*Por Brunna Condini
Multiartista de 30 anos de trajetória profissional e 68 peças no currículo, primeiro como ator e, depois, como produtor e diretor, Léo Fuchs estreia neste sábado, dia 4, no YouTube, sua primeira animação infantil, ‘Dindo Léo Pra Dedéu’, com o episódio de abertura ‘O Que É Um Dindo?’. Nesta entrevista, Léo fala sobre o projeto autoral, sobre a vida pessoal e comenta a recente fake news que tomou conta dos sites, que fizeram alarde do “beijo de amigo” que deu em Giovanna Ewbank, sua comadre e parceira de vida ao lado de Bruno Gagliasso, amigo-irmão de 30 anos: “Gente, fiquei surpreso com a repercussão, acho que o mundo encaretou. Aquilo é carinho. A maldade está nos olhos de quem vê”.
Em primeira mão, Léo também entrega os planos do coração: o casamento com o noivo, Gustavo Oliveira, que será no Rio de Janeiro, em 2026, “para poucos e bons” — de dia, para “celebrar, curtir e dormir cedo. Com 44 anos tem ser assim, porque dá tempo de se recuperar no dia seguinte (risos)”. Vivendo entre Miami e Rio de Janeiro, em uma rotina de ponte aérea constante, ele conta que tem green card há cinco anos, mas que isso não o blinda de se solidarizar com a dureza que pode ser viver fora do Brasil hoje:
Virei meio que o porta-voz da comunidade brasileira local, e agora vejo muitas pessoas com medo de sair por serem imigrantes. Não é só sobre os Estados Unidos, o mundo anda dividido. Gosto muito da minha vida lá, mas não posso olhar só para a minha ‘bolha’. Na verdade, moro lá, moro aqui; e ultimamente tenho morado no avião, indo pra lá e pra cá o tempo inteiro. Sou um eterno imigrante – Léo Fuchs

Léo Fuchs lança animação infantil no Youtube e revela planos do casamento em 2026: “Será uma celebração para poucos e bons. Hoje prefiro assim” (Divulgação)
Nos últimos anos, Fuchs tem dividido a vida em uma rotina que define como um exercício de amadurecimento. “Lá em Miami, eu perdi 60 quilos, vivi um casamento de oito anos, me separei e me reergui. Foi um processo que quis experimentar na pele, para sair da mesmice, das mesmas rotinas. Tive que aprender a passar um domingo sozinho, a me inscrever em campeonato de beach tennis para conhecer gente nova. Sempre fui rato de teatro, de pessoas, então foi um exercício enorme”, conta. Essa vivência lhe deu a dimensão daquilo que chama de ser “um eterno imigrante”: “Estar fora exige deixar muita coisa de lado, ao mesmo tempo em que te obriga a olhar para si e encontrar novas formas de pertencimento”.

“Nunca pensei em criar um projeto infantil para o mercado. Agora, toda criança pode ter um Dindo Léo para chamar de seu” (Divulgação)
Foi nesse período que Léo também viveu um dos encontros mais importantes de sua vida: o noivo, Gustavo, professor universitário. Eles se conheceram de forma improvável, pelo Instagram, após um post do Surubaum — programa dirigido por Léo, e apresentado por Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, que teve uma collab com a saudosa Preta Gil. Fã de longa data de Preta, Gustavo comentou na publicação e, a partir dali, eles começaram a se falar diariamente. “Desde o primeiro dia não passamos mais sem nos falar”, lembra Léo. Para ele, não há dúvidas de que houve um ‘amadrinhamento’ e ‘apadrinhamento’ simbólico: “De certa forma, a Preta, que foi uma grande amiga, junto com a Gi e o Bruno, acabaram sendo um canal para esse nosso encontro. Nunca havia pensando nisso, mas é verdade”. E recorda:
A Preta sempre dizia que a vida é feita para celebrar. E é isso que eu tento fazer cada vez mais: celebrar as pessoas que amo e os sonhos que ainda quero realizar – Léo Fuchs

