Gente & Comportamento

Leticia Colin fala sobre a experiência de interpretar uma prostituta feminista em Segundo Sol e ainda comenta sobre o sucesso de Leopoldina

“Ela vai ter uma passagem pela prostituição de luxo. Acabou entrando para este mundo porque está infeliz por viver nesta família conturbada, não conseguir trabalho e viver com pouco dinheiro. A maneira com a qual se envolve com isto é contraditória já que é corajosa e dona de si. Possui um pensamento feminista progressista. Ela acha que ser cortesã é uma profissão como qualquer outra. Não vê como uma posição de vítima e, na verdade, como uma pessoa empoderada que sabe o que quer. O ponto de vista dela sobre esse trabalho será muito interessante. A Rosa tem um olhar sobre este assunto menos hipócrita”, comentou

Publicado em 07/06/2018 | Por Ana Clara Xavier

Depois de um sucesso estrondoso por interpretar a princesa Leopoldina em Novo Mundo, Leticia Colin vive uma nova personagem em Segundo Sol. A atriz interpreta uma mulher livre, independente, autônoma e inteligente, mas precisa encarar um lar onde o pai bate maltrata a própria esposa. Na trama, a polêmica Rosa veio de uma família pobre e acaba saindo de casa por não suportar viver junto com o pai, interpretado por Roberto Bonfim, que é uma pessoa machista capaz de machucar a própria mulher. “Acho que todo mundo conhece pessoas que vivem assim, afinal, ela precisa ver o sofrimento diário da mãe. É muito difícil”, contou. Na busca de conseguir dinheiro para se manter, acaba se apaixonando por Chay Suede, que é filho da protagonista, Giovanna Antonelli. Os dois acabam se tornando garotos de programa. “Ela vai ter uma passagem pela prostituição de luxo. Acabou entrando para este mundo porque está infeliz por viver nesta família conturbada, não conseguir trabalho e viver com pouco dinheiro. A maneira com a qual se envolve com isto é contraditória já que é corajosa e dona de si. Possui um pensamento feminista progressista. Ela acha que ser cortesã é uma profissão como qualquer outra. Não vê como uma posição de vítima e, na verdade, como uma pessoa empoderada que sabe o que quer. O ponto de vista dela sobre esse trabalho será muito interessante. A Rosa tem um olhar sobre este assunto menos hipócrita”, salientou Leticia. Para interpretar este papel, a artista teve a oportunidade de falar com algumas prostitutas, mas, por ser um tema vasto, ela ainda está pesquisando bastante.

Leticia Colin vive a Rosa em Segundo Sol, uma mulher empoderada e dona de si (Foto: TV Globo/João Cotta)

Segundo Sol é a primeira novela no qual a atriz interpreta um personagem com uma pegada mais sensual. Depois de interpretar a inocente Leopoldina, Leticia Colin aflorou o seu lado sexy para viver esta mulher que faz muito sucesso entre os homens. “A Bahia tem um pouco disso. A região emana lado afrodisíaco, talvez seja por causa da comida ou da música, e nós trouxemos um pouco deste sentimento para a novela. Quando li a Rosa, senti que deveria ser uma mulher que é notada por onde passa”, refletiu.

Apesar de não ter muitas semelhanças com o papel, Leticia Colin confessou também ser feminista como a sua personagem. “Existe muitas linhas do movimento, mas acredito, sim, na luta pela igualdade dos direitos e do espaço para a mulher. Os gêneros são diferentes e isto não significa que um seja melhor que o outro. Tenho pesquisado e lido muito sobre o tema, porque é uma personagem que reflete muito sobre isso”, afirmou.

