*Por Brunna Condini
Dentre tantas pautas na vida de uma mulher, infelizmente ainda é preciso falar da pressão estética dos corpos padronizados. Essa é uma construção histórica, social e cultural, que adoece muitas mulheres e tem incontáveis consequências. Em entrevista exclusiva ao site, Giulia Costa fala do tema e de como foi afetada. Atriz, assistente de direção e apresentadora – sim, agora ela também apresenta podcasts e tem se saído muito bem -, Giulia reflete: “Essa cobrança da aparência é a mais cruel, da magreza, do padrão. Sou muito cobrada nesse sentido. Acho que as pessoas acabaram criando uma expectativa de mim que não corresponde à realidade, e muito por conta da minha mãe ser essa referência de musa que é. Não tenho e nunca tive a vontade de estar nesse lugar, mas acho que as pessoas acabaram criando e se frustrando com as próprias expectativas delas, sabe? Esta sou eu tentando entender a cabeça dos haters”.
Ela fala ainda, da experiência como apresentadora no ‘Pé no Sofá Pod‘, ao lado da mãe, Flávia Alessandra, e no ‘Fatal Cast‘, na Band, emissora que também contratou Otaviano Costa, que considera um segundo pai (seu pai, Marcos Paulo, faleceu em 2012). Giulia revela que deseja dirigir um filme feito por mulheres para mulheres; e acrescenta, ao falar da pressão estética que a levou a desenvolver um transtorno dismórfico corporal, uma percepção distorcida do próprio corpo:

Giulia Costa comenta sobre a performance como apresentadora e revela que pretende dirigir um filme feito por mulheres para mulheres (Foto: Vitor Reis)
“Essa pressão é algo que me afeta muito. Conto com a ajuda de profissionais habilitados, psicólogos, psiquiatras, o que é um privilégio e tem sido essencial. A aceitação do diagnóstico é o primeiro passo. Isso vira a chave. E cada vez mais me cerco da minha família, dos meus amigos, das pessoas que me conhecem verdadeiramente. Procuro fazer coisas que me preencham, viajar, estar perto da natureza, aprender novas habilidades, consumir arte. Acho que tudo isso me alimenta para cuidar da minha saúde mental”. E pontua:
Cuido da saúde física também com o foco no bem-estar, porque senão querem levar para esse lado só da magreza. E muitas vezes a pessoa, mesmo magra, está com os exames muito piores do que quem é considerado acima do peso. Me consideram acima do peso, mas ninguém nunca viu um exame meu…cuido da minha saúde ouvindo somente os médicos e profissionais habilitados. Eles podem me dar orientação. E não os críticos, porque senão piro. A saúde está em dia, o mais difícil é ignorar os haters – Giulia Costa

“Essa pressão estética me afeta muito. Conto com a ajuda de profissionais habilitados, psicólogos, psiquiatras, o que é um privilégio e tem sido essencial (Foto: Caio Novaes)
Comparações
Giulia reflete sobre as comparações com a mãe, Flávia Alessandra: “Acho que isso é uma coisa recente. É algo que ainda está mexendo e estou entendendo como lidar e como não lidar. É claro que vai mexer de alguma forma. Não tem como. Como quando são 5, 10, 20, 30, 40, 50 pessoas todo dia lá nas suas redes sociais comentando e te cobrando e falando mal. Por isso, de uns tempos pra cá, tenho tentado absorver e ouvir muito mais os comentários, elogios e críticas de quem me conhece, do que de quem não me conhece e está comentando nas minhas redes. Isso faz muito mais sentido”.

Giulia Costa e Flávia Alessandra apresentam o ‘Pé no Sofá Pod’ (Foto: Vitor Reis)
À frente das câmeras
Apresentando o ‘Pé no sofá Pod‘ e o ‘Fatal cast‘, na Band, que repercurte ‘Beleza Fatal‘ até maio, quando termina a exibição dos capítulos da novela, Giulia fala da experiência: “Tem essa novidade agora como apresentadora que eu não estava esperando, mas foi uma grata surpresa. Estou muito feliz, tentando sempre estudar e absorver mais, aprender. Tem um mestre da comunicação em casa, né, o Ota, que também consegue me ajudar muito”.
Gostaria de trabalhar com o Otaviano na Band, à frente ou atrás das câmeras? “Adoraria trabalhar com o Ota! Mas acho que a gente funcionaria melhor na frente da câmera. Se fosse eu nos bastidores, e ele na frente, não sei se funcionaria, porque acabamos tendo visões e métodos de funcionamento diferentes”.
Seria maravilhoso trabalhar com o Ota. Acho que funcionaríamos melhor na frente das câmeras. Quem sabe apresentando alguma coisa juntos? – Giulia Costa

Giulia Costa e Otaviano Costa estão na Band (Foto: Reprodução/Instagram)
Atrás das câmeras
A atriz e apresentadora também trabalha como assistente de direção no cinema. A carreira na direção é uma meta? “Sim, uma super meta. É a meta”. E anuncia:
Tenho o sonho de dirigir um filme. O meu desejo é poder falar sobre assuntos que digam respeito ao universo feminino e de forma feminina, sabe? Eu quero fazer um filme de mulheres, para mulheres e com mulheres, é um sonho – Giulia Costa

“Dirigir um filme é uma super meta” (Foto: Caio Novaes)
Você é filha de um diretor. Acha que por ser mulher as comparações com ele podem ser mais duras? “Sim. Como tudo na vida, ser homem facilita muito. Mas amo ser mulher, por mais que tenhamos muitas questões, inseguranças e cobranças. Nosso universo, lugar de fala, costumam ser mais interessantes, profundos. Mas o cinema, o audiovisual, ainda são ambientes muito machistas, patriarcais, dominados por homens”.
Giulia acrescenta revelando novos planos: “De dezembro do ano passado para cá, mudaram muito. Havia passado para fazer faculdade de Psicologia, que sempre foi uma vontade minha. Mas vim para São Paulo, estou vivendo um período aqui, então tive que trancar a faculdade. Essa é uma formação que eu pretendo ter ainda. Minha vida deu um giro de 360 graus, as coisas têm se transformado. Agora quero me realizar cada vez mais profissionalmente, e conseguir muitos trabalhos para poder bancar o meu sonho de dirigir algo meu”, divide.
Quero me realizar como atriz, como apresentadora e como influenciadora nas redes sociais, que é algo que me dá um retorno financeiro maior do que como assistente de direção. Isso pode me levar a conseguir me realizar na arte, podendo tirar do papel os meus projetos. Também desejo ser mais gentil comigo, me encontrar mais, me conhecer mais, ser mais feliz e mais leve – Giulia Costa

Quero me realizar como atriz, como apresentadora e como influenciadora nas redes sociais, que é algo que me dá um retorno financeiro maior do que como assistente de direção” (Foto: Caio Novaes)
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