Leo Fuchs e Preta Gil: “De certa forma, a Preta, que foi uma grande amiga, junto com a Gi e o Bruno, acabaram sendo um canal para meu encontro com Gustavo” (Reprodução/Instagram)
Vivendo o amor bom
Sobre o noivo, ele se derrete: “O Gustavo é muito diferente de mim, é acadêmico, tem uma vida completamente distinta, mas temos o mesmo horizonte e valores parecidos. Eu sempre fui a alegria da turma, mas ele é ainda mais solar do que eu. A gente ri muito junto”. O casamento, marcado para 2026, será no Rio de Janeiro, em clima intimista: “Hoje eu prefiro poucos e bons. Já fiz festas para 500 pessoas, agora quero estar cercado de quem realmente importa, de preferência durante um dia bem gostoso. E assim faremos, só não sabemos aonde ainda”.

Gustavo Oliveira e Léo Fuchs estão noivos e vão se casar em 2026 (Reprodução/Instagram)
E a visão que vem do amadurecimento
Entre planos de casamento e novos projetos, Léo ainda reflete sobre como a vida pública é atravessada por distorções. A polêmica em torno de uma foto em que aparece dando um beijo de amigo em Giovanna Ewbank, durante uma viagem à Itália, é exemplo disso. “Eu estava celebrando a renovação de votos deles, feliz porque tinha acabado de ficar noivo e, de repente, acordei com meu celular explodindo de mensagens. Foi assustador ver a proporção que tomou. Era um gesto de carinho, de amizade, nada além disso”, relembra. O episódio fez Léo refletir sobre o espaço que a fofoca ocupa na sociedade. “É muito louco perceber que uma polêmica tem dez vezes mais alcance do que o lançamento de um trabalho autoral, por exemplo, feito com anos de dedicação. Isso diz muito sobre o momento que vivemos, em que a negatividade parece ter mais eco do que o afeto. Mas eu sigo acreditando que a maldade está nos olhos de quem vê, e que o amor é a cura para tudo”.
E assume que a maturidade trouxe uma nova forma de olhar para si e para o mundo:
Já passei por dores e recomeços, já me reconstruí mais de uma vez. Hoje sei quem sou e tenho orgulho desse cara. Por isso, quando encontro alguém tão inteiro quanto eu, como o Gustavo, é potência pura. Não é sobre um completar o outro, é sobre duas pessoas inteiras, que se admiram e escolhem estar juntas – Léo Fuchs

Léo Fuchs com o noivo Gustavo Oliveira e os amigos Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, quando foram à Itália juntos (Reprodução/Instagram)
Com o afeto e sonho como motores
‘Dindo Léo Pra Dedéu’ é o projeto mais autoral de sua carreira, nascido da convivência com seus 12 afilhados e do desejo de transformar em arte a energia desse vínculo. “Nunca pensei em criar um projeto infantil para o mercado. Eu simplesmente sou o Dindo Léo: aquele que brinca, que dá bronca, que ajuda no dever de casa, que chega nas festas fantasiado. Aos poucos percebi que esse afeto podia virar linguagem artística. Agora, toda criança pode ter um Dindo Léo para chamar de seu”, diz, sobre o projeto que conta com 11 episódios no YouTube, lançados até o fim de outubro, sempre com histórias curtas que misturam teatro, humor e música. E apesar dos desafios de realizar projetos artísticos no Brasil, Léo resume sua filosofia de vida e arte, inspirado pelo mentor Domingos Oliveira (1936-2019):
Realizar não é o mais difícil. O difícil é não deixar o sonho morrer. Sucesso é viver com sonhos e afeto. Meu desejo é sobreviver como artista até o último dia da minha vida. O resto, deixo acontecer – Léo Fuchs

Léo Fuchs: “Sigo acreditando que o amor é a cura para tudo” (Divulgação)
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