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Leona Cavalli se despede de “Totalmente Demais” e ressalta a importância da personagem: “Uma gota de luz para as mulheres vítimas de agressão”

A atriz, que segue em cartaz com a peça "Frida y Diego" comenta a importância do Ministério da Cultura para um país: " A cultura de um povo é o que possibilita que haja todos os outros direitos humanos e a educação. A cultura vem antes de tudo."

Publicado em 28/05/2016 | Por Leonardo Rocha

Leona Cavalli como Gilda de "Totalmente Demais" (Foto: Divulgação)

Leona Cavalli como Gilda de “Totalmente Demais” (Foto: Divulgação)

Vivendo o drama das mulheres agredidas pelos parceiros de Gilda, em “Totalmente Demais”, a atriz Leona Cavalli, que também está em cartaz com a peça “Frida y Diego”, inspirada na vida da artista mexicana Frida Kahlo, se despede da polêmica personagem que trouxe à tona o debate sobre a questão da violência contra a mulher. Em entrevista exclusiva ao HT, ela conta que acha importante dar representatividade a essa parcela da sociedade, que, muitas vezes, sofre calada. Para a atriz, o mais tocante na trajetória da personagem foi a proximidade do núcleo de Campo Claro com o histórico de família reais, que sofrem na vida cotidiana as situações vividas pela mãe de Eliza (Marina Ruy Barbosa).

“Uma pesquisa que foi feita no início da novela indicou que existem casos de questão de abuso em muitas famílias brasileiras. É um absurdo muito grande, mas ao mesmo tempo, como intérprete da personagem, entendo a situação que ela vive. Mas, sabendo de tudo o que envolve, acho que as mulheres deveriam se transformar mesmo e se fortalecerem para superar essas situações”, apontou ela, que torce para um final feliz da personagem. “Queria que a Gilda se transformasse, e tivesse coragem de ter liberdade, independência, consciência e se fortalecer. Espero que isso tenha servido como uma gota de luz para as pessoas que vivem essa situação”, disse.

Nas ruas, a repercussão é frequente e Leona sente o retorno do público. “Torceram bastante para que ela largasse o Dino (Paulo Rocha), mas muita gente me conta que já ouviu falar de casos assim. Fico muito tocada com isso, uma situação tão dura. Essa é uma parte muito dramática da novela e, ao mesmo tempo, colocada de uma forma leve, apesar de ser uma situação trágica, difícil, forte e real”, contou ela, que, com o final da novela – segunda-feira será o último capítulo – se dedica ao espetáculo dedicado a Frida Kahlo. “A gente agora vai para Brasília e Porto Alegre. O texto é da Maria Adelaide Amaral, e nós tivemos uma preparação intensa. Eu li todas as biografias e os diários de Frida. Eu já era fã, mas não conhecia a vida dela. Então, eu fui ao México, na Casa Azul, para conhecer o ateliê e todas as coisas. Ela foi uma mulher que deixou um legado não só nas artes plasticas. Foi uma da maiores pintoras latinas e deixou também sua marca na moda, no comportamento, no pensamento, na luta pelos direitos humanos. É incrível, tudo o que ela tocava virava arte. Foi uma mulher fundamental”, revelou.

José Rubens e a atriz na peça "Frida y Diego (Foto: Divulgação)

José Rubens e a atriz na peça “Frida y Diego (Foto: Divulgação)

Leona ainda aproveitou para fazer uma comparação entre suas personagens: “Esse momento está sendo muito interessante, porque eu estou vivendo na novela uma mulher que vive uma relação muito conturbada com o marido e a própria filha. E ela é o total oposto da Frida, porque ela vive uma situação de ser submissa ao marido. Mas, por outro lado, é uma mulher muito apaixonada e tem uma questão de divisão do amor pelos três filhos e o amor pelo marido, mas que traz muito desse universo feminino e da valorização do ser mulher. E é muito bom poder fazer personagens tão diferentes”, acrescentou ela, que ainda afirmou: “É por isso que eu sou atriz. Por esse possibilidade e o fascínio de poder ser várias pessoas em uma só”, comentou. Já que estávamos falando de empoderamento, o assunto, claro, seguiu em direção aos novos tempos do feminismo.”O movimento feminista vem de muitos anos. A Frida é uma personagem muito icônica desse movimento. Tanto pela arte livre, pela cultura latina. É fundamental, mas acho uma pena que a gente ainda fale de feminismo como uma coisa separada. Isso deveria se chamar humanismo. A mulher é geradora da cultura. E como muitas mulheres estou orgulhosa desse momento de termos essa força unida”, comemorou.

Filha do político Alson Pereira da Silva, Leona garante que desde pequena tem uma relação forte com os movimentos populares. E como não poderia ser diferente, é totalmente a favor do Ministério da Cultura. “Muitas vezes, quando criança, fui e falei em comícios com meu pai. Isso me trouxe o gosto de falar em público, mas não o prazer da política como função. Sempre tive certeza de que a minha ação pública é através da arte” disse. “A volta do MinC foi uma coisa completamente imprescindível. A cultura de um povo é o que possibilita que haja todos os outros direitos humanos e a educação. A cultura vem antes de tudo. Todos os povos têm sua cultura. Acho ótimo a volta, mas espero que, se houve um lado positivo nessa confusão, foi essa união e esse movimento de trazer a necessidade da cultura como uma coisa vital. Que é tão importante quanto a educação e a saúde”, avaliou.

Leona Cavalli e Marina Ruy Barbosa (Foto: Divulgação)

Leona Cavalli e Marina Ruy Barbosa (Foto: Divulgação)

E quem pensa que a atriz vai tirar férias após o fim de “Totalmente Demais” se enganou. Leona segue gravando uma série de comédia para o Multishow. “Já comecei a gravar a série ‘A Secretária do Presidente‘, que aborda esse mundo de uma forma muito divertida. Ainda não posso divulgar muita coisa, mas estamos no elenco eu, que faço a mãe da secretária, Monique Alfradique e Patrycia Travassos“, finalizou.

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