaro lembra leucemia da filha: “Nunca escondi nada dela. Malu não se vitimizava”

A atriz acaba de ser nomeada embaixadora da Fundação La Roche-Posay, que inclui programas de apoio para quem lida com o câncer infantil. "Receber um diagnóstico desses em um filho é avassalador", frisa

Publicado em 25/09/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Afastada da televisão desde “Joia Rara”, em 2014, a vida de Luiza Valdetaro deu muitas voltas nesse meio tempo. A bela, que ficou conhecida do grande público em 2006, quando viveu a protagonista de “Malhação”, casou, foi morar no exterior, separou, voltou ao Brasil e, atualmente, vive no Rio de Janeiro com as duas filhas, Malu e Sophia, de 11 e 3 anos. Sua história inclui, ainda, a superação de uma leucemia de sua primogênita, fato que, como não poderia deixar de ser, marcou intensamente sua vida. E a atriz foi escolhida como embaixadora da Fundação La Roche-Posay, uma iniciativa da marca de dermocosméticos que inclui programas de apoio para quem precisa lidar com as mudanças na vida e os efeitos físicos e emocionais relacionados ao tratamento do câncer infantil.

Luiza Valdetaro integrou elencos de tramas como “Joia Rara”, “Gabriela”, “América” e outros (Foto: Reprodução/TV Globo)

“Hoje foi o lançamento oficial da Fundação La Roche-Posay no Brasil e eu tive a honra de ser nomeada embaixadora, desse projeto que é mundial, agora no nosso país! Como muitos de vocês já sabem, tenho na minha história pessoal a experiência de viver um câncer com a minha filha Malu; e se receber um diagnóstico desses em um filho é avassalador, os medos e as dúvidas que acabam por nos acompanhar ao longo de todo o tratamento são ainda mais devastadores! E por isso, esse projeto da Fundação La Roche-Posay é tão importante”, disse. “Mais do que abordar esse tema de importância pública, que é o câncer infantil, falamos muito sobre como podemos fazer a diferença na vida uns dos outros e na melhor qualidade de vida dessas crianças, de suas famílias, amigos e todos os envolvidos.
Quero agradecer nossos parceiros, fundamentais para tornar esta grande rede de apoio possível: AACC, GRAACC e ITACI!!! E agradeço especialmente a La Roche-Posay que teve essa iniciativa tão nobre e necessária – e por ter me convidado para fazer parte”.

Luiza Valdetaro é embaixadora da Fundação La Roche-Posay (Foto: Reprodução/Instagram)

Em recente entrevista para a revista “Crescer”, Luiza lembrou como foi receber o diagnóstico de que Malu, na época com apenas três aninhos, estava com uma doença tão grave. “Nos primeiros anos de vida, as crianças costumam ficar doentes com frequência e os sintomas são quase sempre os mesmo. Em geral, começa com uma febre. A Malu teve uma febre assintomática de 40 graus, mas eu só descobri porque a gente iria viajar e eu pensei: ‘Não vou sair com ela do Brasil sem saber o que é’. Mas lembro que não achei que fosse algo grave. Acabou que tivemos que internar para fazer todas as culturas e descartar várias doença até fazer uma punção lombar — que consiste na coleta do líquido cefalorraquidiano na medula espinhal — e chegar ao diagnóstico de leucemia. Então, a principal diferença dessa febre era que ela não trazia nada — um nariz escorrendo, uma tosse ou uma diarréia. Por sorte, tínhamos essa viagem. Talvez, se não fosse isso, a gente teria perdido uns 3 ou 4 dias tentando medicar a febre em casa. Portanto, é importante alerta que, mesmo sendo sintomas recorrentes, os pais sempre devem consultar um médico, pois fiquei chocada quando descobri que o primeiro remédio do protocolo de quimioterapia da leucemia era um corticóide oral, muito conhecido, que é o prednisolona. Claro que em uma dose muito mais alta. Ele é o tratamento inicial para a induzir a remissão, ou seja, induzir o corpo a parar de produzir os linfócitos prematuros. Então, caso eu tivesse automedicada minha filha por conta própria com esse remédio, ele poderia mascarar a doença e ela voltar ainda mais forte, algum tempo depois”, destacou.