O fato da personagem de Leticia fazer parte de uma família pobre e estar lutando por conseguir um emprego para melhorar de vida acaba abrindo portas para Segundo Sol falar um pouco sobre a instabilidade econômica brasileira. “Estamos falando sobre a crise que vivemos há muitos anos e que se repete”, afirmou. A trama também vai mostrar, através da Rosa, a luta diária do brasileiro honesto e batalhador e as mazelas nacionais. “Mostramos um pai que veio de uma educação mais retrógada e machista, por exemplo. São personagens muito humanos que todo mundo vai se reconhecer. O autor João Emanuel Carneiro tem essa característica. Existem diversas relações atuais que trazem marcas sociais diferentes como a questão da pobreza e o que as pessoas fazem para ganhar dinheiro e para alcançar o poder”, analisou.

A artista comentou ser muito fã das teledramaturgias de João Emanuel e por isso ficou muito feliz por fazer parte de Segundo Sol. “Ele é um dos grandes autores do nosso tempo. O texto, os personagens e as tramas que ele propõe são muito complexos com figuras ambíguas e contraditórias, o que é muito importante porque ninguém é bom ou mal. É uma trama cheia de reviravoltas”, informou. Ela contou ainda que adora ler o texto de outros núcleos já que a literatura da novela é muito boa.

A atriz na coletiva de imprensa de Segundo Sol (Foto: Raphael Dias/Gshow)

Estar em um produto de um autor que admira não é apenas um dos indícios que asseguram, para Leticia, o sucesso de sua personagem. A Rosa é um resumo de todos os desafios que teve até hoje. “Trabalho desde os oito anos e acho que os personagens ajudam a nos transformar como ser humano e melhorar como ator, como foi o caso de Novo Mundo e o meu encontro com o Caio Castro, um grande parceiro, e também o meu contato com Júlia Rezende do filme Ponte Aérea. São muitos papéis que vão ajudando a gente a desabrochar”, comentou. Apesar de ter a consciência de que todos os seus personagens são importantes, a atriz considera que a Leopoldina, de Novo Mundo, foi um divisor de águas na sua carreira. Mesmo já tenho feito outro papel depois dela na série da Globo, que estreia em julho, Cine Holliúdy, ela comentou que ainda possui uma afeição muito grande com a sua antiga equipe. “Sou muito apaixonada pela Leopoldina e muito grata pelo meu encontro com o Vinícius Coimbra, diretor da novela. Mas esta é a vida, temos que seguir em frente e começar de novo. Todas as personagens atravessam minha vida, me deixam louca, sem dormir, mudam minha alimentação, minha cor, meu cabelo, meus pensamentos e meus sonhos. Elas me atropelam”, confessou.

Um dos maiores desafios de interpretar a Rosa foi precisar trabalhar em uma prosódia baiana depois de sair de uma linguagem rebuscada e meio estrangeira de sua personagem em Novo Mundo. “Foi muito complicado. Graças a Deus, consegui fazer a Marylin, da série Cine Holliúdy, no meio do caminho, porque ela era paulista como eu o que me deixou mais confortável. No entanto, adoro estas composições diferentes. Mas o sotaque baiano é mais complicado, até mais que o austríaco, por exemplo. Acho que porque é mais musical, sem contar que a responsabilidade é maior já que a Bahia é aqui do lado”, comentou.

Além de mudar a voz, a artista precisou alterar a sua rotina de exercícios e alimentação para fazer esta personagem sensual. “Eu tenho me alimentado de forma mais saudável e até estou tendo vontade de cozinhar, algo que nunca tinha feito antes. Além disso, tenho um personal maravilhoso que vai na minha casa às seis da manhã e às dez da noite. Estou malhando muito, de quatro a cinco vezes na semana. Amo esta rotina, mas nunca tinha colocado como uma prioridade, mas acho que a personagem tem que ser exuberante e bela. Estou me cuidado muito mais por causa da Rosa, estou entendendo de água, de vitaminas, de exercícios físicos, de cross fit e de funcional”, contou. Para completar, ela precisou pintar o cabelo de castanho para viver este papel. “Acho que nunca fiquei com esta cor, mas achei que combinava muito bem com a minha personagem. Achei que ficou muito diferente, passei dias tomando sustos ao olhar para o espelho, mas estou apaixonada. Sou muito aberta para estas transformações, faz parte da minha carreira”, completou.

Pesquisas relacionadas