A pequena Malu, na época do tratamento (Foto: Reprodução/Instagram)

Explicar para a pequena, claro, não foi tarefa fácil, mas Malu compreendeu quando a mãe contou que sua doença precisaria ser tratada no hospital. “Ela tinha 3 pra 4 anos quando recebemos o diagnóstico, Malu sempre foi muito comunicativa, já tinha um vocabulário bom, então, nunca escondi nada dela. Claro que eu não conseguia explicar da forma técnica o que era a doença, então, eu tentei usar uma linguagem mais lúdica. Até então, o que ela conhecia sobre doença era a febre. Então, lembro até hoje como eu expliquei: ‘Filha, existem febres bobas que toda criança tem e a gente trata em casa, e existem febres importantes. Quando a gente tem uma febre importante, precisamos tratar no hospital'”, contou. “Ela precisou fazer inúmeros exames de sangue, e eu falava que a gente ia colher unicórnios coloridos ou estrelas douradas e precisávamos de um determinado número. Ela perguntava se já tinha o suficiente ou tinha que voltar no outro dia para contar de novo. Quando o cabelo começou a cair, notei que ela ficou incomodada com aquilo, então, fiz de conta que estava ligando para médica dela para perguntar porque aquilo estava acontecendo e expliquei: ‘Malu, falei que seu cabelo estava caindo e ela ficou muito feliz. Ela disse que receitou um remédio para você e se o cabelo está caindo, é sinal está funcionando! Funcionou, filha, parabéns’. Ela entendeu e passou a contar isso pra todo mundo”, lembra.

Atualmente, aos 11 anos, Malu está 100% curada!(Foto: Reprodução/Instagram)

“Ela não gostava de ter que ir para o hospital, ter que tomar injeção, mas não se vitimizava. Eu lembro que, às vezes, ela tinha que tomar uma subcutânea, todos os dias, durante quatro semanas. Eu via que aquilo ficava queimando na pele durante uns 10 minutos e ela gritava… Eu ficava com o coração apertado, com vontade de chorar, mas ela virava pra mim e falava: ‘Tá tudo bem mãe, já passou’. O que me motivava era que ela não precisava, além de tudo, sofrer por me ver sofrendo. Nós, pais, somos espelhos para eles. Ela buscava em mim, no meu olho, saber se estava tudo bem mesmo. É difícil, ninguém é super-herói, mas a gente precisa, de alguma forma, superar-se para passar essa segurança. Eles é que estão passando pelo sofrimento físico e a tarefa de amenizar o emocional é nossa. Eu ia para o banheiro, respirava fundo e voltava pra brincar com ela. É um grande aprendizado para todo mundo”, analisa. “No todo, minha lembrança ainda é positiva, o que ficou foi uma experiência de vitória. Isso faz parte da minha vida e da vida dela. Uma vez que você não tem escolha, que já tem um diagnóstico, que pelo menos ele seja usado de uma forma mais positiva, pra você engrandecer, crescer, ter empatia. Somente as pessoas que são tocadas por experiências realmente profundas e fortes têm o privilégio de ter gratidão pelas pequenas coisas e pela vida”.

Luiza posa com Malu e a caçula, Sophia (Foto: Reprodução/Instagram)

“Lembro que logo que recebemos o diagnóstico, eu disse para uma amiga que estava ao meu lado: ‘Só quero que Deus me deixe ver tudo o que ele quer que eu veja com isso. Não me deixe passar nada desapercebido’. Acho que tudo na vida são oportunidades pra gente melhorar. Se por um lado é uma tristeza, uma dificuldade, por outro é uma possibilidade de aprendizado. Tínhamos diversas restrições e, por isso, convivemos com as coisas mais simples. Percebemos que era possível ter alegrias da maneira como for. Muita gente pede saúde, mas eu não peço nem isso, só peço alegria de viver. Pois, tem tanta gente plena de saúde e triste. Já outros acamados, com doença grave e felizes, plenos. Então, o ponto principal que vejo é a alegria de viver mesmo, o fato de olhar pela janela e ficar feliz também porque está chovendo. Acho que essas experiências proporcionam a gente de encontrar esse caminho, esse viés no cérebro e no coração. Aceitar e estar agradecido com tudo o que vivemos”, disse.

Malu (Foto: Reprodução/Instagram)

O tratamento durou quase três anos e, atualmente, Malu sabe bem o que teve de superar. “Ela tem total consciência e lembra de muita coisa. Até porque, na época, eu tirei muitas fotos e ela fez até aniversário no hospital. O tratamento durou dois anos e 8 meses. Ela tinha quase 4 anos quando descobrirmos e quase 7 quando terminou o tratamento. Foi um longo período. E hoje vejo que ela lembra da parte boa. Às vezes, ela ainda me pergunta uma coisa ou outra. Durante um tempo, ela não gostava de ver as fotos sem cabelo, mas hoje não liga e até gosta”.

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